Publicado em 4/01/2009 as 12:00am

4 jovens fazem caminhada pelos Imigrantes

No dia de ano novo, quatro estudantes do Miami Dade College (MDC), reuniram-se embaixo da Torre da Liberdade, no centro de Miami, para começar a viagem de 2400 quilômetros até à capital do país.

   

No dia de ano novo, quatro estudantes do Miami Dade College (MDC), reuniram-se embaixo da Torre da Liberdade, no centro de Miami, para começar a viagem de 2400 quilômetros até à capital do país.

Os estudantes, imigrantes indocumentados, que vieram para a América ainda crianças, esperam ter uma audiência com a toda poderosa Janet Napolitano, Secretária do Departamento de Segurança Territorial, quando chegarem, em maio, a Washington.

"Estamos fazendo uma viagem de 1.500 milhas para somente perguntar o que é justo\'\', disse Carlos Roa, 23, que veio da Venezuela. “Precisamos de uma reforma da imigração que seja, antes de tudo, humana.\'\'

 

Párocos aderem ao movimento

 

Também na mesma sexta-feira, 1 de janeiro, quatro paroquianos da Igreja de St. Anne, em Orange, começaram uma greve de fome por tempo indeterminado para interromper a política de imigração que divide as famílias.

Espera-se que seis outras pessoas se juntem à greve de fome ainda esta semana. "Temos de fazer alguma coisa, não podemos ficar parados observando\'\', disse Jenny, mãe de quatro jovens hondurenhos.

A reforma da imigração continua a ser um tema quente em todo o país

Em Washington, os legisladores têm proposto repetidamente uma lei conhecida como Dream Act, que daria a residência legal permanente aos filhos dos imigrantes ilegais, quando estiverem na faculdade ou servindo nas forças armadas. Segundo o atual projeto de lei, estima-se que cerca de 65.000 jovens imigrantes podem se qualificar para a residência legal.

 

No entanto, legislações semelhantes têm mofado por anos no Congresso, por culpa da forte oposição dos defensores do controle de imigração. Eles argumentam que tais ações são incentivos à imigração ilegal.

 

Entretanto, a situação poderia ser diferente agora em 2010, porque alguns dos mais ferozes opositores, acreditam que a lei Dream Act deveria ser aprovada, como parte de uma negociação, para evitar a anistia a mais de 12 milhões de imigrantes ilegais que vivem no país.

 

Para Gaby Pacheco, estudante do Miami Dade College, que tinha apenas sete anos quando sua família veio do Equador, a Dream Act faz sentido. "Eu quero ser residente. Eu quero ser cidadã\'\', disse Gaby, de 20 anos, que está entre os quatro alunos que fazem a viagem a Washington. "Eu quero que me vejam como qualquer outra pessoa, como ser humano\'\'.

 

 

 

Os alunos que vão a Washington reconhecem que a jornada será difícil e, talvez até, perigosa. "Nós sabemos que estamos nos arriscando,\'\' disse Felipe Matos, de 23 anos, o brasileiro da turma.  “Cruzaremos todo o Sul dos EUA.\'\'

 

“Advogados do Centro de Defesa dos Imigrantes da Flórida estarão a postos, no caso dos meninos terem dificuldades jurídicas," disse a Diretora Susana Barciela.

 

Durante a viagem, os alunos planejam compartilhar suas histórias em todos os lugares por onde passarem. “Aceitaremos almoçar e jantar com quem se decida a nos escutar", disse Gaby Pacheco.

 

Na sexta-feira, 1 de janeiro de 2010, o grupo recebeu uma emocionante despedida de amigos e familiares. Por volta do meio-dia, amarraram seus tênis, e começaram a viajar pela Biscayne Boulevard, no centro de Miami.

 

Algumas dezenas de amigos e simpatizantes os acompanharam até chegarem à saída da cidade. De lá, os estudantes continuaram a sua marcha em direção a Washington.

Fonte: (do Miami Herald, tradução de Phydias Barbosa)