Publicado em 31/10/2008 as 12:00am

Lemos é condenado a 40 anos de prisão

Criciumense é condenado por colocar bomba no carro de mineiro em 2005

 

Eduardo A. de Oliveira*

WOBURN – O brasileiro Joel Lemos foi condenado a 40 anos de prisão por ter plantado uma bomba no porta-malas do carro do mineiro José Fernandes do Carmo em 2005.

Na semana passada, 12 durados da Corte Superior de Woburn considerou o criciumense culpado por oito crimes, entre eles o de uso de arma letal com intuito de matar. Caso tenha bom comportamento na cadeia, a sentença de Lemos pode ser reduzida há 36 anos.

O crime aconteceu durante o feriado de Ação de Graças nos EUA. A bomba considerada “sofisticada” pelos policiais explodiu no porta-malas do Honda Civic de Carmo, que tentava alcançar uma caixa. Com o impacto da bomba, as chamas no corpo de Carmo incendiaram o duplex onde ele morava em Somerville, colocando em risco a vida de 12 pessoas, incluindo duas crianças. Com queimaduras de primeiro e segundo graus, Carmo passou 37 dias em coma, foi submetido por 10 cirurgias plásticas corretivas do rosto e perdeu as pálpebras dos dois olhos.

Emocionado, Carmo disse “que agora sim eu posso comemorar”.

No seu depoimento final, lido por Ellis antes do anúncio da sentença, Carmo disse que “sua vida virou um pesadelo, sua mãe tem insônia no Brasil, que ele não consegue confiar mais em ninguém e que não se sente seguro nem nos EUA, nem no Brasil.

“Joel não deve ter o direito a retornar ao convívio social porque ele é um perigo para a sociedade,” disse Carmo em texto escrito.

O caso foi investigado pela Polícia de Somerville como crime passional. A americana Cheri Ellis começou a namorar Carmo, que nos EUA usava o nome de Fernando Araújo, quatro meses depois de terminar o relacionamento com Lemos.

Ontem, Ellis também leu seu próprio “testemunho de impacto” antes do anúncio da sentença.

“O pânico e a paranóia tomaram conta do meu ser. Passei a dormir com o rádio da polícia na cabeceira da cama. Ele (Lemos) entrou a minha casa, os EUA, e perturbou a vida de toda a minha família,” disse ela.

O promotor do estado, Thomas O’Reilly disse que se “não fosse pela proximidade do local do incidente a um hospital, e pela imensa vontade de Carmo de viver, estaríamos aqui julgando um assassinato doloso”, disse.

O’Reilly recomendou que o juiz impusesse a sentença de 36 anos, “para que Carmo possa restabelecer a sua vida em paz.”

O advogado de defesa Robert Normandin disse que, para casos de ataque com explosivos, a lei de Massachusetts recomenda de 16 a 90 meses de reclusão. Normandim disse que “não há dúvida que o caso foi uma tragédia, mas Lemos mantém a sua inocência”. O advogado alegou que Lemos tem ainda a responsabilidade por um filho de 11 anos, o qual ele não vê há três anos.

“Pelo bem de Lemos, sua família e seu filho, peço ao Estado que o condene a 8 a 10 anos de prisão com direito a deportação após a sentença,” disse Normandin.

Mas Joel Lemos pegou 20 anos pelo crime de “uso de arma letal com intenção de matar”, e mais 20 anos por ter causado “caos com intenção de desfigurar uma ou mais vítimas.” Caso tenha bom comportamento na prisão, as duas penas podem ser reduzidas para 18 anos cada.

O juiz explicou ainda que Joel Lemos está proibido “a fazer qualquer contato direito ou indireto com a vítima, seus amigos e familiares.” Caso o criciumense viole esta determinação judicial ele pode ter a sua sentença ampliada.

Após a sentença, Dina Lima, irmã de Lemos, disse “a verdade não prevaleceu neste julgamento”.

“Meu irmão nunca foi da Marinha e nem foi eletricista,” disse ela, que completou:

“Era só eles terem feito um exame encefalograma no Joel e veriam que ele não teria condições de construir aquela bomba.”

Na semana passada, Lima, que é cidadã americana há 14 anos, deu entrevista dizendo que se o irmão fosse condenado ela devolveria o seu passaporte às autoridades americanas. Quando questionada se deixaria o país, ela disse:

“Você vai pagar a passagem para eu voltar para o Brasil? Agora, com vergonha do que este país está fazendo com o meu irmão, como é que eu posso voltar,” desabafou Dina Lima.

Carmo deixou um recado para as autoridades no Brasil:

“Aos políticos que apoiaram a família de Lemos só quero dizer o seguinte: vocês esqueceram que eu tenho família também.”

* Eduardo A. de Oliveira é repórter de saúde da Universidade de Massachusetts. Ele escreve para o New England Ethnic Newswire (www.ethnicnewz.org)

Fonte: (EthnicNewz.org)