Publicado em 4/11/2008 as 12:00am

Rondoniense é condenado à prisão perpétua nos EUA

Ele estava sendo acusado de matar a esposa e o enteado à materladas e foi condenado à prisão perpétua, por cada crime

Por Luciano Sodré

 

O capixaba, erradicado rondoniense, Jeremias Bins, 32, foi considerado culpado pelo duplo assassinato, em primeiro grau, da esposa Carla e o enteado Caíque de Souza. O crime aconteceu na cidade de Framingham, em Massachusetts, dia 20 de maio de 2006 e ontem, terça-feira (04) saiu a condenação. Ele foi sentenciado à uma prisão perpétua por cada crime que cometeu. O julgamento estava sendo realizado na Côrte de Woburn, no mesmo estado.

Jeremias nasceu no Espírito Santo, mas aos seis anos de idade se mudou para Rondônia, sendo levado pelos pais, fixando residência na cidade de Santa Luzia D´Oeste. Ele ajudava a família em um pequeno sítio quando, no ano de 2003, resolveu aventurar-se nos Estados Unidos, onde começou a trabalhar como carpinteiro.

Pela gravidade do crime, a condenação de Jeremias era esperada, “mas poucos pensavam que a decisão do juri seria tão pesada”, comenta o vendedor Juliano Pedrosa. “Todos pensávamos que ele seria condenado a, no máximo, 40 anos por cada crime e não perpétua”, ressalta. Jeremias bateu com um martelo na cabeça de sua esposa e de seu enteado, levando-os à morte. Com a decisão da Justiça norte-americana, ele não sairá mais da cadeia.

Mesmo a defesa alegando que irá recorrer da pena, é pouco provável que a situação mude e tampouco haja alguma extradição para o Brasil. Ele terá que cumprir pena nos Estados Unidos.

Juliano, assim como outros brasileiros, ficou revoltado pela brutalidade com que foi cometido o assassinato. Quando a Côrte anunciou a pena, o Jeremias ficou transtornado, mas algumas pessoas vibraram com a decisão, haja vista o tamanho da indignação de todos, perante o crime.

Após o fechamento dos depoimentos, o júri foi dividido entre seis homens e seis mulheres. Eles deliberaram ontem, durante cerca de três horas, antes de tomarem a decisão.

Antes do término das audiências, o juiz John Howard Lu negou o pedido do que o júri fosse autorizado a considerar homicídio culposo como uma opção, o que poderia resultar em no máximo 20 anos de prisão por cada crime.

Na ocasião do crime, Jeremias foi, espontaneamente, ao departamento de polícia da cidade, entregou-se e assumiu o crime. Mas depois que o julgamento iniciou, ele negou tudo e a defesa alegava que o documento de confissão não fôra bem traduzido.

A família de Bins, ficou sabendo da decisão, ainda no mesmo dia, informada por telefone. Transtornada, a mãe do brasileiro, Neucira Neimer Bins, disse que seu filho “sempre apresentou crises nervosas, desde pequeno, e sabia que isso o traria problemas no futuro”. O que ela não contava era com o resultado do julgamento. “Como mãe, estava esperando meu filho. Pensei que ele fosse ser condenado a alguns anos de cadeia e que pudesse cumprir pena aqui no Brasil”, se emociona.

Os familiares não sabem o que fazer, mas alguns mais próximos tentarão o visto para visitar o filho. O medo de Tereza Bins, irmã de Jeremias, é que a crise nervosa piore após esta condenação. “Tenho receio de que ele entre em depressão e aqui no Brasil nós poderíamos ajudá-lo, mesmo que na cadeia”, salienta. “Meu irmão pode morrer ou se matar”, teme.

Já para o paí de Caíque, Antônio Souza Júnior, esta alegação de crise nervosa e de que o rondoniense é doente, não passa de tentativas para amenizar o crime. “Se ele fosse doente mesmo, deveria ter matado seu próprio filho, que também estava no local do homicídio”, fala.

Júnior disse que desde o começou mobilizou a comunidade para sensibilizar as autoridades no sentido de não transferir Jeremias para o Brasil. “Eu sempre confiei na justiça norte-americana”, complementa.

Fonte: (ANBT - Agência de Notícias Brazilian Times)