Publicado em 5/12/2008 as 12:00am

Brasileiros buscam asilo político nos EUA

Eles foram vítimas de acidente de barco na costa de Miami e agora tentam revogar a deportação

Ross & Associates, equipe de advogados de imigração que representa clientes em todo o país, inclusive em Miami e Orlando, na Flórida, acaba de anunciar que aceitou representar o caso de dois brasileiros em seus pedidos de asilo político e revogação de suas deportações.

Os dois foram vítimas de um acidente de barco próximo à costa da Flórida e viajavam com 40 imigrantes oriundos do Brasil, da República Dominicana e de Honduras. Três pessoas morreram afogadas.

Daniel Padilha e Jaime Miranda chegaram aos EUA no último 31 de outubro, após o barco enferrujado e velho no qual viajavam, bater num banco de areia. Os dois se atiraram ao mar e um deles, Daniel, que não sabe nadar, foi ajudado pelo amigo Jaime. Eles vieram do Brasil através da República Dominicana, de onde viajaram num barco superlotado, que ficou à deriva e perdido em alto mar por sete dias. Não havia comida e água suficiente a bordo.

Daniel comentou com seu advogado que “quase morreram de fome”. Eles sobreviveram com um pouco da água que alguns passageiros compraram e colocaram no barco, antes de saírem da República Dominicana.

“Ficamos acordados 36 horas antes do acidente e o clima no barco era de nervosismo e estresse, pois sabíamos que estavamos perdidos no mar”, disse Jaime Miranda ao advogado. “Quando dei por mim,  José Carlos, de 39 anos, tinha desaparecido. Ele morreu afogado na escuridão daquela madrugada”.

 

Havia uma mulher brasileira a bordo

O barco afundou após bater num banco de areia, virou e jogou todos os passageiros na baía. Muitos dos passageiros não sabiam nadar e não haviam coletes salva-vidas suficientes.  Diversos passageiros ficaram com água até ao pescoço no banco de areia até que a maré subiu e os levou para águas mais profundas. Se não fosse o Jaime Miranda ajudá-lo, Daniel também teria morrido.

O capitão abandonou o barco. Por alguns minutos, Daniel esteve para se afogar, mas Jaime conseguiu, por sorte, alcançar um colete que estava boiando perto do barco, que por sua vez, estava em parte preso ao banco de areia. Ele teve que ser hospitalizado após o acidente.

O Serviço de Imigração informou aos brasileiros, já no hospital, que o José Carlos havia morrido. Os dois sobreviventes tiveram que prestar depoimento como testemunhas do acidente. Após cooperarem com as investigações, os dois agora aguardam uma decisão em seus pedidos de asilo e remoção da ordem de deportação.

Jeff Ross, o advogado que aceitou lutar pela causa dos brasileiros, comentou à equipe da ANBT: “Jaime Miranda mostrou bastante coragem, arriscando sua vida para salvar a vida de seu amigo. Daniel ficou dependendo de ajuda, desde o momento do salvamento até sair do hospital”. 

 

Orientação sexual e violência causaram perseguição no Brasil

Os dois homens escaparam do local, mas deixaram para trás o sentimento de horror ao notarem que outras pessoas morreram no acidente ao tentarem colocar os pés nos Estados Unidos. O efeito psicológico por terem testemunhado essa terrível tragédia é enorme e os advogados estão se assegurando que eles recebam a assistência médica e psicológica necessária no país. 

Daniel Padilha foi perseguido no Brasil por causa de sua escolha sexual e achou que uma forma de escapar deste tipo de perseguição era vindo para os EUA, afim de recomeçar sua vida numa atmosfera mais diversificada e tolerante.

Ele suportou muita humilhação no Brasil desde bem jovem, por causa da violência que existia em sua própria casa e em seu bairro. O seu pai o agredia fìsicamente desde que tinha 9 anos de idade e batia nele de cinturão. Como se sabe, no Brasil a polícia local nada faz nesses casos.

Ele foi expulso de casa e antes de completar 18 anos,  já tinha apanhado muito, foi rejeitado e ameaçado por irmãos e vizinhos.  Entre os 18 e 24 anos de idade, ele foi obrigado a passar fome. Só comia o que conseguia trazer da igreja escondido dos pais.

 

Advogados são especializados no assunto

Com medo da sua segurança pessoal no Brasil, Daniel Padilha saiu de casa no dia 27 de julho de 2008 e chegou aos Estados Unidos no fatídico, fedorento, escangalhado e enferrujado barco que afundou na baía de Miami.

No Brasil, por várias vezes tinha ficado inconsciente quando seu pai o agredia com um pedaço de pau na frente dos próprios conhecidos da família.

Jaime Miranda, o outro brasileiro, perdeu o pai numa disputa de gangs. Até hoje, sua familia é ameaçada regularmente pelos membros da quadrilha. Ele lutou bastante para salvar o maior número de passageiros antes da chegada da Guarda Costeira.

Mesmo depois de chegar à praia, ele nadou de volta para ajudar outros passageiros em dificuldade e mesmo assim, presenciou a morte por afogamento dos passageiros. Ele está buscando se cuidar nos Estados Unidos para se equilibrar da ansiedade e depressão que tem sentido após a tragédia.

Familiares dos dois brasileiros, que moram em Massachusetts, contrataram a Ross & Associates para representá-los no caso. Ross & Associates trabalha com clientes do mundo inteiro, incluindo empresas, profissionais e trabalhadores qualificados. É um escritório especializado em Direitos Humanos e Imigração. Para maiores informações sobre a firma, liguem para Jeff Ross, Esq, no (617) 338-0733.

Fonte: (Da redação)