Publicado em 25/09/2008 as 12:00am

Brasileiros se dizem mais protegidos nos EUA que no Brasil

O brasileiro que desembarca nos EUA não demora a atentar para um grande fator de qualidade de vida em terras americanas: a segurança. Muitos daqueles que planejaram sua estadia apenas para alguns anos, apenas para conseguir juntar uma boa quantidade de d

Por Marcelo Zicker

 

            Atraído por melhores oportunidades de emprego e com a perspectiva de proporcionar uma melhor condição financeira para sua família, o brasileiro que desembarca nos EUA não demora a atentar para outro grande fator de qualidade de vida em terras americanas: a segurança.  Muitos daqueles que planejaram sua estadia apenas para alguns anos, apenas para conseguir juntar uma boa quantidade de dinheiro, o suficiente para fazer um investimento e voltar à terra natal ,  levam em consideração a questão da segurança na hora de se decidir em permanecer por aqui.

            Com os números da violência no Brasil atingindo a cada ano novos recordes negativos, não é de se espantar que muitas dessas pessoas estejam priorizando, além do fator financeiro, a tranquilidade de viver em uma sociedade que prima pela harmonia entre os seus cidadãos. É o caso por exemplo da gerente do ramo de restaurantes, Davina Cardoso Dantas. Vivendo há 3 anos em Somerville, ela afirma que o fato de viver numa comunidade segura e com baixos índices de violência, a influencia na decisão de permanecer por aqui. “ Mais do que o dinheiro, o fato de viver num lugar onde tem poucos casos de violência, onde você pode caminhar sozinha pela rua sem se sentir ameaçada, me faz sempre pesar o fato de que aqui é um melhor lugar pra se viver” diz a rondoniense. Para ela, não precisa pensar muito para concluir que há uma diferença muito grande entre a sensação de segurança daqui e no Brasil. “ É só você ver como são as casas no Brasil. Sempre muros, cercas elétricas, guarda noturno, interfone. Todo mundo lá vive em pânico, em medo, o tempo todo. Aqui, nem com a porta trancada você precisa se preocupar tanto” exemplifica.

            Já a capixaba Nilcéa Fernandes, viveu seu primeiro caso de violência na semana passada, em 7 anos residindo em Boston. “ Trabalho numa pastelaria que sofreu um assalto numa madrugada da semana passada, levaram o caixa , que continha apenas 100 dólares. Nunca tinha ouvido falar de assaltos por essa região antes disso, até tomei me surpreendi quando soube” afirma Nilcéia, que é natural de Vitória, no Espírito Santo.

           

Violência : Brasil x EUA  ( BOX)

 

            Mesmo com casos esporádicos como o sofrido pela pastelaria na qual trabalha Nilcéa, os números da violência no Brasil em comparação aos dados coletados nos EUA não deixam dúvida do imenso abismo entre as qualidades de segurança oferecidas entre os países. Enquanto no Brasil o número de homicídios/mortes tem uma média anual de 7,5 para a cada 100 mil habitantes (segundo dados do IBGE -Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), Massachusetts caminha entre 2,5 assassinatos a cada 100 mil habitantes ( de acordo com a Massachusetts Law Enforcement Agency).

 

Atestando a tranquilidade

            Há somente 3 meses morando em Boston, a paulista Juliana Nicolino, afirma ainda estar se acostumando com o fato de poder andar na rua sem se manter em alerta para qualquer eventual assalto ou ação violenta. “ Vim de São Paulo, uma  das cidades mais violentas do mundo, todo mundo está sempre preocupado em que lugar ir, como ir, como se comportar, porque a qualquer momento pode ter um criminoso para te abordar”  diz a engenheira civil, que veio somente para realizar cursos de qualificação com a duração de 6 meses.  “ Como é a primeira vez que saio do país, estou meio surpreendida com a segurança daqui. Até mesmo nos lugares que aparentam ser perigosos, sinto que não preciso me preocupar. Em São Paulo não existe essa sensação”, desabafa Juliana, deixando escapar o medo de voltar a conviver com a agonizante sensação de insegurança do Brasil.

Fonte: (ANBT - Agência de Notícias Brazilian Times)