Publicado em 22/04/2009 as 12:00am

Brasileiro condenado a 109 anos de prisão teve filhos com a própria filha

O brasileiro Lindolfo Thibes, de 48 anos, foi condenado em Los Angeles a 109 anos de prisão por abusar sexualmente de sua filha, atualmente com 29 anos. Os abusos começaram quando ela tinha seis anos

   

O brasileiro Lindolfo Thibes, de 48 anos, foi condenado em Los Angeles a 109 anos de prisão por abusar sexualmente de sua filha, atualmente com 29 anos. Os abusos começaram quando ela tinha seis anos. A vítima engravidou do pai e teve três filhas, hoje com quatro, sete e 11 anos de idade. Ela deu à luz a sua primeira filha aos 17 anos. A informação é do jornal Los Angeles Times.

O julgamento do brasileiro Thibes durou quatro dias. Ele foi sentenciado por estupro e outras agressões. A pena foi estipulada na última sexta-feira (17/4).

O caso é similar ao do austríaco Josef Fritzl, que manteve por 24 anos a filha trancada num porão de Amstetten, a 130 quilômetros de Viena, e com ela teve sete filhos. O promotor do caso, de acordo com o jornal, afirmou que testes de DNA confirmaram as acusações da filha, indicando que Thibes era tanto pai quanto avô das três crianças.

O caso veio à tona com um chamado da emergência de violência doméstica: um homem havia esfaqueado sua namorada no estacionamento de um hospital em Las Vegas. Quando os agentes começaram a investigar, descobriram que o homem não era o namorado da vítima, mas seu pai, que a molestara sexualmente por quase duas décadas.

Thibes alegou problemas mentais. O promotor do caso alegou que quem é capaz de fazer o que Thibes fez deve realmente ter problemas de sanidade mental, mas isso não o exime de culpa.

"Eu sabia dos abusos e também apanhei, mas não podia fazer nada. Sentia-me impotente." A declaração é de Dornélio Thibes, 27, filho de Lindolfo Thibes.

Em entrevista, de Palm Dale (Califórnia), Dornélio afirmou que fugiu de casa porque "apanhava muito" e que tinha conhecimento dos abusos que a irmã sofria. Os abusos começaram quando a jovem tinha apenas seis anos. Hoje ela tem 29.

Vendedor de celulares em Palm Dale, Dornélio é filho de Lindolfo com a brasileira Roseli Lima, que mora nos EUA e trabalha cuidando de idosos. Ele conta que fugiu de casa em 2001 porque apanhava com fios elétricos e socos.

"Eu sabia dos abusos, mas eu nunca vi. Eu chamei a polícia quando eu fugi, só que eles não fizeram nada". Segundo ele, a violência doméstica aumentou quando sua mãe decidiu sair de casa em West Adams, na Califórnia. "O medo que minha mãe sentia era devido às ameaças dele [do pai], que sempre falou que iria para o Brasil matar a mãe dela."

Dornélio descreve o pai como um homem violento. "Ele sempre estava bêbado ou drogado [segundo o filho, ele consumia maconha e crack], sempre estava nervoso, dando \'porrada\' em todo mundo", afirma.

Dornélio chegou a ligar para o avô paterno, que mora no Brasil, para relatar os abusos e as agressões, mas ele disse que "as mãos deles estavam amarradas porque era velho e vivia no Brasil". Com o mesmo sentimento de impotência, Dornélio temia chamar a polícia porque o pai ameaçava ferir sua irmã e os filhos dela.

Logo após sair de casa, Dornélio morou um tempo na rua e ficou preso por seis meses após assaltar uma pessoa e levar US$ 400. Ao sair da prisão, em 2003, conheceu uma americana, teve um filho com ela e conseguiu um emprego de vendedor.

"Minha mulher sempre me perguntava onde estava o meu pai e a minha mãe, mas eu falava que eles estavam mortos, eu tinha vergonha de falar tudo", disse. Ele decidiu procurar a polícia depois de contar toda a história à família de sua mulher.

"Eu procurei a polícia em 2003, mas não aconteceu nada. Eles não acreditaram em mim." Na mesma época, Lindolfo foi morar em Las Vegas (Nevada) com a filha, onde foi preso em 2005.


Condenação

Lindolfo dispensou a ajuda de advogado e se defendeu sozinho durante o julgamento. Foi condenado na última sexta-feira, em Los Angeles (Costa Oeste dos EUA).

"Eu acho que o tempo que eles deram para ele foi perfeito. É uma parte da nossa vida que a gente pode encerrar agora e continuar a vida, porque nós sabemos que ele não vai sair. Agora eu posso seguir em frente."

Ele disse ainda que estava ao lado da irmã quando soube da condenação. "Nos abraçamos, choramos, ela chorou mais do que eu. Ela estava contente que ele ia embora e, ao mesmo tempo, triste por tudo que passara."

Lindolfo Thibes nega os crimes. Ele afirmou durante o julgamento que a condenação era resultado de "provas fraudulentas e testemunhos mentirosos". Sobre as declarações do pai, Dornélio disse que não sabe se "ele está louco por falta de drogas ou se está mentindo apenas para tentar se livrar [da prisão]".

Fonte: (Da redação)