Publicado em 11/05/2009 as 12:00am

Imigrantes em vias de deportação recebem autorização de trabalho

Decisão foi tomada pela secretaria do Departamento de Segurança Interna, Janet Napolitano, e beneficiou indocumentados como Gerardo Arreola Gonzalez

 

Um fato ocorrido em abril demonstra o tratamento dispensado aos imigrantes pela nova administração Obama. Um grupo de 28 trabalhadores indocumentados de uma retífica de motores na cidade de Bellingham, no estado de Washington, foi detido por agentes do ICE (Immigration and Customs Enforcement) e encaminhado a um centro de detenção. No entanto, em vez de iniciarem os processos de deportação, como normalmente aconteciam nestes casos, as autoridades do Departamento de Segurança Interna (Department of Homeland Security), orientados pela própria secretária Janet Napolitano, liberaram os estrangeiros e – numa iniciativa inédita – concederam autorização de trabalho a todos eles. “O foco de nossas operações devem ser os empregadores que intencionalmente exploram os indocumentados”, justificou, na época, a toda-poderosa da DHS.

Um destes imigrantes foi o mexicano Gerardo Arreola Gonzalez, que depois de 11 anos vivendo ilegalmente nos Estados Unidos viu de perto a possibilidade de ser deportado. Ele contou que suou frio quando viu os agentes do ICE entrarem na fábrica. “Tentei fugir pela porta dos fundos, mas havia outros policiais federais cercando todo o local”, lembra Gerardo. Naquele momento, o mexicano pensou nos cinco filhos, todos nascidos aqui nos Estados Unidos e, por isso mesmo, cidadãos americanos. “Imaginei que passaria um bom tempo sem ver minha família, já que as crianças não conseguiriam se adaptar à vida no México”, disse.

Só que ele e os outros 27 empregados da empresa Yamato Engine Specialists, a maioria de origem hispânica, não passaram pelo mesmo processo que outros 5.173 imigrantes detidos em 2008 em operações do ICE em locais de trabalho. Só que na primeira ação do tipo durante o seu governo, o presidente Barack Obama cumpriu as promessas feitas na campanha do então candidato democrata de não separar as famílias e de interromper as batidas cujo alvo são os indocumentados.

“Ninguém esperava mesmo ver os imigrantes sem ficha criminal saindo algemados durante uma operação numa pequena fábrica na nova administração”, afirmou Rosalinda Guillen, uma ativista pró-imigrante de Bellingham, uma cidade que nas eleições demonstrou apoio incondicional aos democratas. Depois da operação na retífica, a população local começou uma campanha em favor dos 28 detidos, através de e-mails, telefonemas e participação em programas de rádio e televisão. Rosalinda acrescentou, inclusive, que o movimento popular gerou a criação de um fundo para ajudar os filhos dos trabalhadores detidos, que recebeu o nome de ‘Los Niños Fund’.

O ato de Napolitano, porém, esquentou ainda mais o debate sobre a questão imigratória nos Estados Unidos. Ira Mehlman, uma das integrantes da Federação Americana pela Reforma Imigratória (American Immigration Reform), uma organização antiimigrante que supostamente tem mais de 250 mil membros, foi uma das vozes críticas. “A mensagem passada pela secretária foi a de que se alguém está ilegalmente no país e não cometeu crime algum não precisa se preocupar, pois as autoridades não vão incomodar. Isso é uma anistia, de fato”, disse Ira. Ela argumentou que o governo está abrindo precedente para que outros estrangeiros venham ilegalmente para a América.
Até mesmo os funcionários do Departamento de Segurança Interna ficaram surpresos com o final do caso de Bellingham. Amy Kudwa, porta-voz da agência federal, admitiu que ficou surpresa com a liberação dos imigrantes detidos. “As pessoas ficaram embasbacadas, pois os agentes que prenderam os imigrantes foram os mesmos que depois prometeram que eles receberiam a autorização de trabalho”, resumiu Rosalinda. Os 28 imigrantes preencheram a documentação para os vistos naquele mesmo dia.

Para o advogado Max Whitney, o acontecimento é um sinal de que os Estados Unidos entraram numa nova era. “Acabou o nazismo imigratório que imperou nos últimos oito anos”, disse o especialista em imigração, admitindo que jamais viu algo parecido em 36 anos de América.

 

Fonte: (AcheiUSA)