Publicado em 11/12/2008 as 12:00am

ALEXIM MOVING - Dezenas de brasileiros denunciam descaso

Num escandaloso capítulo de negligência, novas vítimas denunciam a empresa de mudança Alexim Moving por caixas que estariam retidas no estoque, algumas com quase um ano de atraso

Por Marcelo Zicker


No dia 20 de Novembro, o Brazilian Times noticiou o drama de Marcelo L., um mineiro que espera há 7 meses a chegada de uma caixa com seus pertences no Brasil. Sem receber respostas concretas da empresa responsável, Alexim Moving, e perdendo a esperança de um desfecho satisfatório do caso, Marcelo resolveu denunciar. A repercussão do fato inflou a coragem de outras pessoas lesadas pela empresa, causando uma série de novas acusações e desdobramentos do caso. A equipe de reportagem do BT teve acesso a novos depoimentos, com mais revelações e mistérios acerca do caso.


Mais vítimas

 

Com uma história similar à de Marcelo, a belo-horizontina Elaine Nifra Barbosa divide a mesma agonia de esperar por mais de 6 meses a chegada de 3 caixas enviadas pela empresa. “A caixa foi retirada no dia 30 de junho, ficou 40 dias no depósito e só depois foi enviada. Sempre que ligo, me informam que a caixa está chegando, mas que não tem previsão de chegada, não sabem quando vai chegar” afirma. Mais do que objetos de valor material, o componente emocional é o que mais aflige Eliane.  “A caixa contém muitas coisas importantes. Kits de enxoval de bebê, muitos itens de casa. Estou grávida e desempregada. E agora tenho esse prejuízo sem ter condições de trabalhar. Eu ia voltar para o Brasil logo que minha filha nascesse, mas agora não sei o que fazer” desabafa Elaine, que calcula um prejuízo de $4.000 dólares.  Prejuízo maior ainda tomou a irmã de Valéria Medeiros, que residia em Peabody. Nove meses atrás ela solicitou o envio de 7 caixas e somente 3 foram entregues até o presente momento. “ As que chegaram vieram abertas, somente com roupas, sendo que eu tinha enviado geladeira, TV de plasma. Todas as ‘coisas’ caras foram retiradas” denuncia a mineira de Teófilo Otoni – MG.

 

“Taxas Extras” e falsas justificativas

 

Em mais uma ligação para a Alexim Moving afim de saber notícias do paradeiro das suas encomendas, Valéria foi surpreendida com uma proposta de solução do caso. “ A atendente me propôs o pagamento de 95 dólares por volume para realizar a liberação das caixas. Ia dar um total de 380 dólares que não estavam previstos no contrato. Como eu estava desesperada e queria logo que as caixas chegassem, aceitei pagar e fiquei de retornar a ligação para acertar os detalhes. Porém, desde aquele dia, não consigo mais falar com ninguém lá dentro” denuncia.

 

Marco Castro, também residente de Peabody, espera suas caixas chegarem desde Março do ano passado e já perdeu as esperanças. “ Mandei coisas pra minha mãe, presentes para meu  sobrinho, que está sempre perguntando onde eles estão. Um constrangimento que eu nunca precisei ter passado” desabafa. Ele ainda  afirma acreditar que eles estão utilizando de falsas justificativas para acobertar o fato. “A Alexim Moving tem mentido afirmando que a receita federal está em greve, e que por isso o contêiner não poderia ser liberado. Até quiseram me cobrar um taxa para liberar os contêineres, um absurdo. Acho que eles não tem dinheiro suficiente para realizar as entregas e estão tentando fazer os clientes pagarem pelos erros cometidos por eles” explica Marco, há 6 anos morando nos EUA,  e natural de Muriaé, em Minas Gerais.

 



Prejudicados unidos

 

Numa tentativa de solucionar o problema, a ex-funcionária da Alexim Moving Ioná Magalhães, decidiu tomar uma atitude diante das muitas reclamações que começou a receber. “ Meus clientes sempre reclamavam da demora e o retorno da empresa que eu deveria passar para os clientes já não estava sendo bem aceito, porque a maioria das encomendas demorava mais que o dobro do tempo pra chegar, quando chegavam” afirma. A adversidade surgiu como a oportunidade para Ioná agir em favor das vítimas. Ela então contactou os seus clientes que tiveram problemas, para debater os problemas e tentar achar uma solução. “ Eu não poderia ver algo tão errado acontecendo e não agir. Mesmo fazendo parte da empresa, eu tinha  o compromisso de zelar pelo cumprimento do envio e quando a empresa continuou a negligenciar o compromisso com essas pessoas, eu decidi mudar de lado e ajudar elas a correr atrás de seus direitos” explica Ioná.

 

Ioná afirma que o estopim do escândalo se deu quando a empresa começou a sobre-taxar os clientes, afirmando que precisava de novos pagamentos para liberar os contêineres. “ A verdade é que eles não tinham dinheiro suficiente para mandar as caixas todas. Começaram então a cobrar dos clientes essa taxa a mais, utilizando-a como justificativa para o problema” opina.

 

Entre as prejudicadas, Marcele Santos, que vive em Beverly – MA, está entre as clientes de Ioná revoltadas com o acontecimento. Ela afirma ainda que sempre que entra em contato com a Alexim Moving, tem que passar por constrangimentos. “ As últimas vezes que liguei as atendentes desligaram na minha cara, enquanto eu perguntava sobre as caixas. Mesmo demonstrando certa irritação, nada justifica um tratamento desse jeito” reclama Marcele.

 

O valadarense Ângelo Coelho também foi tratado com desdém pelo atendimento da empresa. “ Após muitos contatos, eles simplesmente começaram a ignorar as minhas indagações. Eu perguntava e sempre escutava um ‘ não posso te dar essa informação’, ‘ não sou autorizada a lhe informar isso’. Isso é um desrespeito, é muita falta de consideração” reclama o mineiro que vive em Somerville.


Possível solução


 

O diretor – presidente do Centro do Imigrante Brasileiro, Fausto da Rocha, afirma ter recebido diversas reclamações nos últimos dias acerca do problema, e aconselha as pessoas a procurar os seus direitos, sendo elas legais ou ilegais no país. “O que eu tenho orientado é que  as pessoas que se sentirem prejudicadas  façam um queixa com o  Procurador Geral do Estado ( Attorney General ) no Consumer Rights Protection Department -  situado na 100, Cambridge Street em Boston - MA. Tel -  (617) 727 – 8400, que conta com atendimento em português. O serviço é gratuito. Quanto mais pessoas buscarem seus direitos, mais atenção vai ser chamada  uma profunda investigação será feita de maneira a resolver essas irregularidades e penalizar a Alexim Moving da maneira correta, contribuindo para moralizar o mercado”aconselha.

 

Fausto vai além na discussão e afirma que o problema pode estar concentrado na legitimidade do serviço. “  Eu acredito que se trata de um mercado podre. Muitas vezes as pessoas violam a lei brasileira, enviando mercadorias não permitidas, facilitando a apreensão e retenção dessas caixas” opina Fausto.

 

 

Buscando seus direitos 

 

Um dos prejudicados pela Alexim Moving, foi ao depósito da Alexim Moving situado na Washington Street em Holliston – MA, na última semana  e conseguiu documentar com fotos, dezenas de caixas estocadas e esperando para serem enviadas para o Brasil, algumas com quase um ano de atraso. O BT conseguiu identificar alguns dos números de registro.

 

 

58292

58014

54753

58391

53410

54763

58568

58652

53445

56656

58261

 

 

Aquelas pessoas que tiverem passando pelo mesmo problema podem também entrar em contato com  Clailton Junior – (617) 767 1364 ou (207) – 477 1092, que está reunindo vítimas da empresa para entrar com um procedimento judicial afim de dar uma solução ao caso.

 

Fonte: (ANBT - Agência de Notícias Brazilian Times)