Publicado em 25/09/2008 as 12:00am

Seqüestro faz um pai sofrer nos EUA

David Goldman está lutando para trazer o seu filho Sean de volta para os Estados Unidos, desde que a mãe o levou para o Brasil, há mais de quatro anos atrás

David Goldman está lutando para trazer o seu filho Sean de volta para os Estados Unidos, desde que a mãe o levou para o Brasil, há mais de quatro anos atrás.  O garoto foi seqüestrado pela própria mãe e está em local conhecido, mas permanece fora do alcance de David, desafiando as leis dos dois países e do mundo.

“Não o vejo há mais de quatro anos e tenho estado desesperado, lutando e brigando na justiça para tê-lo de volta”, afirmou Goldman a Meredith Vieira, jornalista da rede MSNBC. Tentando não demonstrar suas emoções, ele parecia estar à beira de um ataque de nervos enquanto contava sua história de perda e frustração.

Tudo começou em Junho de 2004, quando Bruna (sua ex-mulher), os pais dela e o filho Sean, então com 4 anos de idade, pegaram um vôo do Aeroporto de Newark para o Brasil, aonde supostamente iriam passar 2 semanas de férias.

 

Um telefonema chocante


Goldman achava que seu casamento estava sólido e pensava que sua mulher era feliz. Mas, ao chegar ao Brasil, ela telefonou e o informou que não voltaria mais aos Estados Unidos. E acrescentou que manteria Sean com ela no Brasil. Além disso, Bruna o teria avisado que, se algum dia quisesse vê-lo de novo, ele teria que passar a custódia exclusiva do menino para ela. Goldman, então, foi à corte em New Jersey, onde Sean nasceu, e obteve uma ordem determinando uma audiência estadual, que garantia que ele poderia ter a custódia do filho.

De acordo com as leis nacionais dos dois países e com o Tratado de Hague, do qual o Brasil é signatário, Sean poderia ter voltado aos EUA para a audiência. Mas o fórum brasileiro local esperou um ano para responder à corte de New Jersey e julgou improcedente a ação, informando que, após todo esse tempo, o filho deveria permanecer com a mãe no Brasil.

 

Mulher morre durante novo parto


Bruna obteve o divórcio de Goldman e casou-se de novo, com um advogado brasileiro, o qual Goldman afirma ser um político influente, cuja família é super-conhecida no Brasil. Infelizmente, grávida do novo marido, Bruna veio a falecer durante o parto, no mês passado. Enquanto isso, seu casamento ainda era válido nos EUA. Ele soube da morte de Bruna através de amigos que moram no Brasil.

Depois de quatro anos tentando trazer o filho de volta, David Goldman achou que finalmente tinha chegado a oportunidade. “Por causa dessa situação trágica, eu tinha que estar com meu filho de qualquer maneira”, ele disse na reportagem, referindo-se à morte da ex-mulher.

Então, ele foi ao Brasil de novo. Lá, descobriu que o marido brasileiro de Bruna entrou com uma petição na vara de família para remover o nome de Goldman da certidão de nascimento de Sean e trocar pelo seu. “Isso faria com que eu jamais tivesse sido o pai de meu próprio filho. E a justiça brasileira tem permitido que isso aconteça”.

A Embaixada dos Estados Unidos no Brasil escreveu diversas cartas pedindo às autoridades brasileiras para reconhecerem os direitos de paternidade a seu favor.  

David Goldman, durante a entrevista na MSNBC, afirmou que o padrasto de Sean não tem laços sanguíneos com ele. Isso pode fazer qualquer um se passar pelo pai de uma criança e requerer sua custódia.

 

Drama


Na casa de David Goldman em New Jersey, o quarto de Sean permanece intocável, desde que o menino se ausentou há mais de quatro anos, com seu Scooby-Doo ainda sobre a cama e suas roupas no mesmo closet. O menino está com 8 anos de idade e tem conversado com o pai ao telefone, mas os dois estão proibidos de se verem, afastados pela justiça dos homens. 

Fonte: (Da redação)