Publicado em 23/03/2009 as 12:00am

Senador Kerry agiliza pedido de asilo para gay brasileiro

O Senador John Kerry pediu asilo ao governo Obama para um gay brasileiro, que foi forçado a voltar ao Brasil, depois que se casou com um cidadão americano em Massachusetts

O Senador John Kerry pediu asilo ao governo Obama para um gay brasileiro, que foi forçado a voltar ao Brasil, depois que se casou com um cidadão americano em Massachusetts.

Genésio Oliveira (Junior), está separado de seu marido, Tim Coco, desde agosto de 2007, depois que seu pedido de asilo e posterior apelo foram negados.

Genésio pediu asilo em 2002, dizendo que tinha sido molestado e abusado sexualmente por um médico quando adolescente, no Brasil, e tinha muito medo de perseguição por causa de suas preferências sexuais.

Numa carta enviada ao Promotor Geral Eric Holder, Kerry disse que o juiz de imigração Francis Cramer achou fundamentado e de credibilidade aceitável, o testemunho de “Junior”.  Entretanto, o juiz negou o pedido de asilo, afirmando que Genésio nunca tinha sido “fìsicamente atacado” pelo médico. O senador Kelly achou o veredito “ofensivo”. Ele disse, também, que o pedido de asilo é legítimo e foi reconhecido como tal.

Muitos juizes têm permitido parceiros estrangeiros em relações gays o direito à residência e têm autorizado uniões civis que conferem os mesmos benefícios do casamento hétero a casais gays, porém muitos segmentos da sociedade ainda permanecem hostis aos homossexuais.

Procurado pela reportagem, o Setor de Revisão da Imigração não confirma nem desmente se algum imigrante brasileiro requisitou asilo. O departamento de Justiça disse que o promotor Holder iria rever a carta e responderia ao senador Kerry, mas não teceu comentários sobre o assunto. Numa entrevista na sexta-feira, 20, John Kerry não fez nenhuma especulação sobre de que forma a administração Obama irá lidar com o pedido.

Porém, ele afirmou que : “Utilizando o bom senso, justiça e compaixão devem ser usadas para cuidar de um caso válido de pedido de asilo. Não há dúvidas de que a segurança de Junior está comprometida no Brasil. Esta é uma situação humanitária que merece um foco apropriado”, disse.

Imigrantes podem requerer residência se casarem com cidadãos  americanos, mas o governo federal não reconhece casamentos entre gays, de acordo com o Defense of Marriage Act, e o pedido de Genésio Junior para permanecer nos EUA, baseado em sua relação com Tim Coco, foi negada no mês passado.  Ele já entrou com um pedido de apelo para revisão do processo.

O casal se conheceu em 2002, quando Genésio estava aqui nos EUA de férias. Deu entrada no pedido de asilo no mesmo ano. Eles se casaram em 2005 e compraram uma casa em Haverhill, ao norte de Boston. Genésio ganhou um social security e uma carteira de motorista, começando logo seus estudos de inglês numa escola comunitária. Seu objetivo principal era entrar para a faculdade de Medicina.

Coco é dono de uma empresa de comunicações e afirma que os dois possuem muitas coisas em comum, como a casa que compraram  juntos há seis anos, além de outros bens.

Depois que perderam o apelo em 2007, Genésio teve 60 dias para deixar o país. O casal encontrou-se em Londres para comemorar o Natal e se vê frequentemente pelo Messenger. Genésio teve um visto negado para vir a Massachusetts no ano passado para o enterro da mãe de Coco. Ele agora encontra-se no Brasil e mora com a mãe, que possui uma pensão para estudantes.

“O censo do ano de 2000 mapeou pelo menos 36 mil casais de gays e lésbicas nos Estados Unidos, no qual um parceiro era cidadão e o outro, um imigrante”, afirmou Rachel Tiven, diretora executiva da organização Immigration Equality, que trabalha em favor das comunidades imigrantes homossexuais.  “Ao contrário de casais heterossexuais, eles não podem utilizar seus relacionamentos para viverem juntos aqui no país”, ela disse. “Pedir asilo é um processo bem mais difícil”, acrescentou.

O senador Kerry patrocinou uma lei que permitiria que gays e lésbicas de outros países pudessem requerer  a residência legal, baseando-se em suas relações com cidadãos americanos, da mesma maneira que os casais heterossexuais.

Coco disse que fará tudo o que for possível para que o casal fique junto na América. “Mas, se não der, iremos morar em outro país”.

Fonte: (Fox News)