Publicado em 8/12/2008 as 12:00am

Diretora da Polícia de Imigração em Boston é presa

Ela é acusada de contratar uma brasileira indocumentada para limpar seu apartamento

Uma oficial responsável em manter os portos de entrada do estado de Massachusetts livres de imigrantes ilegais e do tráfico de drogas, foi presa na sexta (5), acusada de ter contratado uma mulher indocumentada para limpar seu apartamento de Salem, MA.

Lorraine Henderson, a diretora da Divisão e Proteção da Alfândega e Fronteira (Customs and Border Protection), setor ligado ao temido Departamento de “Homeland Security”, foi presa em casa por volta das 8 horas, depois de oito meses de investigação secreta. Uma faxineira que trabalhava para ela foi “grampeada”, utilizando um microfone escondido durante algum tempo.

Os promotores federais afirmaram que Lorraine – que supervisiona 190 oficiais que fiscalizam as alfândegas de Rhode Island, Connecticut e Massachusetts – tornou-se alvo, depois de ignorar o alerta de uma colega de trabalho, tendo contratado uma brasileira (imigrante ilegal) para limpar sua casa.

 

Como diretora, Lorraine Henderson supervisiona a inspeção de admissão de estrangeiros em locais como o Aeroporto Logan International, o T.F. Green International Airport em Rhode Island, e o Bradley International Airport em Connecticut.  Ela também tem o poder de permitir ou negar deferimentos de imigrantes ilegais tentando entrar no país. 

O Promotor Michael J. Sullivam disse em seu depoimento que “é inconcebível que um empregado da Imigração viole as mesmas leis as quais deve aplicar”.

Parecendo muito cansada, depois de passar seis horas na custódia, Lorraine, de 51 anos, vestindo um calça jeans e um suéter marrom, apresentou-se ao Juiz Robert Collings no sábado, 6,  para prestar esclarecimentos sobre a acusação de encorajar um imigrante ilegal a permanecer nos EUA.

Ela foi solta, depois de pagar uma fiança de $25 mil dólares, mas não falou muito na corte e não quis dar nenhuma declaração aos repórteres. Um advogado do governo, Oscar Cruz, a representou na corte.

Os promotores caracterizaram o caso como um exemplo extraordinário de hipocrisia por parte de um oficial de imigração. Entretanto, alguns defensores da reforma imigratória ilustraram a situação, comentando a natureza ambígua do frágil sistema e a quase impossibilidade de cidadãos americanos evitarem contratar ou fazer negócios com trabalhadores indocumentados.

 

"Estima-se que existam 12 milhões de trabalhadores indocumentados nos Estados Unidos e se uma pessoa compra roupas, compra um carro ou se alimenta em algum restaurante, na prática, estará dando apoio ao imigrante ilegal”, disse Fausto da Rocha, do CIB de Allston, MA.

Ali Noorani, diretor executivo do Forum Nacional de Imigração em Washington, DC, expressou certa simpatia pela diretora. Ele afirmou: “Enquanto o que Lorraine fez não se enquadra exatamente na tarefa que teria que executar, ela está obviamente mostrando compaixão por uma pessoa que conhece. Essa é a trágica ironia do nosso sistema de imigração”. Se for julgada culpada, ela pode pegar 10 anos de prisão e ainda pagar $250 mil dólares de multas.

Christina DiIorio-Sterling, porta-voz do promotor Michael Sullivan, não soube dizer com que frequência se acusam pessoas que empregam imigrantes ilegais para limpar suas casas. De acordo com os documentos da corte, Lorraine Henderson empregava uma mulher brasileira desde 2004. A faxineira recebia um salário de $75 dólares em cash pelo dia de trabalho.

Lorraine chegou a recomendar os seus serviços a uma colega de trabalho, afirmando que era pessoa de confiança e excelente faxineira. A pessoa não foi identificada ainda, mas chegou a pagar à brasileira para limpar sua casa uma vez por mês.

 

Fonte: (Da redação)