Publicado em 14/10/2008 as 12:00am

Brazil Rising - O Brasil "cresce e aparece"

Numa fase em que todos acompanham o colapso e a especulação norte-americana, estudiosos estadunidenses avaliam o poder do Brasil no mercado interno e externo

Por Elizabeth Simões

 

A Fundação Stanley promove um projeto chamado “Rising Powers”, que estuda o desenvolvimento dos países. Este ano, o Brasil foi o escolhido para análise, sob a justificativa de que alguns fatores tais como, a auto-suficiência em biocombustíveis e o crescimento da confiança dos investidores foram determinantes para que o Brasil se transformasse em objeto de estudo dos pesquisadores sócioeconômicos da Fundação.

“Rising Powers”, que em português significa, crescimento de poderes, aponta quais são os principais recursos dos países que impulsionam o seu sucesso econômico e avalia o impacto dele dentro de seu território, além de explorar o significado desse desenvolvimento para os Estados Unidos. A questão primordial levantada pela fundação foi: O novo Brasil continuará como um parceiro estratégico dos Estados Unidos ou poderá tornar-se um formidável competidor?

Para abrir o fórum de discussões realizado no dia 02 de outubro, na Universidade Northeastern, em Boston-Massachusetts, um documentário produzido pela rádio BBC News elencou aspectos positivos desse novo cenário governamental. Mais de uma hora de áudio tratou de temas relativos a política, comércio, energia e cultura.  

 

O Brasil visto bem de perto


O apresentador David Brown iniciou o programa que foi gravado pela rede pública de rádio, BBC News, afirmando que diversos barcos partem do Brasil carregados de café, grãos, laranja e carne para abastecer todo o planeta, “O país é o número 1 em exportação e muito mais”, disse o radialista.

O Brasil vive uma “revolução agrícola”, disse David, que fundamentou com a constatação dele e de outros pesquisadores que visitaram os campos de cultivo. “Há três décadas atrás nada crescia nesses campos, e olhe agora, a plantação está aumentando cada vez mais para suprir a grande demanda da China”, disse o radialista.

Kristin McHugh, produtora de rádio e pesquisadora da Stanley, esteve  numa fazenda de soja em Goiás e aderiu veracidade aos argumentos de que os exportadores consideram que o Brasil assumirá a 2º ou 3º posição global na distribuição de soja e recursos energéticos. “A nossa agricultura é importante para alimentar todo globo, mas nós temos que equilibrar e ordenar esse progresso, para não repetirmos os mesmos problemas que existem nas grandes cidades como o Rio de Janeiro e São Paulo”, preocupou-se um dos fazendeiros, de Brasília,  entrevistado por David.  

 

Brasil e Estados Unidos, países de oportunidades e com idéias em comum


David pontuou que, logo após o pronunciamento do presidente George Bush, em 2006, na União do Estado, a respeito do interesse na produção de Etanol como largo incentivo ao crescimento dos EUA, o Governo brasileiro ouviu atentamente e investiu na extração de energia alternativa, a partir da cana de açúcar, cuja performance energética é superior ao do milho, usado na produção norte-americana. E, tornou-se líder no segmento.

Enquanto a lista também elencava outros produtos e mercadorias em ascensão, a Empresa Brasileira de Aeronáutica (Embraer) foi um ponto remarcável para comentar o otimismo do atual panorama de crescimento. Com a ajuda da estabilidade econômica, a movimentação de empregados nos galpões da Embraer saltou de 4 mil para 23 mil pessoas trabalhando.

A engenharia brasileira aplicada a fabricação de peças e aeronaves tem conquistado o mercado desde 1999, e hoje, a Embraer lidera a venda de jatos comerciais. “O Brasil está realmente decolando”, brincou David.

 

Barreiras para a liderança mundial


Numa longa história proveniente de uma política volátil, com curto tempo de poder democratico, baixo crescimento econômico, apresentando altos índices de pobreza e criminalidade, “O Brasil é talvez uma das 10 maiores economias do mundo, mas a nação não representa o mesmo crescimento no quesito direitos humanos. Um a cada cinco brasileiros vivem com menos de 2 dólares por dia. Para a maioria dos residentes de São Paulo, assaltos, sequestros e homicídios estão tornando-se parte da rotina. Apesar desses problemas o Governo está tentando criar soluções para combater o crime e a pobreza, com isso, as pessoas estão começando a sentir esperança e orgulho” disse Kristin McHugh.

 

País do Futuro


No final do documentário David fala em tom de confidência, “A maioria dos meus amigos não têm conhecimento do poder emergente da américa latina, nesse momento a história do crescimento do Brasil representa um dos melhores segredos sobre a direção que o mundo irá tomar”, finaliza o radialista.

Mais de 200 pessoas debateram sobre o documentário no auditório da Universidade Northeastern. Enquanto as mãos não se cansavam de levantar para questionar ou acrescentar opiniões, a maioria acordava sobre a discrepância do acúmulo financeiro (boom), em contradição ao descaso com a segurança pública e a educação.

Dentre as várias experiências da platéia, a maioria estadunidenses, alguém sugeriu que o filme ficcional Tropa de Elite, do diretor José Padilha, dava exemplos reais da gravidade social, promovendo uma ampla análise da  pobreza, deficiência acadêmica e da corrupção das instituições. “Esse filme é fenomenal”, ouvia-se.

Os altos impostos e principalmente a estagnação da classe média também foram mais alguns comentários que provocaram uma onda de acenos compreensivos. “Isso nos faz repensar: O Brasil é o país do futuro? (...) - E sempre será! ou seja, nunca chegará ao momento presente. Ou desta vez, como nunca se viu, ele está no caminho certo”, disse outro produtor do “Brazil Rising” Simon Marks, pesquisador da Stanley Foundation.

Fonte: (ANBT - Agência de Notícias Brazilian Times )