Publicado em 13/11/2008 as 12:00am

EXCLUSIVO - Mãe relata como foi o resgate das filhas no Brasil

"Queríamos o momento certo para atacar, dar o bote", afirma Roberta Lima, que já está nos EUA, com as filhas


Por Marcelo Zicker


Poucos dias após resgatar as filhas, no Brasil, de um sequestro realizado pelo ex-marido e pai das crianças, Clóvis Depianti, a cearense Roberta Lima desembarcou nos Estados Unidos, na tarde dessa quarta-feira (12), no Aeroporto Internacional de Logan, em Boston, Massachusetts. Ela estava acompanhada das filhas Domminique e Pietra Depianti.

Uma recepção calorosa, que unia boa parte da imprensa norte-americana e pessoas sensibilizadas pelo caso, esperava por mãe e filhas, no saguão do terminal. Após entrevistas e depoimentos, elas seguiram para casa, em Dover, New Hampshire.

O Brazilian Times conseguiu contactar Roberta na manhã dessa quinta-feira (13), a qual revelou, com exclusividade, passo-a-passo como foi efetuado o resgate de suas filhas.

 

Determinação e paciência

Após quase 3 meses do sequestro e carente de notícias e respostas por parte da polícia norte-americana, Roberta Lima resolveu partir para Vitória, no Espírito Santo, 10 dias antes do resgate acontecer. Assim que chegou ao Brasil, ela contratou quatro investigadores particulares para mapear cada passo de Clóvis com as filhas. “Eu só tomei essa decisão porque estava demorando muito, estava desesperada e então resolvi agir por conta própria”, afirma.

Ela porém, frisa que a paciência foi determinante para a resolução satisfatória do caso. “Eu não me afobei. Já tinha indícios de onde ele poderia estar, e agi com cautela. Para a emissão do mandado de busca e apreensão, eu teria que fornecer dados concretos a respeito. A decisão foi a mais sensata a ser tomada”, conta Roberta, que revezava o trabalho de vigiar o ex-marido com os investigadores. “Eu fazia este trabalho durante a noite, enquanto de dia, os investigadores agiam”, explica.

 

O dia ‘D’

“Queríamos ter certeza do momento certo para agir. Judicialmente estava tudo correto, só precisava confirmar o endereço para que a polícia brasileira pudesse agir e trazer minhas filhas de volta aos meus braços”, revela Roberta, que na véspera do ocorrido recebeu um telefonema de um dos investigadores, confirmando o endereço de Clóvis, a casa de sua irmã. O contato fez Roberta tomar a decisão de reaver as filhas no dia seguinte. “A polícia militar do Brasil já estava empenhada de procurá-lo em todas as possíveis localidades que ele estivesse. Com essa confirmação, eles armaram uma ação especial, que garantiu o resgate seguro das minhas filhas” explica. Ao contrário do que foi falado inicialmente, não houve arrombamento e toda a operação ocorreu muito rapidamente e sem a resistência de Clóvis. “Eles bateram na porta, a irmã dele atendeu e os policiais informaram que aquilo se tratava de um ordem da justiça para devolver as meninas. Não teve confusão alguma, felizmente tudo deu certo” completa a cearense, que chegou a reportar o caso à agência HAI, que intermedia crimes que envolvam dois países. Ela notificou Clóvis, que ignorou depor sobre a acusação, fato que legitimou a ordem da justiça.

 
 

O reencontro  

 

Logo após adentrar a residência onde se encontravam Clóvis e as filhas, Roberta correu para os braços de Domminique e Pietra Depianti que, aos prantos, gritavam que ‘já sabiam que a mãe iria voltar para pegá-las’. “Foi um momento muito emocionante na minha vida. Esses meses sem a presença delas foram horríveis, sempre que eu chegava em casa após o trabalho e via aquela casa vazia, me dava uma tristeza, um vazio muito grande. Faço tudo por elas, elas são a razão da minha vida” desabafa. Segundo Roberta, as filhas já entendem tudo o que aconteceu, e não estão revoltadas com o pai. “Elas dizem não querer mais ver ele, estão chateadas com o pai e emocionalmente muito abaladas. O Clóvis sabe que ele usou as minhas filhas para me atingir. Ele não fez isso por elas. Fez isso somente para me machucar” afirma.

 

Desdobramentos

 

Como não resistiu ao resgate de Domminique e Pietra, Clóvis Depianti irá responder a dois processos em liberdade, ambos sob jurisdição norte-americana. Um relativo à falsificação ideológica e outro por intervir na custódia das crianças.  Ele alterou a autenticidade de documentos para legitimar a saída do país, sem a autorização de Roberta. “Nunca tive medo dele. Ele vai pagar pelo que fez, com certeza. Espero que Deus possa tomar conta dele e fazê-lo perceber a gravidade do ato que cometeu” afirma. No Brasil, a atitude não é considerada crime, portanto Clóvis responderá somente pela justiça americana.  

Fonte: (ANBT - Agência de Notícias Brazilian Times)