Publicado em 7/10/2008 as 12:00am

Vozes Da Violência atua no apoio à vítima de violência doméstica

Famílias desmanteladas, relacionamentos ( muitas vezes de uma vida inteira) logrados ao fim , sequêlas físicas e mentais que permanecerão até o caminhar final da vida. Essas são somente alguns dos desdobramentos de um sintoma cada vez mais comum entre pe

        Por Marcelo Zicker


            Famílias desmanteladas,  relacionamentos ( muitas vezes de uma vida inteira) logrados ao fim , sequêlas físicas e mentais que permanecerão até o caminhar final da vida. Essas são somente alguns dos desdobramentos de um sintoma cada vez mais comum entre pessoas que dividem o mesmo lar : a violência doméstica.

            Atuando há aproximadamente 30 anos na orientação, informação e apoio aos sobreviventes de violência doméstica e/ou agressão sexual contra cônjuges e familiares, o programa Vozes Contra Violência ( Voices Against Violence) já ajudou muitas vítimas desse tipo de violência. Estupro, humilhações de ordem verbal, emocional, e econômica, além de agressões físicas, são os casos mais comumente reportados à instituição.

            Para a brasileira Juliana F., representante da agência, mesmo com o alto número de procura, a ‘tabu’ do problema ( relacionado à vergonha, dificuldade de expor um fato de muita intimidade) cria uma barreira para que a maioria das vítimas procure ajuda. “ Segundo pesquisas, apenas 15% dos casos de violência doméstica são reportados aos orgãos especializados. O medo de vingança, a vergonha,  faz com que muitas dessas pessoas, principalmente em casos muito traumáticos psicologicamente, omitam aquele fato, tentam apagar de suas memórias” afirma a profissional, que atua como uma das aconselhadoras das vítimas. “ É muito comum recebermos pessoas que afirmam ter sido vítimas de algum tipo de violência doméstica há 20, 30 anos atrás. Elas guardam aquela dor por muito tempo, sem saber que podemos atuar de forma a encaminhá-las para profissionais que poderão trazer superação necessária para enfrentar o ocorrido” esclarece Juliana.

            Confidencial e gratuito, o atendimento da instituição é feito via telefone, preservando a identidade da vítima. “ A pessoa não precisa fornecer nome , telefone, endereço, nada que cause desconfiança para ela reportar seu caso para nós. Outro detalhe muito importante é que não importa o status migratório, sendo documentado ou indocumentado, todos podem procurar atendimento sem preocupações ligadas a isso” salienta Juliana. Ainda em relação à questão imigratória, ela afirma ser cada vez mais comum casos de ‘chantagem’ envolvendo pessoas que utilizam a legalidade no país para humilhar, abusar ou se beneficiar do parceiro em situação irregular.

           

Onde começa e termina o problema


            Sendo a maioria das vítimas mulheres, a explicação para as causas de tal problema pode se encontrar na diferença entre homens e mulheres lidarem com suas agruras e preocupações internas. “ As situações desse tipo de violência ocorrem, muitas vezes, porque o homem tem maior tendência de expressar sua irritação com o stress, desconfiança, nervosismo, frustações. A mulher normalmente guarda para si o incômodo, ou não tão externa tão fortemente como o homem. Também é comum as pessoas casarem com alguém que pensam conhecer profundamente, mas que num ambiente de forte convivência diária, descobrem atritos que podem desembocar em casos de agressão” explica Juliana, que ainda utiliza um exemplo para ilustrar a afirmação. “  Em um caso recente, uma mulher que vivia com o namorado há alguns meses, foi agredida covardemente pelo namorado. Ela procurou o “ Vozes Com Violência ”  e oferecemos orientação para ajudar a essa pessoa a lidar com o problema,  recomeçando a sua vida. Auxiliamos ela a mudança de residência, na transferência de seu filho para outro colégio, tudo sem ter que se desfazer totalmente de sua vida passada. Ela mora no mesmo estado, mas não mantém contato algum com seu antigo parceiro. É importante que as pessoas saibam que entre casados, quando uma pessoa faz sexo sem consentir o ato ao parceiro, é caracterizado o estupro” relata.

            As sequêlas para uma vítima de violência doméstica podem deixar marcas que influem em todos os âmbitos de vivência, portanto o quanto antes a pessoa procurar ajuda, melhores são as perspectivas para superar o problema. “ As  consequências para as vítimas vão desde complicações com o sono e  dificuldade de comer até dificuladade de relacionamento  e dores musculares sem explicação médica, de procedência psicosomática” alerta a especialista.

 

Projetos paralelos

 

            Além da assessoria via telefone e todo o procedimento na agência, o Vozes Contra Violência também realiza o programa ‘Advogado Do Dia’ , todas às manhãs de quinta-feira, na Côrte de Marlboro. Um advogado voluntário auxilia na orientação em casos de  divórcio, paternidade, pensão alimenticia, custódia, tutela, testamento / heranca, e ordem de restrição ( que impede o abusador de se manter contato com a vítima).

            O projeto também realiza trabalhos com grupo de apoio, chamados Clothesline. A idéia central é  realizar encontros de pintura e desenhos de camisetas, que onde se representa um tipo de violência doméstica, como uma forma de terapia e conscientização. “ Em maio passado realizamos um evento relembrando a morte de Caique e Carla, que foram assassinados há dois anos atrás” revela Juliana, citando o fatídico acontecimento da morte de mãe e filho à materladas, supostamente, pelo marido de Carla à época, Jeremias Bins.

            O Voices Against Violence  presta atendimento às vítimas 24 horas, em sistema de plantão, pelos telefones 508-626-8686 ou 1-800-593-1125. O telefone do escritório, que funciona entre 9 am e 5 pm, de segunda a sexta,  é 508-820-0834. Mais informações no seguinte endereço na internet :  http://www.smoc.org .

Fonte: (ANBT - Agência de Notícias Brazilian Times)