Publicado em 9/09/2008 as 12:00am

Festival da Independência

Música boa, comidas típicas e aquele sol quente no décimo-terceiro evento dedicado

By Miryam Wiley

 

Se a chuva caiu forte no sábado à noite, nem um pingo sobrou para o domingo, reforçando a velha idéia de que Deus é brasileiro. Sem preocupações e cheios de energia, centenas de compratriotas se reunirem pela décima-terceira vez para o dia de comemorações no Artesani Parque, em Boston.

Heloísa Galvão, co-fundadora do Grupo Mulher Brasileira, que organiza o festival, deu início às festividades convidando a todos para um momento de silêncio.

“Nós estamos celebrando 186 anos de independência e liberdade, mas muitos no mundo ainda não são livres,” disse Heloísa, com a voz carregada de emoção.

Com a presença do Consul Mario Saade no palco, em meio a vários voluntários e artistas convidados para o evento, a soprano brasileira Sandra Ferreira cantou o hino nacional. Logo depois aconteceu a parada de abertura, um cortejo iniciado pelo grupo Afro Brazil, com o percussionista Marcos Santos, que foi logo seguido por muita gente, de todas as idades 

“Essa festa é ótima, disse  Martin Pillsbury,  um americano há muitos anos ligado à comunidade brasileira. “Mas eu gostaria mesmo é de ver aqui um evento mais como o de Nova York, onde 15 quarteirões são fechados para a festa.  “Considerando-se o número de brasileiros que vivem aqui na área de Boston, eu acho que deveríamos ter muito mais gente aqui. É um ótimo evento, com uma energia muito boa, mas eu fico pensando que a gente pode ter muitos mais gente, como tem gente no festival do Caribe. Eu sei que aquele tem vários países, mas eu acho que esse pode crescer.”

 As atrações oferecidas pelo Boston Children’s Museum ( O Museu das Crianças, de Boston) incluíram pintura de rosto e até um papel grande onde as crianças eram convidadas a escrever como é que a família delas prepara feijoada.

 “Isso é apenas uma maneira mais simplificada de fazer o que a minha colega Meghan Dickerson planejou mas não pôde fazer, porque não pôde vir,” disse Jamell Hankins, educador comunitário de programas do Museu. “Ela ia trazer vários ingredientes  recortados e convidar as crianças para colocar o que elas  achavam importante para fazer esse prato.”

 Entre os vendedores de comidas, Maria Silva estreiou como “a baiana” da festa.  Desde o início, quando começou a fritar os acarajés, que vendeu por $5 dólares, teve uma fila longa que mais de duas horas depois ainda continuava crescendo.

 “Essa é minha primeira vez, antes eu só fazia em casa, pra família e os amigos,” disse Maria.  Ao que a amiga Rose Souza completou:  “ Eu é que escutei na Rádio que não tinha comida baiana na festa e liguei pra ela. Nós ficamos duas semanas preparando tudo.”

 Entre as muitas outras iguarias servidas, o tradicional churrasco ( com fila muito longa) , batidas variadas, pastel frito na hora e até tapioca do Ceará, feita por pelas irmãs Silvaneide Fadil e Socorro Valente, de Needham, também estreiantes no Festival.

 Leila Andrade, que mora em Malden, estava curtindo a sombra e a música, junto com as amigas Shirley Rangel e Gleisiany Mihoc, ambas de Everett.

“Aqui está gostoso e bem organizado,” disse Leila. “Mas eu acho que já devia ter trocado essa música, que já está tocando há uma hora.”

Leo Chen, da ONG Books for Brazil, Fairy Godmother, disse que o evento estava interessante, com bastante gente, como em anos anteriores.

“O pessoal tá me dizendo que esse ano tá muito melhor que no ano passado,” comentou Heloísa. “Mas todo ano eles me falam isso.”

Fonte: (ANBT - Agência de Notícias Brazilian Times)