Publicado em 5/04/2009 as 12:00am

Para socióloga, cidadania aumenta seu compromisso com a comunidade

Depois de oito anos nos Estados Unidos, a socióloga do Amazonas Cláudia Tamsky é a mais nova cidadã norte-americana

 

Depois de oito anos nos Estados Unidos, a socióloga do Amazonas Cláudia Tamsky é a mais nova cidadã norte-americana. No último 4 de março ela jurou a bandeira com mais de 3000 imigrantes de Massachusetts e afirma que agora o seu compromisso com a comunidade é ainda maior. "É o topo a que um imigrante pode chegar, ter o poder de voto. Eu só vou ficar tranquila quando todos tiverem a liberdade de trabalhar sem medo e estiverem livres da exploração nesse país".

A trajetória comunitária de Cláudia tem raízes ainda em Manaus e foi no curso de Sociologia da Universidade Federal do Amazonas que começou sua história com os Estados Unidos. A amazonense foi aluna de um professor norte-americano que a convidou para trabalhar na ONG de seus pais em Massachusetts na luta pelos direitos indígenas. Depois de 1,5 ano no país, Cláudia retornou ao Brasil, mas não tardou a voltar quando trabalhou como tantos outros brasileiros como babá e em serviços de festa ao mesmo tempo em que agia em defesa do trabalhador e principalmente da mulher. "Eu não fazia esse serviço através de nenhuma organização. Meus amigos me procuravam dizendo que tinha alguém com problema e eu ajudava no que era possível. Era o que eu fazia em Manaus, e é o que me realiza", comenta.

A passagem pelos Estados Unidos se prolongou quando Cláudia se casou e criou raízes no país em que seus professores classificavam como a nação do mal. Ela admite que pôde comprovar um sistema social e político opressor, mas que isso já está mudando graças a diversidade étnica do país. "E nós imigrantes somos responsáveis por essa mudança. O relacionamento dos Estados Unidos com o mundo está tomando outro rumo. Prova disso é que agora temos um presidente negro, filho de um pai afro-mulçumano e uma mãe norte-americana."

Cláudia trabalha num Centro de Saúde em Framingham como educadora de saúde, mas também acha tempo para atuar na equipe de voluntários em educação de saúde do Cambridge Health Alliance, na Associação dos Amigos do PT no Exterior, no Comitê Pró Cidadania Unida e para dar cursos de liderança para mulheres.

A experiência com trabalho comunitário e a formação em sociologia e especialização em marketing despertam na amazonense um senso crítico sobre questões polêmicas entre os brasileiros em Massachusetts.


Lideranças

Cláudia diz que há muita gente por aí que se autointitula líder e usa as necessidades da comunidade para se promover. "Fala-se muito em lideranças, mas os verdadeiros líderes não aparecem na mídia, não estampam as manchetes de jornais nem são personagens de escândalos." E acrescenta: "Os verdadeiros líderes trabalham pela comunidade sem receber por isso, vivem no anonimato e não são premiados".

Assistência ao trabalhador imigrante

Para a socióloga, a área trabalhista é o maior problema da comunidade brasileira no estado. "Já vi muita gente trabalhando 80 horas e recebendo 20, recebendo salários atrasados e sendo tratados pelos patrões como se o emprego fosse um favor", enumera. Cláudia observa que isso não acontece só entre os trabalhadores incodumentados. "Fiquei muito triste quando li uma entrevista em que o presidente de uma ONG e professor universitário dizia que “os ex-funcionários cuspiram no prato que comeram”. Isso porque os trabalhadores não ficaram calados diante dos desmandos de um certo diretor".

Cláudia questiona o papel de uma ONG que defende o direito do trabalhador quando age da mesma maneira como os empregadores que a organização combate. "Empregar, seja um médico ou um pedreiro, não é fazer um favor. Tipo de atitude como esta é típica de ditadores que querem passar uma imiagem de bons moços para a comunidade e ganhar popularidade em cima da desgraça dos outros.

Além disso, afirma Cláudia, o dinheiro mal aplicado é um desserviço. "Recebem dinheiro de fundações para determinados projetos e usam para outras despesas. A consequência da má administração atinge diretamente a comunidade que fica ainda mais carente. Precisamos de instituições que realmente cumpram o seu papel,” avalia.

Por isso, diz ela, admiro o trabalhador que se desdobra para vencer os obstáculos do dia-a-dia e luta pelos seus direitos. “O direito ao respeito e à compensação de seu trabalho. Também reconheço o papel da mídia local quando informa e educa”, ressalta.


Ignorância

Segundo Cláudia, a informação e o conhecimento são as armas mais poderosas de qualquer cidadão. "Estar informado e ter a capacidade de questionar atitudes suspeitas são defesas do trabalhador. Quem está no comando ou no poder prefere a ignorância do seu povo porque é mais fácil de controlar, explorar e extorquir." E alerta: "Cuidado com quem diz que informa, mas usa os meios de comunicação para distorcer verdades que são inconvenientes para ele."

As pessoas precisam ter a oportunidade de questionar e isso não tem nada haver com escolaridade. Certos 'líderes' preferem que o povo não pense para manter o status-quo e permanecer no poder e que não aceitam receber críticas”. E conclui: "Uma frase de Santo Agostinho para que as pessoas reflitam: Ele dizia... Prefiro aqueles que me criticam porque me corrigem do que aqueles que me bajulam porque me corrompem."

Fonte: (Da redação)