Publicado em 19/08/2009 as 12:00am

Declarações de ativista geram polêmica na comunidade

Em entrevista à um portal de notícias brasileiro, o ativista comunitário Fausto da Rocha disse que apóia um boicote à pesquisa do Censo 2010

 

Por Marcelo Zicker



Em recentes declarações à imprensa brasileira na última semana, o ativista comunitário Fausto da Rocha , disse acreditar que as informações colhidas sobre os residentes do país pelo Censo 2010, podem se configurar como uma importante arma do governo americano no combate aos indocumentados e que os brasileiros deveriam realizar um boicote ao programa. As afirmações do ativista reverberaram de maneira polêmica entre os brasileiros, que questionam tal posicionamento.


É o caso do radialista Ilton Lisboa, de Framingham – MA. Para ele, o Censo pode contribuir para dar oportunidade ao imigrante de agir com cidadania dentro da sociedade americana. “A nossa comunidade precisa ser bem informada e não mal-informada. Declarações como essa menosprezam a inteligência do povo brasileiro, que merece mais respeito por essas pessoas que se intitulam ‘representantes da nossa comunidade’. É um momento raríssimo de sermos contados como seres humanos e indíviduos atuantes dentro deste país” declara Ilton. Ele diz acreditar que existe sigilo total com as informações fornecidas na pesquisa. “ Existe uma lei que proíbe que os dados pessoas dos entrevistados seja fornecido, nem mesmo o presidente tem permissão para acessá-los, eles ficam sob controle do Census Bureau, orgão que realiza a pesquisa. Os brasileiros podem contribuir com a consciência limpa de que estão plenamente protegidos” incentiva.


A catarinense Maria Helena Cardoso, que reside em Somerville – MA, também se posiciona contra qualquer tipo de boicote, incentivando a participação na pesquisa. “ Já somos privados de tantas coisas aqui, como votar, adquirir documentos como habilitação, entre outras coisas. Acho que participando do Censo podemos nos impor como parte dessa sociedade. Não temo nenhum tipo de uso das minhas informações contra mim mesma, isso não existe” opina. O presidente do CTIB, Centro do Trabalhador Imigrante Brasileiro, Márcio Porto, também se manifesta a favor do Censo. “É muito importante para as cidades e estados contarem com trabalhadores imigrantes como parte da efetiva do país. Temos muita influência sobre a construção da economia e fazemos sim, parte da população dos EUA. Nós da CTIB, entendemos que a maneira mais eficaz de se fazer o Censo seria através de uma profunda reforma das leis de Imigração, capaz de tirar os trabalhadores imigrantes das sombras e trazê-los para a luz” declara.


Opinião pessoal não é posição do CIB’, afirma presidente da ONG


O presidente do ‘Board’ do Centro do Imigrante Brasileiro, Eduardo Siqueira, afirma que as declarações de Fausto não representam o posicionamento da instituição, da qual Fausto da Rocha é diretor-executivo. “ A opinião da organização é o oposto disso. Fausto foi infeliz em seus argumentos, que não tem fundamentação alguma. Nenhuma informação pode ser vazada e não faz parte da experiência do Censo que isso aconteça. Esses dados sao confidenciais e jamais foram usados contra qualquer grupo ou comunidade. Se não houvesse essa garantia , ninguém responderia. Existe completa garantia de confidencialidade” declara Eduardo. “ Essa é uma opinião pessoal do imigrante Fausto da Rocha, e apesar de ele pertencer à nossa instituição, não apoiamos o seu posicionamento” completa.


Confidencialidade é a chave do sucesso do Censo’ esclarece porta-voz do Census Bureau 


A Media Specialist do Census Bureau, Alexandra Barker, faz questão de clarear a polêmica e reafirmar a segurança das informações colhidas pelo Censo. “ O Census não pergunta sobre nenhuma informação que faça referência ao status migratório dos entrevistados. Não há perguntas sobre status, sobre ID number, sobre nenhuma dessas informações. O resultado do Censo é baseado somente em dados estatísticos” esclarece, pontuando mais uma vez que a confidencialidade é um compromisso primordial do programa. “ Todas as informações pessoais tem sua confidencialidade garantida por uma lei federal, chamada Title 13, que proíbe a divulgação de dados pessoais coletados por 72 anos. Nenhuma agência governamental, nem mesmo o presidente dos Estados Unidos tem acesso privilegiado aos dados pessoais coletados pelo Censo, sendo que a lei Title 13 está acima de qualquer mandado judicial. A chave do sucesso do Censo é a confidencialidade” reintera a representante da instituição.


Ativista justifica declarações 


Em entrevista ao Brazilian Times, o ativista Fausto da Rocha defende seu posicionamento, afirmando que o programa de recolhimento de informações populacionais dos EUA, é sim uma grande arma contra os imigrantes indocumentados. “ A gente sabe que a primeira pergunta do Censo é o nome completo. Já é uma informação muito importante, que configura um perigo para aquele imigrante. Quem garante que em situações extremas como uma guerra, essas informações não vão ser reveladas para localizar certas pessoas ? ” alerta. “O indocumentado nao conta como voz política nesse país, nao tem direito à voto, não tem direito à universidade, a carteira de motorista. E eles ainda querem que a gente responda o Censo ? Só agora fazemos parte da sociedade ? Respondendo à essa pesquisa, estaremos contribuindo para que os estados recebam mais verba para fortalecer a segurança, que inclue o combate à imigração ilegal, resultando em mais deportações e apreensões de imigrantes” opina o ativista, que ressalta que a sua opinião é estritamente pessoal. “ O CIB tem um posicionamento divergente do meu, apoiando a contribuição do imigrante ao Censo, mas embora eu respeite a posição da instituição, tenho o direito de expressar o que penso” frisa.


Fausto porém, salienta que ‘se não tivéssemos um número tão grande de indocumentados seria válido a participação no Censo, pois realmente o brasileiro poderia se beneficiar dos recursos e dos projetos baseados no programa’.


Fonte: (Da redação)