Publicado em 17/03/2009 as 12:00am

Brasileiro é condenado a 30 anos de prisão

Evandro Doirado foi condenado a 30 anos de prisão pelo sequestro e posterior abuso sexual de uma mulher de Framingham - Massachusetts

 

Evandro Doirado foi condenado a 30 anos de prisão pelo sequestro e posterior abuso sexual de uma mulher de Framingham, Massachusetts. Ele admitiu ter sequestrado a mulher e seu filho de 2 anos de idade, quando faziam compras de Natal num shopping. Ele também confessou que abusou sexualmente da mulher durante 3 dias, enquanto o menino assistia a tudo. Ela conseguiu fugir depois de ter alertado a um funcionário de um “liquor store” de Plymouth, ao qual pediu ajuda.

A polícia de Plymouth prendeu Doirado em 19 de Dezembro de 2005, no estacionamento do Pilgrim Sands Motel, para onde ele levou suas vítimas, ameaçando os dois com uma faca pontiaguda. Ele admitiu sua culpa em 19 considerações de utilização de força física para abuso sexual grave, 4 por utilizar uma arma para realizar seu intento, 2 por conduta indecente contra uma pessoa acima de 14 anos de idade, uma por ataque físico com arma perigosa, uma por sequestro de uma criança, ataque a mão armada com intenção de matar, assalto com arma perigosa causando graves feridas corporais, roubo de mais de $250 dólares e utilização de um veículo de terceiros sem autorização e ameaças. Ele também foi acusado de atacar um homem com a mesma faca que utilizou no sequestro, pouco antes de realizar o seu intento.

Doirado cortou a garganta do traficante que o servia de cocaína, durante uma “viagem”. Ele confessou à polícia que pensou ter matado o homem e decidiu, então, sequestrar uma mulher porque sentia que sua vida estaria no fim. Admitiu, então, que queria divertir-se com alguém antes de ser preso.

A vítima contou à polícia que Doirado ameaçou matar seu filho se ela não concordasse com ele. O menino dormiu durante algumas das investidas e, em outras, a mulher disse que enxugava suas lágrimas.

Doirado podia ter pegado prisão pepétua, mas a Juiza Carol Ball disse que a prisão perpétua poderia qualificá-lo para “parole” (soltura condicional) após somente 15 anos. Ele ficará em “probation” (observação de conduta após soltura) por 10 anos após sua liberação e ainda ficará sujeito a nova sentença de outros 25 anos caso volte a agir da mesma forma. Durante sua “probation”, Doirado estará registrado como molestador sexual e usará um monitor GPS. Ele poderia ficar preso mais tempo ainda se voltar a atacar alguém e poderá ser deportado de volta ao Brasil.

O promotor Frank Middleton recomendou uma sentença de 50 a 75 anos de prisão, mas o advogado de defesa requeriu uma sentença de 15 a 20 anos. Doirado não dirigiu a palavra à juiza ou mesmo à vítima, mas o advogado Nagle afirmou que seu cliente sente remorsos do que fez.

Evandro Doirado, que teve a ajuda de um intérprete de português, esteve todo o tempo do julgamento de cabeça baixa, enquanto o promotor descrevia seus atos de atrocidade com todos os detalhes devidos. A vítima e seu filho estavam fazendo compras para uma festa de Natal quando Doirado os sequestrou num Wal-Mart em Framingham, em 17 de Dezembro de 2005.

Ele disse à polícia tê-los escolhido porque a mulher colocava o menino distraidamente no car-seat e achou que seria fácil sequestrá-los. Pulou para dentro de seu carro e forçou-a a dirigir para uma área afastada, quando a atacou sexualmente, enquanto o filho estava no assento infantil do banco traseiro. O primeiro ataque sexual deu-se em Natick, antes que Doirado mandasse a mulher dirigir para o sul, onde pararam no Pilgrim Sands Motel de Plymouth.

A mulher contou à polícia que foi abusada por Doirado inúmeras vezes no motel. Finalmente, ela o convenceu a cobrí-la com um lençol, para evitar que seu filho presenciasse aquela cena. No dia seguinte, a mulher notou que teria uma chance de fugir, quando o brasileiro os levou ao Bradford’s Package Store no Jabez Corner. Enquanto Doirado discutia com o funcionário, a mulher fez mímica das palavras “Help Me” e “Pilgrim Sands.” O caixa do liquor, que trabalha durante o dia ajudando vítimas de violência doméstica, chamou a polícia, que estava esperando no motel quando Doirado retornou com a mulher e seu filho.

O advogado distrital Timothy Cruz louvou a incrível tenacidade com a qual a vítima sobreviveu a esse severo atentado contra sua vida. “Sua vontade de sobreviver e proteger o filho são as razões de ambos estarem vivos hoje”, ele disse. “Não existe uma sentença longa o suficiente para esse réu e para o que ele fez. Espero que a sentença de hoje possa dar a essa vítima um pouco da medida do que a justiça pode e deve fazer pela população”.

A mulher fez a leitura de um depoimento pessoal durante o julgamento. Ela disse que tem sentido muito medo toda vez que entra e sai de seu carro ou de seu apartamento. Ela também afirmou que tem tentado esquecer e tirar de suas memórias os maus momentos que passou, mantendo-se ocupada com seu filho, sua famíla, seu trabalho e igreja. Agora, entretanto,  as festas de fim de ano já não são as mesmas de antes. Ela também agradeceu a Deus em protegê-la todo o tempo e completou que seu filho lhe deu a força que necessitava para aguentar os abusos. Pediu por justiça, mas não forneceu nenhuma opinião sobre a sentença de Doirado.

“Espero que a lei  tenha a consideração necessária com esse caso. Aqui na Terra a corte tem a última palavra, mas nada termina aqui. Ele ainda terá que responder às leis de Deus”, completou a vítima.

Fonte: (Da redação)