Publicado em 11/12/2008 as 12:00am

Website americano entrega empresas que contratam imigrantes ilegais

Centenas de empresas do Texas e milhares em todo o país têm inspirado uma publicidade negativa na Internet, de algo que nem todas são culpadas: são acusadas de contratarem imigrantes ilegais

Por Phydias Barbosa


Centenas de empresas do Texas e milhares em todo o país têm inspirado uma publicidade negativa na Internet, de algo que nem todas são culpadas: são acusadas de contratarem imigrantes ilegais.

O site www.wehirealiens.com entrega companhias desde Pilgrim's Pride a Swift & Co., alegando que as mesmas dão trabalho aos indocumentados. Essas duas, de fato, empregaram ilegais, que foram presos em suas fábricas em operações conduzidas pelo ICE do Texas. Porém, muitas outras listadas no site seriam inocentes.

Vários empregadores acusados estão irritados com o site, que tem sua sede na Califórnia, que os acusa de terem desobedecido às leis do país. Os fundadores (do site) justificam que tiveram a idéia de lançá-lo em 2004, frustrados com a ineficiência do governo federal.

Existem aproximadamente 5000 empregadores ilegais na lista e são de quase todos os estados americanos. O site tem refletido mais uma forma na qual a tecnologia vem amplificando o debate a respeito da imigração ilegal. Centenas de sites têm sido lançados, nos últimos anos, para defender, denegrir ou para discutir o problema dos quase 12 milhões de imigrantes ilegais nos EUA.

Um dos fundadores do site em epígrafe, Jason Mrochek, afirma que deseja colocar pressão nos empregadores, porque eles são os que atraem os ilegais que, por sua vez, invadem o país. Porém, o que se nota é que ele culpa empresas sem apresentar provas. E ainda há a suspeita de que o site assume o papel de polícia, delatando as empresas diretamente aos órgãos de segurança.

Um advogado de imigração, Dan Kowalski, disse que os fundadores do site, se estivessem mesmo preocupados com segurança e com o aumento da criminalidade no país, deveriam criar locais na Internet como wespeed.com (nós andamos acima da velocidade), wedrinkandrive.com (nós bebemos e dirigimos), webeathourwivesandchildren.com (nós batemos em nossas esposas e filhos). Sites com esses conteúdos certamente colocariam o dedo na ferida de seus parentes e amigos, pois a maioria do povo americano desrespeita as leis e, em geral, fica impune.

 

As empresas reagem

A Pilgrim’s Pride Corp. aparece na lista do site, com uma foto do co-fundador da empresa, Bo Pilgrim. Num email bem específico, a empresa respondeu ao ataque, mostrando como ela se comporta frente à Imigração americana, incluindo um programa chamado E-Verify que checa a validade dos números válidos de Seguro Social. 

A Pilgrim's Pride também conduz auditoria nos formulários conhecidos com I-9s, através de uma empresa de prestação de serviços que investiga a fundo qualquer informação sobre fraude e roubo de identidade.

Diversas empresas de construção do Norte do Texas, também estão na lista do Website. Dentre elas, aparece a General Aluminum Co. O diretor do depto. de pessoal de lá, Juan Banda, disse que ficou chocado com o alcance do site e planejava contratar um advogado para colocar seus diretores na corte. Ele afirmou: “não contratamos imigrantes ilegais e trabalhamos dentro da lei”. 

Um informante anônimo fez uma declaração no Website a respeito da empresa Klaasmeyer Construction, reclamando que alguns empregados da firma não sabem falar o inglês e, portanto, são ilegais. O supervisor da empresa defendeu o processo de admissão da empresa e afirmou que é errado assumir que todo hispânico vive nos EUA ilegalmente.

Em 2006, havia 8 milhões e meio de hispânicos no Texas, de acordo com o escritório do Censo. O estado admitia que havia somente 1.7 milhão, que vinham de todos os países do mundo, de acordo com o Department of Homeland Security.

A firma La Madeleine Bakery, Cafe and Bistro, de Dallas também aparece na lista. Empregados da cadeia privada de restaurantes dizem que eles têm tentado retirar o nome da empresa do site, mas não conseguem. Por outro lado, o site não consegue provar que as denúncias sejam verdadeiras.

 

Perguntas que ficam no ar

Além do debate imigratório, o site oferece uma janela para quem quiser se manifestar livremente sobre questões e regras dessa mídia que se transforma rapidamente e é empurrada por uma tecnologia que se movimenta com a rapidez da luz. De acordo com o Communications Decency Act, Lei de Decência nas Comunicações, se você possui um Website e alguém de fora do seu site escreve algo difamatório, você, o dono do site, não é responsável por isso,

Muitos outros advogados concordam com essa observação, mas também afirmam que as leis são passivas de interpretação. O mensageiro da noticia, nesse caso, o host do Website, não pode ter imunidade de 100%. Quando um site somente divulga e publica o conteúdo, fica imune a problemas. Se edita ou altera, a situação é outra e precisa ser combatida.

Fonte: (ANBT - Agência de Notícias Brazilian Times)