Publicado em 5/08/2008 as 12:00am

Comunidade opina sobre "Caso André Martins"

O assassinato do brasileiro por um policial norte-americano continua gerando discussões

O paranaense André Martins, 25, que morreu baleado pela polícia ao tentar fugir de uma patrulha policial, durante uma madrugada de domingo, no mês de julho, provocou uma série de manifestações repudiando a ação da polícia no Cape Cod-Massachusetts. Cartazes contentendo a mensagem “Justiça Seja Feita” foram pendurados em estabelecimentos comerciais da região e alguns ativistas sociais comentaram o caso publicamente, expressando reprovação e classificando o ato como um gesto opressor ao imigrante.

Jornalistas dos mais variados veículos de comunicação relataram as consequências e todos os efeitos de uma tragédia que reelembrou os aspectos do caso Jean Charles, na Inglaterra, outro crime bastante evidenciado pela mídia, porém completamente diferenciado das condições que envolveram a morte de André.

 

Infração

O embaixador Mário E. Saade manteve contato com as autoridades norte-americanas e obteve permissão para acompanhar amplamente todos os relatórios gerados à partir de uma investigação independente do Governo norte-americano. O procurador de Justiça Michael O’Keefe concedeu acesso ao embaixador, que por sua vez irá esperar o fim das perícias para tecer comentários.

Porém, Mário E. Saade, disse casualmente, que gostaria de instruir a todos os cidadãos brasileiros que vivem nos Estados Unidos, sobre como eles podem precaverem-se de problemas de qualquer natureza, “a melhor maneira de proteger-se é respeitar as leis do país. Conhecer quais são as regras e o procedimento local”, comentou.

Dentro dessa mesma perspectiva o diretor de pesquisas econômicas e sociais da Prefeitura de Boston, Álvaro Lima, acrescentou, “Nós devemos, em primeiro lugar, fazer a nossa parte e não infringir as leis do Estado”, em seguida, ele também relembrou que a medida adotada pelo policial nesse tipo de operação foi incorreta. Apoiado no estudo dos procedimentos aplicados em Massachusetts, ele concluiu, “no manual de polícia de Boston consta que não é permitido atirar em veículos em movimento”, disse.

 

Análise dos fatos

A fotógrafa estadunidense, Jennifer Lynn, residente em Somerville, respaudou-se nos argumentos fornecidos pelo departamento de polícia de Hyannis-MA e interpretou o acontecimento. “Imagine que você é um policial e seus instintos lhe despertaram um forte alerta de suspeita e risco. Do outro lado da pista, um motorista, de identidade desconhecida, acelera em sua direção e você não pode prever qual será o próximo movimento dele, você apenas sente a adrenalida e a sensação de que deve agir rápido e defender-se”, após uma pausa ela continuou, “Isso não justifica a sua morte, mas o comportamento estranho de André, a infração dele ao volante, o desacato as três ordens de parar, a fuga e a maneira perigosa de dirigir, (que poderia matar policiais e outros civis na rua),  facilitaram o triste desfecho dessa história. André também poderia ter machucado outras pessoas durante a fuga. Eu também não vejo isso como um ato antiimigrante, pois os policiais não sabiam quem era o motorista, poderia ter sido com qualquer outra pessoa, poderia ter sido comigo.

Em outro viés da trajetória, o professor da universidade de Lowell, Eduardo Siqueira, foi bem objetivo, “Tudo isso poderia ter finalizado num assunto de violação de tráfico, não importa os detalhes do processo, o policial violou as normas da polícia Estadual”. O professor também ponderou, “Espero que a verdade não seja manipulada pela polícia”, preocupou-se.

George Patino, autor do livro “Living and Driving in Mass”, traduzido para o português, com o título “Vivendo e dirigindo melhor na América”, compartilha a mesma visão de Eduardo, “Não vejo razão para o oficial forçar alguém a parar um veículo atirando contra o motorista, ele terá que responder isso na corte”, disse George.

 

Fatalidade

A empresária Branca Neves possui um estabelecimento comercial de grande porte, no Cape Cod, e também é promotora de eventos, disse que essas atitivades proporcionam uma convivência estreita com a comunidade brasileira da região. Conforme a sua observação, os imigrantes estão circulando normalmente pelos lugares sem temer a abordagem da polícia, “O problema não afetou o comércio, nem tirou a liberdade das pessoas. Eu penso que muitos entenderam que isso foi feito apenas por –Um- policial”, frisou Branca, “e não por todo um departamento ou Estado”, disse.

Branca disse ainda, “Acredito no trabalho da polícia e sei que nem todos são iguais”. Seguindo o raciocínio ela completou, “Foi uma má sorte. Todo mundo tem um momento de loucura na vida, e possivelmente aquela foi a hora dele cometeter a sua”, concluiu.  

Fonte: (Brazilian Times)