Publicado em 20/07/2008 as 12:00am

Brasileira luta pela humanização do parto

Adriana Tanese oferece apoio a gestantes interessadas em transformar o nascimento dos filhos em uma experiência natural

No mundo moderno e em tempos de cotidiano cada vez mais corrido, está se tornando um hábito que as crianças venham ao mundo com hora marcada ? em cesarianas que garantem a comodidade de médicos e mães, mas nem sempre representam o melhor para os bebês.

Na contramão desta tendência, uma psicóloga paulista que vive em Boca Raton, Flórida, luta, há anos, pela humanização dos partos. Adriana Tanese Nogueira, que em 2003 fundou uma Ong no Brasil (a 'Amigas do Parto'), tem oferecido à comunidade aqui nos Estados Unidos um trabalho de preparação de gestantes para o momento mais sublime e mágico da vida: a chegada de uma criança ? e de forma natural.

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), atualmente o procedimento cirúrgico é adotado em mais de 70% dos nascimentos, enquanto que a taxa recomendada sugere apenas 15%.  "Com as cesarianas ou partos com anestesia, os bebês já vêm ao mundo drogados", alerta Adriana. Ela ressalta que há casos em que a intervenção é necessária, para não expôr mãe e filho a riscos de saúde, mas afirma que jamais a exceção deveria se tornar a regra. E, mesmo com todo o aparato tecnológico na hora do parto, as taxas de mortalidade materna e infantil em países como o Brasil, por exemplo, continuam altas.

Não pense o leitor que Adriana está fazendo apologia a partos de cócoras no escuro, em banheiras de água ou com parteiras. "A humanização não tem, necessariamente, relação com o tipo ou posição usada no parto, mas envolve um processo que começa na gestação e se estende para depois do nascimento da criança", explica a brasileira, citando que aspectos importantes nesse sentido são a informação, a preparação física e o suporte emocional. Estes, aliás, são os pilares do trabalho que ela realiza com as gestantes, compartilhando suas experiências e expertise durante a gravidez.

Para Adriana, mulheres que têm seus filhos de forma natural não sofrem de depressão pós-parto, pois começam a maternidade de forma intensa e plena. Outra vantagem é o fato de que mãe e filho podem ficar juntos imediatamente. "A cesariana provoca dores por vários dias, até a cicatrização do corte, o que impede a mãe de cuidar do filho adequadamente", explica Adriana, mãe de Beatriz, que nasceu de forma natural em sua casa. Há estudos que mostram ainda que o procedimento cirúrgico no parto, e todo o estresse que ele provoca, pode deixar as mulheres sem leite para amamentação.

Mais do que desacelerar o processo do parto, Adriana quer conscientizar as gestantes de que a técnica não pode ser mais importante do que as pessoas envolvidas no ato. "Este é o momento em que a mulher tem a chance de resgatar a condição de personagem principal do parto. Trata-se de uma experiência libertadora e realmente pode ajudar a construir um mundo melhor para todos nós", finaliza Adriana.

 

Uma história rica

Adriana é filha de mãe imigrante italiana e de pai revolucionário brasileiro, que integrou o grupo do guerrilheiro Carlos Lamarca. Quando ela tinha cinco anos, a família fugiu para a Itália por força da perseguição da ditadura militar. "Vivi 25 anos em Milão, mas senti a necessidade de voltar ao Brasil, pois o ciclo havia se encerrado", conta, com um leve sotaque italiano.

Desde 2006, Adriana vive em Boca Raton com a filha e, apesar da bagagem de cursos e da prática em psicologia pós-junguiana, filosofia e ciências da religião, sua atividade principal aqui na América tem sido em favor do movimento pela humanização do parto.

Ela coordena as atividades gerais da Ong Amigas do Parto (www.amigasdoparto.org.br), inclusive organizando alguns cursos online. A brasileira lançou seu primeiro livro em co-autoria com Ciça Lessa, "Mulheres contam o parto", onde ela descreve as experiências de 15 gestantes e como o parto mudou suas vidas. "Mas estou agora também trabalhando num livro autobiográfico", revela. Adriana pode ser contatada através do e-mail adrianatnogueira@uol.com.br. 

Fonte: (acheiUSA)