Publicado em 28/08/2009 as 12:00am

Morte de Kennedy deixa lacuna na comunidade brasileira

No início da madrugada de quarta-feira (26), os Estados Unidos ficou de luto com a morte do senador democrata Edward "Ted" Kennedy, eleito pelo estado de Massachusetts

  

Por Luciano Sodré / Marcelo Zicker

 

No início da madrugada de quarta-feira (26), os Estados Unidos ficou de luto com a morte do senador democrata Edward “Ted” Kennedy, eleito pelo estado de Massachusetts. Junto com a comunidade norte-americana, os brasileiros também sentiram a perda, pois ele sempre foi um ferrenho defensor das causas imigrantes neste país e sua maior batalha nos últimos anos foi a aprovação de uma lei que viesse beneficiar os milhões de indocumentados neste país.

Ted foi uma das maiores lideranças entre os democratas e um dos congressistas mais influentes na história deste país. Sempre respeitado por defender e lutar pelos seus ideias, ele não conseguiu derrotar o último inimigo. O senador lutava contra um câncer no cérebro, diagnosticado em maio do ano passado, mas morreu em sua casa, em Hyannis Port, e estava com 77 anos de idade.

Na comunidade brasileira, o nome Kennedy se tornou mais forte quando Ted assumiu a bandeira dos imigrantes, participando de reuniões e encontros com o objetivo de fomentar uma reforma ampla e legalizar todos os indocumentados que vivem em seu país. Por este motivo alguns o chavama de “Pai dos Imigrantes”.

Esta lacuna foi comentada e sentida tanto pelos ativistas comunitários, quanto pelos demais brasileiros que conheciam a luta de Kennedy em prol da reforma.

Para a presidenta do Grupo Mulher Brasileira, Heloísa Galvão, este vácuo será impossível de ser preenchido. “Ele foi um político muito importante na luta pelos direitos dos menos favorecidos, dos injustiçados, perseguidos, idosos e principalmente dos imigrantes”, fala salientando que Ted tinha um lado humano além do normal.

Heloísa ressalta que os escritório do senador, tanto em Washington quanto em Boston, sempre estiveram abertos para receber imigrantes indocumentados. “Sem falar que a comunidade brasileira sempre foi bem vista e elogiada por ele”, continua.

Do mesmo pensamento comunga o ativista Carlos Da Silva, que vai mais além colocando Ted Kennedy como o maior representante da comunidade imigrante nos Estados Unidos. “Foi uma perda muito grande a comunidade deve prestar homenagem a ele, tanto pelo brilhante líder que ele foi quanto pelo defensor de nossa causa”, fala.

Carlos Da Silva, que também é democrata, teve contato direto com Ted Kennedy e estava sempre a par das atividades do senador. “participei de algumas reuniões com ele e sempre percebi o carinho dele para a nossa comunidade”, acrescenta.

Carlos sabe que com a morte, os imigrantes perderam um dos maiores defensores de sua causa. “Mas não é hora de pensarmos nisso. Precisamos nos confraternizar com a dor que a família está sentindo e orar a Deus para que acalme os corações”, conclui.


 

Minuto de silêncio

Aproveitando a deixa de Carlos Da Silva, esta reportagem sugere que os brasileiros, ao terminar de lerem esta matéria, faça um minuto de silêncio em respeito à memória daquele que mais lutou pelos direitos dos imigrantes.


 

Dica

Outra sugestão desta reportagem é para que o presidente Barack Obama e os demais políticos façam valer a luta incansável do senador em prol da reforma imigratória. Ted Kennedy sempre lutou pela aprovação de uma reforma ampla que beneficiasse os milhões de indocumentados, mas não conseguiu ver seu sonho realizado. Cabe agora aos congressistas recompensá-lo aprovando a reforma e ainda intitular a lei como “Projeto Ted Kennedy”.


 

Obama fala sobre a morte


Mesmo curtindo férias na Martha´s Vineyard, o presidente Barack Obama, fez seu discurso pela morte do senador. Veja parte do que ele disse no jardim da casa onde está hospedado com a família:

“Eu quero falar algumas palavras sobre este extraordinário líder. Ele foi um homem que galgou suas idéias voltadas para milhões de vidas, lutou pelos idosos, famílias crianças, educação e por todos que sonham em viver em uma América onde todos são tratados com igualdade e de maneira justa.  Sua extraordianária vida aqui na terra chegou ao fim. Para sua família ele era o tutor. Para a América, ele foi o defensor de um sonho”.

O presidente se colocou no grupo daqueles que sonham em ter um país feito por igualdade e justiça. Finalizando o discurso ele disse “Nossos pensamentos e orações estão com com sua família. O povo de Massachusetts e todos os norte-americanos, tal como nós, amávamos Ted Kennedy”.

 

 

Histórico


Nascido em 22 de fevereiro de 1932 em Boston, foi o mais jovem dos nove filhos de Joseph Kennedy e Rose Fitzgerald e o último sobrevivente dos irmãos homens, depois da morte de John, então presidente dos EUA, em 1963, e Robert, em 1968, durante campanha presidencial. Advogado de carreira, se graduou na Universidade de Harvard e serviu no Exército entre 1951 e 1953. Foi senador a partir de 1962, quando ocupou a vaga deixada por seu irmão John, que chegou à Casa Branca. Nunca a deixaria. A última de suas reeleições foi em 2006 e seu mandato valeria até 2013. Antes de morrer, presidia o Comitê de Saúde, Educação, Trabalho e Previdência no Senado, onde trabalhou para levar à frente uma lei, no ano passado, que aumentava o salário mínimo.


“Ele sempre vai ser lembrado como um aliado dos imigrantes”  afirma assessor

 

Um dos braços-direito do senador  Ted Kennedy, o assessor Gary Dotterman, é um dos que mais sentiu a morte do colega e amigo pessoal. “ Ele sempre pregou o respeito aos direitos humanos, aos direitos civis das pessoas e isso se fazia muito presente nos seus posicionamentos a favor dos imigrantes dos EUA” declara Gary. “ Ele tinha uma visão muito particular dos imigrantes desse país. Para ele, eles eram a força motriz do desenvolvimento em muitas áreas de trabalho e admirava incondicionalmente o fato dessas pessoas terem  deixado o seu país de origem para tentar uma vida melhor para suas famílias.” continua.

Gary, que é casado com uma brasileira, diz que, poucos antes de sua morte, o senador o ajudou em um importante projeto pessoal. “ Estou decidido a me mudar para o Brasil com minha esposa e me adquirir o Green Card brasileiro. Ted me ajudou a recolher informações com relação ao processo e me apoiou totalmente na minha decisão de me mudar. Ele achava que o Brasil era o lugar ideal para eu e minha família morarmos” confidencia.

A ativista comunitária Cláudia Tamsky enxerga a perda como irreparável. “ Ele sempre foi um dos mais ativos políticos em favor da causa imigrante e nunca escondeu sua posição com relação a isso. A nossa comunidade perdeu um grande aliado” afirma Cláudia, salientando porém que a tragédia pode repercutir para potenciais substitutos ideólogicoss do senador Ted Kennedy. “ Espero que a perda do senador, possa trazer mais representantes comprometidos com as minorias , com as classes menos favorecidas, entre elas , os imigrantes. Ele foi um espelho de atuação política e social, tomara que seu histórico sensibilize outras pessoas a continuar carregando o seu legado” explica.

O diretor de pesquisas da prefeitura de Boston – MA,  Álvaro Lima, também admite que a perda do senador pode se configurar como mais um empecilho para a aprovação da reforma imigratória, e que cabe agora à Obama carregar o espírito ideólogico a favor da inserção dos indocumentados ao país. “ Ele sempre demonstrou apoio à questão da reforma imigratória e sempre lutou pra que fosse aprovada. Ainda é difícil mensurar o tamanho da repercussão do fato, mas alguém deve seguir o seu caminho. O presidente Obama deve tomar a tocha da esperança de Ted Kennedy e levar as questões que ele sempre lutou, à frente” opina. Ele ainda termina citando o senador. “ Ele sempre terminava seus discursos dizendo que o sonho continua. Pois eu reafirmo. O sonho deve continuar”.

“O Senador Ted Kennedy foi uma personalidade que está acima das rivalidades partidárias e políticas e foi um ícone da democracia e da liberdade aqui nos Estados Unidos, continuando a luta dos seus irmãos John e Robert. O legado deixado pelo passamento do Senador Kennedy vai ser difícil de ser preenchido e vão ficar órfãos os que carecem de assistência, principalmente na área da imigração, da qual o Senador era um dos defensores”, disse João Arruda, presidente e fundador da Câmara dos Dirigentes

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Vínculo com o Brazilian Times

 

Em 1994, o senador Ted Kennedy também protagonizou um episódio que exemplifica bem a atuação do norte-americano em favor dos direitos imigratórios . O presidente do Brazilian Times, e membro do Comitê Pró-Cidadania, Edirson Paiva, enfrentou problemas ao visitar o Brasil naquele ano, em viagem   que visava solicitar o seu Green Card. “ Com o intuito de apenas ter o documento concedido, fui barrado no consulado americano no Rio de Janeiro. Após o incidente, permaneci por vários meses no  país esperando alguma resposta para poder voltar aos EUA, onde a minha família se encontrava e me aguardava ansiosamente ” explica. Foi então que a sua esposa, Cristina Paiva, resolveu contactar o senador, sensibilizando-o acerca do caso. “ Ele recebeu a carta e se prontificou a ajudar, enviando uma carta ao consulado americano no Rio de Janeiro e pedindo a resolução do problema” completa Edirson. Sobre a morte do senador, ele conclui afirmando que não foi somente uma perda para a nação norte-americana e para o mundo da política, mas também para a causa imigrante. “ Ele sempre se posicionou à frente de leis que beneficiavam os menos favorecidos em todos os setores da sociedade. Tinha um ideal de unidade social, de promover a  igualdade entre todos , em ações que sempre marcaram a sua trajetória. Minhas condolências aos familiares e a toda nação norte-americana por essa perda irreparável” termina.


 

Fonte: (ABTN - Agência Brazilian Times de Notícias)