Publicado em 25/11/2008 as 12:00am

Brasileiro que viveu nos EUA relata catástrofe vivida em Santa Catarina

O designer gráfico, Marcelo Rodrigues, esteve em contato com a redação do jornal Brazilian Times e contou o que está vivenciando nestes dias, na cidade de Criciúma, em Santa Catarina

Por Luciano Sodré

 

O designer gráfico, Marcelo Rodrigues, esteve em contato com a redação do jornal Brazilian Times e contou o que está vivenciando nestes dias, na cidade de Criciúma, em Santa Catarina. Ele viveu nos Estados Unidos durante três anos e retornou ao Brasil em 2002, quando começou a trabalhar como diretor de marketing de uma empresa de cerâmica.

Ele disse que, apesar de sua cidade não estar entre as que estão em estado de emergência, as consequências estão sendo sentidas de maneira direta. A primeira lembrança de Marcelo, durante a entrevista, é que “no sábado (22), mais da metade de Criciúma ficou sem energia e uma viagem até a cidade vizinha de Tubarão durou mais de três horas”. Este percurso, ele fazia em no máximo de 40 minutos.

Lamentando a situação vivada por seus conterrâneos, Marcelo disse que ficou chocado quando percebeu que a BR 101 “praticamente desapareceu. Havia muitos buracos em toda a extensão da rodovia”. A visão que ele teve “parecia como as cenas dos filmes “Guerra dos Mundos” e “O Dia depois de amanhã”.  Carros parados por toda a extensão da BR, pessoas desesperadas e assustadas, sem saber o que fazer.

Diversas cidades já estão sem energia elétrica, água potável, telefone e alguns bancos ficaram com dificuldades de operar, devido ao rompimento da fibra óptica que fornece acesso à Internet.

O que mais o deixou triste foi a notícia da cheia do Rio Sangão, muito conhecido pelos catarinenses que moram nos Estados Unidos. “Muitas famílias perderam tudo que tinha, pois as águas levaram os barracos e os poucos móveis”, se emociona. “Milhares de pessoas estão desabrigadas e precisam de ajuda”, acrescenta.

Algumas cidades estão semi-isoladas, devido não haver acesso por terra, em virtude dos buracos que invadiram as entradas. Mas uma das preocupações foi o rompimento do gasoduto que abastece a região de Florianópolis (capital do estado). O abastecimento foi cortado e não há previsão de quando a situação volte ao normal.

Marcelo disse que nunca havia prensenciado nada semelhante e que, tudo parece “o fim do mundo”. A visão de carros tombados, ruas esburacadas, plantações que dapareceram, mercados sendo saqueados e pessoas mortas, deixou o brasileiro estarrecido.

Uma grande campanha está se mobilizou no sentido de unir bombeiros, policiais, a defesa civil e membros da comunidade para ajudar na recuperação das regiões de Blumenau e Santa Catarina.

Até o fechamento desta edição, a Defesa Civil do estado havia registrado 79 mortes e oito municípios isolados. Mais de um 1,5 milhão de pessoas foram afetadas e 54.039 estão desabrigadas e desalojadas, sendo 22.952 desabrigadas e 31.087 desalojadas. Pelo menos 30 pessoas estão desaparecidas e mais de 100 mil pontos sem energia elétrica.

Oito municípios estão isolados, cinco cidades decretaram estado de calamidade pública e sete estão em estado de emergência. Mesmo não constando na lista da Defesa Civil, o prefeito de Blumenau, João Paulo Kleinübing (DEM), disse que também decretou estado de calamidade pública em sua região.

 

INVESTIMENTOS

Muitos catarinenses que moram nos Estados Unidos estão preocupados com o futuro do estado, pois maioria possuem investimentos na região. Somente em Itajaí, onde 90% de toda a extensão havia sido inundada (até ontem às 13 horas), 15 mil pessoas estão desabrigadas ou desalojadas. Luis Felipe de Castro, 25, mora na cidade de Framingham, em Massachusetts, e tem seus parentes nesta cidade, disse que não perdeu nada do seu investimento e tampouco teve mortes em sua família. Mesmo assim ele se mostra preocupado, pois a tragédia ainda não acabou.

Ele disse que sua família reside no Fazenda, único bairro que ainda não foi afetado pelas enchentes. “Tenho medo da água chegar a atingir a casa de minha mãe”, fala temeroso.

Felipe, que trabalha na área de construção civil na região do Metrowest, disse que não está preocupado com o que investiu na cidade e sim com o que pode acontecer com seus parentes. “Não consigo me comunicar com eles e isso é que está me deixando mais preocupado”, finaliza.

Fonte: (http://avozdoimigrante.wordpress.com)