Publicado em 21/09/2008 as 12:00am

"Assassino" de brasileiro é inocentado em relatório final

Foi divulgado na sexta-feira (19) o relatório final sobre o assassinato do pintor paranaense, André Martins, 25. No dia 27 de julho, ele teria passado em alta velociade em uma rodovia na cidade de Yarmouth, Cape Cod, e durante uma perseguição policial, fo

Por Luciano Sodré

 

Foi divulgado na sexta-feira (19) o relatório final sobre o assassinato do pintor paranaense, André Martins, 25. No dia 27 de julho, ele teria passado em alta velociade em uma rodovia na cidade de Yarmouth, Cape Cod, e durante uma perseguição policial, foi alvejado por tiros da arma de um policial.

O policial Christopher Van Ness, 34, que estava sendo acusado de ter matado o brasileiro, foi inocentado, de acordo com o relatório divulgado pelo promotor de Cape Cod, Michael O´Keefe. “Ele atirou em legítima defesa”, afirma o documento.

No relatório é citado a rapidez como tudo aconteceu e em um dos parágrafos diz que “entre o momento em que o policial comunicou, pelo rádio, a perseguição ao brasileiro, até o momento em que atirou nele, decorreram-se menos de dois minutos”. Também consta no documento que Martins estava fumando um cigarro de maconha.

Ainda consta no relatório o depoimento de Camila Miranda, esposa de Martins, a qual teria afirmado que “o brasileiro disse que não iria para a cadeira e acelerou o carro, quando percebeu que estava sendo perseguido”.

A perseguição só terminou quando o carro de Van Ness acertou o veículo do brasileiro, fazendo com que ele rodopiasse na pista. “Ele tinha um olhar delirante e jogou o automóvel contra mim”, relata o policial que foi ferido na perna pelo retrovisor. “Foi neste momento que disparei, pois percebi que minha vida estava em jogo”, continua.

Com estas afirmações e mais algumas provas apresentadas, o promotor considerou que o policial estava com sua vida ameaçada e atirou apenas em legítima defesa. Esta decisão chocou a comunidade brasileira que vive na região de Cape Cod, onde aconteceu o fato.

Em um documento encaminhado à imprensa, o Grupo de Mulher Brasileira – GMB, representada pela sua presidente Heloísa Galvão, disse ter ficado desapontada com a Justiça. “A morte de um ser humano, pai de duas crianças, não deve ser justificada de forma tão superficial para cobrir um policial que atirou rápido demais”, fala ela.

Indo mais além, Heloísa indaga às autoridades norte-americanas: “como querem que confiemos na justiça deste país ou na segurança oferecida pelos policiais”.

As provas que levaram à esta decisão são as marcas dos pneus do carro do brasileiro, os locais onde as cápsulas foram deflagradas e a posição da viatura de Van Ness, além de testemunhos de pessoas que presenciaram o fato. “Tudo mostra que o policial atirou para não morrer”, cita o relatório.

Em seu depoimento, Camila afirma que “realmente havia maconha no veículo, mas Martins não estava fumando no momento da perseguição e mesmo que estivesse, não se justifica o seu assassinato”. Mesmo depois da decisão e o relatório divulgado, ela apresenta uma outra versão do fato e afirma que o policial saiu do veículo se aproximou da janela e começou a atirar contra Martisn. “Foram disparados três tiros contra ele”, assegura.

Durante as investigações, o policial Van Ness foi afastado do caso e com esta decisão, ele deverá retornar aos trabalhos normais, mas ainda não há data prevista para que isso aconteça.

Por telefone, o pai de Martins, Luis Carlos de Castro Martins, disse que ainda não estava totalemente ciente da decisão, mas exigirá uma cópia do relatório. “Não sei se meu filho estava errado ou não, mas isso não justifica tirarem-lhe a vida”, comenta emocionado. Ele disse que estará mantendo contato com alguns advogados no sentido de entender lei dos Estados Unidos, para somente assim tomar uma providência. “Mas qualquer que seja o resultado, nada trará meu filho de volta”, fala ele, que é policial da reserva em Tapejara-Paraná.

Fonte: (ANBT - Agência de Notícias Brazilian Times)