Publicado em 28/08/2008 as 12:00am

Brasileiro sequestra filhas e foge para o Brasil

Após anos de recorrentes brigas judiciais, devido à desacordos relacionados à guarda e custódia das meninas, o indocumentado Clóvis agiu ludibriando a lei americana e brasileira, num longo e premeditado plano de sequestro

Por Marcelo Zicker      


Na tarde da última segunda-feira, dia 25, a cearense Roberta Vinheira, atendeu uma ligação de sua mãe que, aflita, perguntava com temor: “Roberta, onde estão as crianças?”. Sem desconfiar do que viria a seguir, ela afirmou convicta: “Ora, estou indo pegá-las na casa do pai delas”. Ela foi, e além da casa vazia, ganhou a certeza que uma tragédia estava deflagrada.  O capixaba Clóvis Gerson Depianti, de 47 anos, fugira com suas filhas para o Brasil, Domminique Depianti, de oito anos, e Pietra Depianti, de sete anos, frutos de um ex-relacionamento de quatro anos com Roberta.  Após anos de recorrentes brigas judiciais, devido à desacordos relacionados à guarda e custódia das meninas, o indocumentado Clóvis agiu ludibriando a lei americana e brasileira, num longo e premeditado plano de sequestro.

            Tudo se iniciou à três anos. Em 2005, pouco após terminarem o relacionamento, Roberta entrou com uma ação judicial pedindo a retenção do passaporte de Clóvis, alegando que ele teria problemas ligados ao alcoolismo e desequilíbrios de comportamento. “Ele sempre teve problemas sérios com o álcool. Quando ele bebe, ele perde o controle. O pedido de reter o passaporte foi uma tentativa de agir para a segurança das minhas filhas, de limitar qualquer possibilidade de fuga” afirma a babá, que mora há 10 anos nos EUA.  Com a custódia física-integral das meninas a seu favor, Roberta percebeu que Clóvis mudara a atitude, demonstrando equilíbrio e obedecendo aos limites determinados pela justiça. Com respaldo da justiça na guarda das filhas, e se mostrando confiante na mudança do ex-marido, ela cedeu aos constantes pedidos de Clóvis para reaver o passaporte, e adquirir maior contato com as pequenas Domminique e Pietra. “No começo eu permitia somente a visitação supervisionada, mas depois que ele se mostrou mais confiável, e por acreditar que ele nunca faria o que ele fez, em 2006 dei permissão para que ele pudesse ver elas com mais frequência, incluindo fins de semana (em caráter de revezamento) , e quatro semanas no verão”. Roberta, porém, não sabia que tinha dado início ao pesadelo que se alonga desde às 6 horas da manhã do último sábado, dia 23, quando Clóvis, acompanhado de Domminique e Pietra, embarcou em direção ao aeroporto de Vitória no Espírito Santo.

           

           

A dor da notícia

 

            Na tarde de segunda, Júnior, primo de Roberta que vive em Vitória- ES, esperava há um bom tempo o ônibus em direção à sua casa. Foi então que resolveu ir comprar um chocolate em um supermercado próximo. Ao entrar na fila do caixa, quase tropeçou em duas meninas acompanhados de um homem e uma mulher loira. Era Clóvis, acompanhado das duas filhas e de sua irmã Elisabeth. Atordoado, Júnior entrou em contato com a família, que terminou na dura ligação da avó de Domminique e Pietra para Roberta.

            Ao procurar o consulado brasileiro em Boston, a babá descobriu que Clóvis tramou com calma e planejamento toda a ação criminosa. Aproveitando a custódia das meninas durante um verão, providenciou o passaporte brasileiro das filhas, que são americanas naturais de Cambridge, Massachusetts. Pouco depois , e segundo suspeitas de Roberta, com a ajuda de Elisabeth (irmã de Clóvis) , forjou uma procuração que concedia plenos poderes para Clóvis em relação à suas filhas , falsificando a assinatura e certidão de nascimento de Roberta. “Ele planejou isso há dois anos. Utilizando documentação falsa provinda do Brasil , provavelmente com a ajuda de sua irmã, ele esperou o momento certo para agir” afirma a babá , desconsolada. Ainda segundo ela, a motivação não teve nada haver com suas filhas, mas sim de uma busca por vingança. “Ele não pensou um minuto sequer nas crianças, tenho certeza que ele agiu por vingança , por saber o tanto de sofrimento que poderia me causar. Foi um ato para me prejudicar” desabafa.

            Segundo ela, a última vez que viu as filhas foi quando as entregou para Clóvis às 18hs da última sexta. Ela diz não esquecer porém, o apelo de Domminique ao despedir da mãe. “Ela dizia para mim, ‘ não quero ir mãe, quero ficar aqui com você’. Mas eu não podia fazer nada, era a ordem da justiça” afirma. 

 

Relacionamento Conturbado

           

            A preocupação de Roberta de limitar a participação de Clóvis na vida das meninas, não era gratuita. Desde quando estavam juntos, ela sofria com as brigas e maus-tratos do ex-marido.  “Ele sempre chegava bêbado em casa, agindo com perigo, me maltratando e botando em risco à saúde do nosso relacionamento familiar. Ele sempre teve ideais machistas e agressivos. Tive até que denunciar duas agressões que sofri por parte dele.” conta. 

            Formada em pedagogia no Brasil e com permissão de residente nos EUA, ela diz que espera uma medida da polícia americana e descarta a possibilidade de ir ao Brasil buscar a filha. “Estou aqui tem 10 anos, não tenho mais vínculo suficiente com o Brasil para tomar tal atitude. As minhas filhas são americanas e a justiça americana deve zelar pela segurança delas. O que estou tentando fazer é não pensar muito no assunto e tentar acreditar que tudo dará certo. Estou há dias sem comer e dormir, mas nesse momento o mais importante é a calma e confiar na justiça.” salienta.

            A babá já acionou as autoridades, a resolução do caso está a cargo da ação policial diplomática entre as polícias americana e brasileira. 

Fonte: (ANBT - Agência de Notícias Brazilian Times)