Publicado em 20/05/2009 as 12:00am

EXCLUSIVO - Mineiro relata como foi agredido por "pitboys"

A comunidade brasileira ainda continua à espera do desfecho do caso de "agressão e covardia", conforme relata alguns emails encaminhado à redação do jornal Brazilian Times

 

Por Luciano Sodré


A comunidade brasileira ainda continua à espera do desfecho do caso de “agressão e covardia”, conforme relata alguns emails encaminhado à redação do jornal Brazilian Times. Lutadores Bruno Costa, 23, Iury Debs, 25, e Diego dos Santos, 23, todos alunos e instrutores de jiu-jtsu em uma academia localizada na cidade de Somerville-Massachusetts, protagonizaram uma cena de selvageria na noite do dia 26 de abril no estacionamento de uma das lanchonetes da rede MacDonald, em Chelsea. Eles agrediram e espancaram os, também brasileiros, Felipe Soares, 24, e Wilkinson Carlos de Oliveira, 28. O primeiro foi levado, em coma, às pressas para o Massachusetts Geberal Hospital. O segundo ficou com alguns hematomas pelo corpo e teve o maxilar fraturado em dois lugares.

Por telefone, Wilkinson relatou como foi a cena de selvageria que só terminou com a chegada da polícia. “A primeira coisa que quero deixar claro é que eu não estava junto com Felipe, mesmo sendo amigo dele”, fala.

Natural de Minas Gerais, na região de Belo Horizonte, Wilkinson mora nos Estados Unidos há oito anos e trabalha no ramo de construção civil. “Eu vim para cá sem sozinho e não tenho parentes neste país”, continua.


Brazilian Times – Então com quem você mora?

Wilkinson Carlos de Oliveira – Moro com amigos.


BT – Você já conhecia os seus agressores?

WCO – Conheço o Bruno e Diego há quatro anos. Já trabalhei com o Diego uma vez como segurança em um evento. Mas só fiquei sabendo quem era o Iury somente no dia da agressão. Eu já treinei algumas vezes na academia onde eles treinam, mas fui obrigado parar devido a falta de tempo.


BT – Você já teve algum problema com algum deles anteriormente?

WCO – Não. Via o Bruno algumas vezes em bares, lanchonetes e outros locais, mas sempre conversávamos normalmente.


BT – E na noite da agressão, como tudo começou?

WCO – Bem. Quando eu cheguei percebi o grupo deles alterado e discutindo com outras pessoas. O Felipe já tinha sido levado em coma para o hospital por uma amiga chamada Priscila. Como eu conhecia Bruno e Diego e também o o outro cara que ainda estava discutindo com eles, eu resolvi separar.


BT – Você não percebeu em nenhum momento que poderia piorar a situação?

WCO – Não. Mesmo o Diego estando muito agressivo e chamando as pessoas para a briga, como eu o conhecia e também conhecia o outro lado, pensei que conseguira acalmar os ânimos deles.


BT – Quem foi o primeiro a te agredir?

WCO – Foi o Iury. Ele não me conhecia, acho que por isso teve a iniciativa. Me deu um soco por trás enquanto eu conversava com o Bruno e o Diego. Eu cai no Chão e me levantei e perguntei o motivo de estarem fazendo aquilo. Foi então que começaram me agredirem. Tanto o Diego quanto o Bruno pareciam que não sabiam o que estavam fazendo e nem que estavam agredindo uma pessoa que já os conhecia.


BT – Que tipo de armas eles usaram?

WCO – Eles não usaram armas nenhuma. Os três são graduados em jiu-jtsu e todos sabemos que um especialista neste esporte pode matar usando apenas as mãos. Eles me agrediram com socos, joelhadas e pontapés.


BT – Quando eles pararam de te bater?

WCO – A agressão só terminou com a chegada da polícia, pois ela já havia sido solicitada, em razão do grupo estar ali agredindo as pessoas há mais tempo. Assim que Felipe foi levado para o hospital, alguém acionou os policiais. A polícia não foi até o local para atender a minha ocorrência e sim uma anterior.


BT – Que tipo de problemas você está enfrentando devido à esta agressão?

WCO – Eu tive o maxilar fraturado em duas partes e só posso me alimentar através de líquidos. Mas estou me recuperando bem, graças a Deus.


BT – Você estava sozinho?

WCO – Uma amiga minha havia ficado dentro do carro e o resto do pessoal que estava no estacionamento não se arriscaram a separar a briga por medo dos três, os quais têm um porte físico avantajado.


BT – E como ficou a rotina da sua vida após a agressão?

WCO – Toda segunda-feira tenho que ir ao hospital faze exames e às vezes tenho que ir em horário não marcado por causa de alguma dor ou apertar a armação que colocaram em minha boca.


BT – E as despesas de hospital, você tem seguro de saúde para custeá-las?

WCO – Não. Mas deixei tudo nas mãos de meu advogado, o qual está tentando fazer, na justiça, com que os meus agressores paguem todo o meu tratamento.


BT – O que você deseja para seus agressores?

WCO – Minha primeira vontade é que Deus os perdoe pelo ato de covardia que cometeram, não apenas comigo, mas com o Felipe também. Depois quero que eles paguem na justiça pelo que fizeram. Tenho certeza de que a lei norte-americana não ficará cega à este ato.


BT – Eles pagaram fianças e estão aguardando o julgamento em liberdade. Como você já me disse que as vezes encontravam alguns de seus agressores em locais públicos. Depois da agressão, já teve algum contato com algum deles.

WCO – Não, até porque estou me recuperando e não posso sair. Mas alguns amigos já me informaram que algum deles jã andou tentando me amedrontar mandando mensagem de que estão checando meu status neste país. Eles querem que eu desista do processo, mas não vou desistor e o detetive que cuida do caso já está ciente da acusação e disse que uma coisa não tem nada a ver com a outra. Vou até o fim.

Fonte: (Da redação)