Publicado em 21/10/2008 as 12:00am

Organização facilita acesso de imigrantes à faculdade

O SIM ? ou Student Immigrant Movement ? é uma organização aberta a todos que queiram participar ativamente dos esforços para abrir as portas para os imigrantes chegarem à universidade

Por Miryam Wiley

 

A moça bonita de cabelos longos se recusou a dar seu nome. Depois, com ares ainda desconfiados, disse apenas: “É que sou tímida.”  E embora tenha ficado ali decidida a não comentar muito sobre o seu momento, conversou com o organizer Carlos Saavedra, que lidera o movimento SIM para imigrantes.

 

“O que você quer estudar?” perguntou Saavedra. (What do you want to study?)

“ Early Childhood,” ela respondeu.  ( Educação para crianças pequenas)

“Por alguma razão especial?” ele continuou. ( Any specific reason?)

Gosto de crianças,” respondeu a moça.  ( I like children.) 

 

A conversa aconteceu quarta-feira,15 de outubro, na Framingham High School, onde se reuniram representantes de diversas universidades para informar aos estudantes sobre seus programas. Mas foi possivelmente só nessa mesa que as conversas incluíram experiências pessoais de quem pensou que não tinha chances.

 

Saavedra, que nasceu no Peru, veio para os Estados Unidos ainda bem novo. Enquanto estudante na high school, acostumou-se à idéia de que não poderia ir para a universidade, ou pelo menos, não poderia frequentar as universidades estaduais, os chamados state colleges,  pagando o mesmo que seus colegas considerados residentes dos Estados Unidos ( alguns nascidos aqui, outros fora, mas com a documentação correta, que permite  o pagamento chamado In-state tuition.)  Saavedra contou à moça bonita que um dia pensou: “Why the heck can’t I go to college?”  

 

Sem uma boa resposta para a pergunta que se traduz, mais ou menos, como “por que não?” ele se tornou um dos fundadores do movimento que se conhece hoje pela palavra que todos os estudantes querem ouvir – SIM – e que faz parte da Massachusetts Immigrant and Refugee Advocacy Coalition – a MIRA.  

 

O SIM – ou Student Immigrant Movement – é uma organização aberta a todos que queiram participar ativamente dos esforços para abrir as portas para os imigrantes chegarem à universidade. O movimento tem como missão:  “ Dar poder aos estudantes imigrantes através da identificação, recrutamento e desenvolvimento de líderes não só em Massachusetts mas nos Estados Unidos como um todo, para que identifiquem e discutam os problemas que enfrentam em suas comunidades.”  No momento, o SIM está fazendo campanha para o que se chama Education Parity Act, que tem um projeto de lei para que certos estudantes qualificados consigam pagar in-state tuition e até mesmo obter green cards. Mas isso é um projeto, ainda precisando de muito apoio nos meios políticos.

 

Na conversa de Saavedra com a moça tímida de cabelo comprido, foi visível o interesse que teve em falar das possibilidades junto ao que ela está planejando e sonhando.

 

“Quais são as universidades ou colleges que você está considerando?” perguntou Saavedra. “Wheelock  é a primeira da minha lista,” respondeu a moça. “Por quê?” perguntou Saavedra. “Porque eles têm tudo que se relaciona com crianças.”

 

Ciente da situação da moça em relação à falta de documentos,  Carlos disse:“A nossa situação não é fácil, mas se nós não nos unirmos, quem fará isso por nós?”

 

Outra moça bonita veio ver a mesa do College Access for Immigrant Students: Sarah Pereira, brasileira-americana nascida em Miami e criada no Brasil, sem nenhum problema de documentação, mas certamente uma imigrante recente, chegada há dois anos.“Eu tenho bolsa de estudos para o Framingham State College,” disse Sarah, mas estou querendo ir estudar no Wellesley College.”

 

Ajudando Carlos na mesa do acesso para imigrantes estava Ada Fuentes, 18 anos, voluntária do SIM,  que veio com sua família para os Estados Unidos com menos de um ano de idade e que não teve grande incentivo na escola para ir à faculdade.

 

“Eu queria pedir bolsas e eles me perguntavam se eu era cidadã americana e aí falavam que eu não poderia,”disse Fuentes, que nasceu em Honduras.  Eu acreditei. Ninguém me falou nada sobre ( a possibilidade de entrar pagando ) out-of state-tuition até quando cheguei ao final do meu curso.  Mas quando me deram um papel pra preencher que pedia o meu social security number e identidade, eles descobriram que eu poderia pagar o in-state-tuition.”

 

Ada disse que trabalha como voluntária nessas feiras universitárias para explicar aos estudantes imigrantes sobre as possibilidades. “Eu acho que nós damos esperanças uns aos outros,” disse Fuentes, cujo sonho é ser senadora. 

 

“Pra mim o importante é ter mais poderes pra ajudar as pessoas que precisam de representatividade,” disse. “Há um ano atrás, uma mulher do meu bairro – East Boston --  resolveu se candidatar. O nome dela é Gloribell Mota. Eu trabalhei na campanha dela. Ela não ganhou, mas abriu as portas como inspiração pra mim.”

No website do SIM, que quer a participação de mais estudantes, uma frase chama a atenção: Organizing is providing people with the opportunity to become aware of their own capabilities and potential." Fred Ross Sr., 1989 (Organizar é dar às pessoas a oportunidade de tomarem consciência de suas próprias habilidades e potencial.)

Como organizador-lider do SIM, Saavedra vai adiante incentivando outros, sempre com confiança.“Todas as pessoas têm chance, se eles quiserem lutar por ela,”  disse.

 

Para maiores informações e para participar, cheque o site do SIM: http://www.simforus.com

Fonte: (ANBT - Agência de Notícias Brazilian Times)