Publicado em 9/12/2008 as 12:00am

Comerciantes de Framingham se juntam para não irem à falência

"Precisamos salvar os negócios brasileiros", disse Nubia Gaseta, dona de um loja de flores e que está coordenando a criação de uma associação de negociantes brasileiros em downtown Framingham.

  

Os brasileiros são respeitados como uma força especial, que trouxe vida ativa de volta ao local nos anos 80, depois que cidade ficou livre do crime e de ter inúmeras lojas e negócios fechados. Porém, a calamitosa economia atual está ameaçando sua sobrevivência. Lojas e negócios brasileiros podem, agora, também fechar.

“Precisamos salvar os negócios brasileiros”, disse Nubia Gaseta, dona de um loja de flores e que está coordenando a criação de uma associação de negociantes brasileiros em downtown Framingham. “Pela primeira vez, existe um consenso entre todos nós. Precisamos trabalhar juntos com a cidade. Não existe interesse em deixar os empresários brasileiros naufragarem”. Ela disse que 25 proprietários de lojas têm se reunido para formar a associação.

No passado, houve diversas tentativas para fundar uma organização e trabalharem com a cidade para a melhoria das condições, mas houve falhas por várias causas. Os administradores da cidade alegavam que os brasileiros não compareciam às reuniões para discutir o futuro da cidade e por outro lado, os brasileiros reclamavam que a barreira da língua os impedia de participar mais ativamente, além de desconfiança por parte dos políticos locais.

“Havia uma lacuna a ser preenchida entre os administradores da cidade e os negociantes brasileiros”, afirmou Ilma Paixão ao repórter do Metro West. Ela é uma líder comunitária bem conhecida, além de participar do laboratório de inovadores comunitários do MIT (Massachusetts Institute of Technology) . Continua Ilma em seu depoimento: “ O maior problema era a falta de um canal de comunicação entre a prefeitura local e os negócios brasileiros”. Ela está trabalhando como facilitadora entre a cidade e os empresários brasileiros.

Nubia pediu a Ilma que a ajudasse nos contatos com a prefeitura. Como parte de seu trabalho, tanto Ilma quanto seu colega do MIT, Sebastião Ferreira, prepararam um workshop para empresários brasileiros há cerca de duas semanas no Centro Cívico de Framingham. Trabalhando juntos, os negociantes brasileiros esperam influenciar a comunidade e “como um grupo, podemos fazer nossas vozes serem ouvidas” , disse Dorli Pinto, um dos proprietários da Ad2, empresa de propaganda localizada na Kendall Street. Ele concluiu: “ Devíamos ter feito isso há muito tempo atrás, mas a crise nos trouxe essa oportunidade”.

Como outros comerciantes em toda a nação americana, os brasileiros também estão sentindo a dor dessa economia em colapso. Mas o drama piora quando se dão conta que os consumidores também diminuiram, pois muitos brasileiros retornaram ao Brasil. Está na hora de atrair novos tipos de clientes, se quiserem sobreviver.

“Sempre quisemos atrair a clientela americana, mas nós confiávamos fortemente em nossos fregueses brasileiros”, disse Nubia Gaseta. "Neste momento, sabemos que temos que atrair os americanos para downtown Framingham.”

Para fazer isso, eles estão planejando aproveitar a cerimônia anual da cidade agora no dia 12 de Dezembro, quando se acendem as luzes da árvore de Natal, um evento que atrai mais de 1500 pessoas, para promover seus negócios. Os lojistas estão preparando catálogos e flyers, em Inglês e Português com todas as informações dos negócios brasileiros. E também vão contratar Papais-Noéis bilingues para visitar todas as lojas, além de trazerem estudantes bilingues da High School para dar as boas vindas aos clientes de fala inglesa. “ Queremos que venham nos conhecer de perto”, disse Nubia. “ E precisamos da ajuda de todos!”

Essa pode ser uma batalha dificil de ser conquistada. Muitos clientes americanos não se aventuram no centro da cidade, principalmente por causa dos constantes engarrafamentos, falta de estacionamento e a percepção de que a área não tem segurança. Muitos pensam, ainda, que o centro da cidade nada tem para lhes oferecer. Existe uma economia informal que atrapalha, pois muitos brasileiros vendem mercadorias de suas próprias casas, o que cria uma competição não confiável para negociantes que pagam aluguel e taxas em seus negócios.  “A economia informal cresceu terrívelmente”,  disse Nubia Gaseta. “Se eu cobro $500, eles cobram $100 e roubam compradores de nossas lojas”.

Diversos negociantes brasileiros admitem que a prefeitura poderia fazer mais e transformar downtown numa área agradável, acrescentando calçadas, iluminação e fachadas interessantes. O projeto Arcade, orçado em 60 milhões de dólares e que pode revitalizar o centro, ainda espera investidores.  Alison Steinfeld, diretor de Desenvolvimento Econômico e Comunitário de Framingham, afirmou ao repórter do Metro West que está fazendo tudo o que pode para ajudar aos negociantes brasileiros, a curto e longo prazo: "Não há muito que possamos fazer em termos imediatos, mas nosso escritório está aberto para atendê-los e a todos os negócios de downtown."

Ilma Paixão está otimista, embora ela tenha visto falhar, no passado, os esforços de cooperação entre a prefeitura e os negociantes brasileiros. “Não é somente no interesse de empresários brasileiros, mas também no interesse de toda a cidade”, ela disse. “ Se eles não tiverem algum tipo de ajuda, fecharão suas portas nos próximos quatro meses. Isso teria um efeito devastador para a cidade”.

Fonte: (metrowestdailynews - Tradução de Phydias Barbosa)