Publicado em 15/12/2008 as 12:00am

Brasileira recebe $1,2 milhões de indenização

O valor pago é referente à morte de seu marido, Valdecir Rodrigues, durante o trabalho

Por Marcelo Zicker

 

A viúva de um trabalhador esmagado por 2500 quilos de granito em Marlborough, há três anos, recebe indenização de  $1.2 milhões pela morte do marido.

Em uma longa batalha judicial, a brasileira Elisabete Rodrigues foi autorizada a receber $1.2 milhões de dólares como indenização pela morte do marido,  Valdecir Rodrigues, em um desabamento de granito no dia 3 de Outubro de 2005.  Para chegar ao acerto, os advogados que representam Elisabete foram capazes de provar que a empresa na qual o brasileiro trabalhava,  havia falhado em seguir as normas de segurança, o que levou à morte de Valdecir.

Como parte do acordo, os advogados assinaram um trato de confidencialidade pelo qual o nome da empresa não poderá ser divulgado.

Na época da sua morte, Valdecir estava trabalhando há duas semanas para a ASI Industries LLC, em Marlborough. Um especialista de segurança foi contratado para treinar e supervisionar os trabalhadores da ASI, mas como não foi pago corretamente, o serviço não foi feito.

Ambas as empresas saíram dos negócios meses após a morte de Valdecir. O acordo foi alcançado com a Atlantic Stone Industries, companhia de seguros, no final de setembro.


Decisão da justiça

Os advogados Michael Foglia e Matthew McCue disseram que, embora nenhuma quantia de dinheiro possa substituir a perda de Valdecir , ela vai ajudar a sua viúva e seus dois filhos, Guilherme, 12, e Eduardo, 3 a recomeçar. Elisabete Rodrigues não foi achada para comentar o caso.

O acordo não foi facilmente definido, disseram os advogados. O principal desafio foi encontrar a falha de suporte da empresa.  "O primeiro desafio foi encontrar as empresas que foram responsáveis pelo morte de Valdecir ", disse Foglia.  "A segunda coisa foi descobrir como tudo aconteceu, se foi um acidente ou apenas azar,  devido à falta de regulamentação de segurança", disse McCue.

Segundo relatório, a ASI  não teria manuais de formação, reuniões de para discutir a prevenção de acidentes, mecanismos para garantir a segurança dos procedimentos que foram seguidos, e nenhum teste para garantir que os trabalhadores estão cientes dos requisitos de cautela para realizar os trabalhos. Antes da morte do brasileiro, a ASI havia sido citada pela Administração de Saúde e Segurança Ocupacional por diversas violações de segurança.

A ASI foi multada em mais de US $ 55,000 depois de uma minuciosa investigação, onde indentificaram 15 graves violações de segurança e saúde laboral, incluindo armazenamento impróprio de lajes de granito e a inadequada formação dos trabalhadores para tratar e mover o equipamento.

O acidente

No dia do incidente, enquanto segurava uma laje de granito que se situava no final de outras cinco, um guidaste caiu sobre a laje, fazendo-a cair sobre o brasileiro. " Várias lajes de granito cairam em cima dele. Por alguns minutos, tentou se desvincilhar, mas  teve os pulsos fraturados para trás. O peso esmagou o seu peito", disse Foglia ao jornal Metro West Daily News. No acidente, Edson Alves,  de Framingham, também se lesionou, mas com saiu com vida.

O advogado disse acreditar que o acidente poderia ter sido evitado se tivesse feita uma vistoria  de segurança no local. "Nenhum ser humano deveria tratar com com cuidado lajes de granito", disse McCue. "Ele deveria ter sido treinado, mas a companhia não conseguiu treinar seus trabalhadores".

Foglia disse que casos como os de Valdecir estão se tornando mais comuns. “ Uma grande porcentagem de imigrantes que trabalham em empregos com certa periculosidade, sem treinamento ou equipamento necessário, não compreendem os seus direitos” disse ele.

"Temos encontrado muitos imigrantes que são vítimas de acidentes infelizes como esse” continua Foglia. "Eles estão sendo intimidados, e muitos têm receio de perguntar a seus empregadores por melhores condições de trabalho."

Fonte: (MetroWestDailyNews)