Publicado em 24/08/2009 as 12:00am

Brasileiro distribui comida para desabrigados em RI

Dezenas de americanos estão vivendo em siatuação precária, sem saneamento básico e higiene

 

Por Claudia Carmo

Não é só nos países de terceiro mundo que existem “sem-tetos”. A crise econômica nos EUA está provocando mudanças na vida dos norte-americanos, atingindo radicalmente a população de baixa renda.  Na cidade de East Providence, em Rodhe Island, algumas famílias estão morando embaixo da ponte George Washington. São 30 pessoas, entre homens e mulheres, vivendo em barracas, desprovidas de saneamento básico e higiene. Uma situação precaria,

A equipe de reportagem do jornal Brazilian Times esteve no local e, com exclusividade, conversou com algumas destas pessoas. Michael Charles, 35 anos, vive com sua esposa Sandra Peterson, 23 , no que eles chamam de Tent City, há 8 meses. Segundo ele, a economia ruim é o motivo que os levaram a migrar para o local.

Primeiro fomos para um abrigo, só que as regras eram rígidas e tínhamos que obedecê-las. Uma delas era não poder estar com  minha esposa. Resolvemos então morar aqui, porque queremos estar junto um do outro", fala.

Eles têm uma filha de um ano, que esta sob tutela do governo. "Queremos uma casa para morar, trabalhar e ter nossa filha devolta e estamos lutando por isso", continua. O casal conta que não tem apoio de parentes. Trabalhavam, mas o dinheiro não dava para cobrir as despesas da casa, então o pai de Sandra os encaminhou para um abrigo.

Eles sobrevivem de doações de comidas, feitas por restaurantes americanos e brasileiros. Improvisaram uma cozinha e também uma grande mesa, onde  fazem suas refeições. Tomam banho no mar, ou na casa de amigos. A polícia comparece todos os dias para checar se precisam de ajuda. Possuem assistência a saúde feita pelo Cross Road, mas vivem em situação de miséria.

O empresário brasileiro Joe, que é proprietário do restaurante Casa Brasil em East Providence, é um dos brasileiros que ajudam as famílias. “Na semana passada eu levei comida para eles. Levei muita carne, arroz, entre outros ítens. Sinto muito com a situação. Moro aqui há quase 40 anos e nunca vi uma situação igual. Nós temos que ajudar, está na raça dos imigrantes deste país ajudar um ao outro. E o minímo que posso fazer é doar o que eu posso”, diz.

A maioria dos homens da Tent City trabalham na construção, mas estão desempregados. Saem todos os dias para as ruas da cidade a procura de emprego. As mulheres fazem limpeza de casas, quando aparece trabalho. 

Durante o dia costumam encontrar formas de distração para passar o tempo e esquecer as dificuldades, pescam no mar, nadam, jogam cartas e ferraduras.  

Somente adultos fazem parte da comunidade. Eles já chegaram a um total de 70 pessoas, alguns,  que conseguiram trabalho e moradia deixaram o local. Existem cinco Tend City espalhados por Rodhe Island, um deles fica embaixo de uma ponte, bem no centro de Providence. Três deles são anônimos, porque os moradores não querem ser descobertos pelas autoridades com medo de serem expulsos.

Familias e pessoas novas estão sempre chegando para se unir a comunidade e morar no Tent City. Alguns tem até carro, mas não tem casa para morar, outros são andarilhos. No caso de Michael e Sandra eles chegaram embaixo da ponte de barco. 

Edward Therrione, 52 anos, chefe de cozinha, desempregado, divorciado e  pai de três filhos, diz que mora no Tent City por opção." Não preciso estar aqui, tenho família, mas quero ajudar estas pessoas  a lutar pelos seus direitos", afirma.

Ele fala que seus familiares sabem onde  esta e as condições em que vive, diz ter saudades de seus filhos e netos, mas que nao vai abandonar seus amigos do Tent City.

Eles tem até o dia 8 de Setembro para sairem do local, e fazem um apelo ao Governo para dar-lhes moradia em troca de trabalho de mão de obra. "Existem muitos predios abandonados. Podemos nos mudar para um deles e reconstrui-los", diz Michael.  

O objetivo dos moradores neste momento e encontrar urgente, um local para abrigar suas famílias. Alguns advogados e juízes se propuseram a ajudá-los na procura de moradia, mas até agora o problema ainda não foi resolvido, e eles continuam na esperança de tornar realidade o que mais querem, ter um teto.

Fonte: (Da redação)