Publicado em 8/01/2009 as 12:00am

Caso Alexim - Líder comunitário ataca iniciativa de encontro

Indignado, o radialista Ilton Lisboa afirma que encontro com vítimas da Alexim Moving não 'chega a lugar nenhum' e pede transparência aos representantes da comunidade

Por Marcelo Zicker


Ocorrido no sábado dia 3, o encontro promovido por duas organizações pró-imigrante, a Assistência Total Brasil e o Centro do Imigrante Brasileiro, em ajuda às vítimas do ‘Caso Alexim’, tem sofrido duras críticas por parte do radialista e ativista comunitário Ilton Lisboa. Em seu programa de rádio, o Conexão Brasil, na AM 650, ele afirma que o procedimento a ser adotado para ajudar essas pessoas passa longe do que está sendo promovido por essas organizações.

 

“Fiquei chocado com a notícia desse encontro. A meu ver, é totalmente desnecessário, não é uma medida prática e eficaz de ajudar essas pessoas. A orientação tem que ser outra, tem que agir de fato, orientá-los a procurar a polícia, e fazer uma queixa formal diretamente com o órgão policial” opina Ilton. Ele salienta que a medida é a única a ser adotada em casos como esse. “Não tem outra alternativa. Os lesados têm que procurar o departamento policial da cidade onde a caixa foi retirada e agir como a lei manda. Esses ditos ‘líderes’ estão iludindo essas pessoas, agindo tarde e inutilmente” cutuca o radialista, que completa afirmando que possui mais de 5 horas de gravação do seu programa dedicados exclusivamente a prestar orientação aos prejudicados pela empresa de mudança.

 

Falta de transparência

 

Ilton acusa os responsáveis pelo encontro de se auto-promoverem com o drama dessas pessoas e questiona se não há interesses financeiros envolvidos. “Agora, depois de muito tempo de denúncias e casos relatados, aparecem os ‘salvadores’, os ‘ heróis’. Para mim não passa de auto-promoção, eles estão usando essas pessoas para divulgarem suas respectivas organizações. Espero que realmente não estejam cobrando dinheiro dessas pessoas, que peçam nada em troca” alerta.

 

 

 

 

 

O outro lado

 

Ao saberem das críticas realizadas por Ilton, Carlos DaSilva e Fausto da Rocha responderam com cautela, pontuando o fato de a movimentação não se relacionar com interesses escusos, mas sim com o compromisso com a comunidade. “Nesse momento o certo é unir as lideranças da nossa comunidade, e não causar essas desavenças. O trabalho que realizamos é 100% voluntário e fazemos pela vontade de ajudar às pessoas” afirma Carlos. Segundo ele, a iniciativa de procurar a polícia é um procedimento que não funciona porque ‘o certo, segundo a procuradoria geral de justiça, é fazer uma reclamação formal primeiro, com a polícia agindo após o aval da mesma’. “Muitas pessoas não sabem inglês e muitas outras são indocumentadas. Isso dificulta ainda mais o contato direto com a polícia” completa o ativista. Ainda surpreso com as acusações de Ilton, ele afirma que tudo pode ser originado por ciúmes, mas que ele merece parabéns por estar prestando um belo serviço comunitário em seu programa de rádio. “Ele tem feito a parte dele. Temos que aplaudi-lo” afirma.

 

 

“Procurar a polícia não é a orientação correta”, diz Fausto da Rocha, que representa o Centro do Imigrante Brasileiro. “A minha experiência com os EUA, lidando com a lei, é que a polícia age para nos proteger, mas quem determina a aplicação dela é a justiça. A polícia não tem jurisprudência alguma sem o respaldo do poder judiciário” explica Fausto, atestando que o procedimento correto deve ser procurar um advogado e abrir um processo. “O que promovemos no encontro foi a organização dessas reclamações. Demos a oportunidade de realizarmos esse procedimento com várias vítimas, alertando e tirando dúvidas que elas possam ter” explica.

 

Para quem quiser realizar a reclamação e se informar melhor acerca dos seus direitos via internet, pode acessar o site www.mass.org/ago .

 

Fonte: (ANBT - Agência de Notícias Brazilian Times )