Publicado em 5/04/2009 as 12:00am

Pernambucano é uma das vítimas de massacre em New York

O translado do corpo está sendo intermediado pela direção da Universidade de Pernambuco, local em que Almir Alves foi professor de matemática por seis anos

 

O professor pernambucano Almir Olímpio Alves, de 42 anos, é uma das vítimas de massacre ocorrido na última sexta (3),  em Binghamton, a 225 quilômetros a noroeste da cidade de Nova Iorque, nos Estados Unidos. A informação foi confirmada na tarde deste domingo (5) pela assessoria de imprensa da Universidade de Pernambuco (UPE), instituição em que Almir Alves era funcionário há seis anos.

O pernambucano foi uma das 14 pessoas - incluindo o atirador - que morreu no ataque de um homem que entrou atirando no prédio da American Civic Association, um centro de serviços para imigrantes, em Binghamton. Ele estava no Estados Unidos há seis meses, fazendo pós-doutorado em Matemática Pura na State University of New York Suny, a convite de um professor da universidade.

Almir Alves era professor de matemática do campus da UPE de Nazaré da Mata, distante 65 quilômetros do Recife. De acordo com o diretor da unidade, Luiz Alberto Rodrigues, a Universidade negocia o traslado do corpo junto aos familiares do professor. "Estamos esperando para amanhã um comunicado, via consulado, sobre o traslado. Me parece que houve uma missa e por isso o atraso", disse.

O professor deixou o País no dia 1º de setembro de 2008 e estava com volta prevista para 30 de junho.

O massacre

O episódio teve início às 10h, quando o atirador bloqueou a saída traseira do prédio com seu carro e entrou pela porta da frente. Meia hora depois, a polícia recebeu telefonema de uma recepcionista, que disse que havia levado um tiro no abdome. Ela sobreviveu.

A polícia informou que chegou em três minutos e isolou a área. Segundo o chefe de polícia Joseph Zikuski, não houve mais tiros após a chegada dos policiais. Um grupo de 26 pessoas se escondeu no porão e foi orientado por celular a permanecer lá até resgate policial. Ao todo, 37 pessoas foram retiradas com segurança.

O atirador seria asiático e tinha documentos com o nome de Jiverly Voong, 42 anos, morador Jonhson City, a 5,4 quilômetros de Binghamton. A polícia não confirmou a informação, mas um policial disse em condição de anonimato que esse seria um nome falso usado pelo homem no passado.

Dois asiáticos foram detidos porque se encaixavam na descrição oferecida pela recepcionista, mas acabaram liberados. Surgiram informações conflitantes de que a polícia de Binghamton e o FBI tentaram negociar com o atirador para liberar as pessoas que continuavam no centro. Mais tarde, a população da cidade, de 47 mil habitantes, ainda chocada, fez vigília pelos mortos numa igreja luterana, à noite.

O crime foi o ataque a tiros nos EUA com mais mortos desde o massacre na Universidade Virginia Tech, quando o estudante sul-coreano Cho Seung-hui matou 32 colegas e professores antes de se suicidar em abril de 2007.

 

Recepcionista forjou morte

Uma das primeiras a ser atingida pelos disparos, a recepcionista do centro tem sido apontada com uma heróina. Após ser baleada, ela teria fingido estar morta para desviar a atenção do assassino e ligar para a polícia, evitando novas vítimas. "É uma heroína. Recebeu um tiro no abdômen, fingiu-se de morta e, quando o atirador saiu da sala, se arrastou até debaixo de sua escrivaninha, pegou um telefone celular, ligou para a Polícia e descreveu o que estava acontecendo", disse o chefe policial à agência Efe.

 

FBI descarta relação terrorista

Os investigadores americanos descartam qualquer conexão de grupos terroristas. "O FBI tem conhecimento de que há grupos estrangeiros que reivindicam este ataque, mas não houve nenhum ato terrorista no ocorrido", disse Zikuski.

 

Segundo Obama, tudo se tratou de “ato violento insensato”

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, divulgou uma nota na qual classificou como "ato violento insensato" a tragédia. “ Michelle [a primeira-dama americana] e eu ficamos chocados e profundamente entristecidos ao saber sobre o ato violento insensato que aconteceu em Binghamton. Nossos pensamentos e nossas orações vão para as vítimas, as famílias delas e a população de Binghamton", disse Obama.

 

Esposa do Brasileiro indignada com falta de informações

Márcia Pereira Lins Alves, de 36 anos, que também é professora, disse á uma emissora de televisão de sua região, ter sido informada de que o marido estava entre as vítimas por um contato telefônico, na noite desse sábado (4), da esposa do orientador de Almir, que é brasileira.

Até a tarde deste domingo, Márcia não recebeu qualquer informação por parte dos americanos, nem confirmação do Itamaraty.

A princípio, ela não acreditou que o marido estivesse entre as vítimas, porque não sabia que ele estudava inglês na American Civic Association, local onde aconteceu o massacre que terminou com 14 pessoas mortas, incluindo o atirador.

O último contato que Márcia teve com Almir foi nessa quinta, quando recebeu e-mail do marido, que a ajudava na declaração de imposto de renda. Casados há 17 anos, o casal tem um filho de 16 anos. Eles haviam combinado de conversar novamente nesse sábado.

Márcia, que não tem computador em casa, foi informada de que Almir frequentava o curso de inglês todas as manhãs, das 9h ao meio-dia, somente no contato com a colega, esposa do orientador.

Ela fazia planos de que o filho do casal fosse estudar junto ao pai. "Dei graças a Deus que ele (o filho) não foi, podia ter sido outra vítima", disse.

Sobre o traslado do corpo, a professora informou que o procedimento está sendo intermediado pela direção da Universidade de Pernambuco, local em que Almir Alves foi professor de matemática por seis anos.

Fonte: (Da Redação)