Publicado em 8/10/2009 as 12:00am

Mães brasileiras se revoltam com escola em Framingham - MA

High School de Framingham ? MA publicou artigo anti-imigrante de aluno em seu jornal institucional. No texto, o jovem se refere aos imigrantes como 'escória da sociedade' e 'criminosos'

 

Por Marcelo Zicker



 

Dezenas de mães brasileiras estão revoltadas com um artigo publicado em um jornal comunitário da High School de Framingham – MA, situada na 115, A Street. O texto, escrito pelo aluno e editor da publicação, Tyler O’neill, se refere aos imigrantes como ‘criminosos’  afirmando que ‘ em 20 anos, a imigração ilegal tem se tornado o principal problema dos EUA’. Palavras de um adolescente de apenas 16 anos.

 

Ofendidas, mais de 14 mães foram até a diretoria da escola, cobrar por explicações e retratações com relação ao ocorrido. A rondoniense Tânia Valéria Mendes, tem 2 filhas que estudam no colégio e está liderando um movimento de protesto contra o aluno ‘anti-imigrante’ .  “ Ele trata os imigrantes como lixo na matéria, onde nos chama de ‘escória da sociedade’. Achei um absurdo uma instituição onde 80% de seus alunos são imigrantes , deixar algo tão ofensivo ser publicado” afirma Tânia. “ Hoje ele ofendeu com palavras, imagina o que ele pode fazer no dia de amanhã. Minhas filhas já falam que estão sendo tratadas diferentemente pelos alunos americanos, que o texto já está afetando na maneira como seus colegas as tratam. Isso é muito perigoso” confidencia.

 

 Ela e outras mães tem participado de programas de rádio para protestar e denunciar a discriminação, que pode ter sido causada por um instinto competitivo, opina a rondoniense. “ Conversando com os diretores e professores sempre escutamos que os brasileiros são os que mais se destacam em notas e atividades esportivas, são sempre alegres, interessados, que nossos filhos são sempre os melhores” atenta ela. Tânia porém, salienta que as mães brasileiras não são tão participativas em encontros e reuniões com pais e professores. “ Muitas vezes os pais ficam preocupados em conseguir 2,3 empregos e esquecem de acompanhar a educação dos filhos, de dar atenção a isso” desabafa. “ São somente 14 mães que estão protestando mas poderiam ser muito mais, pois somos grande maioria naquela escola. Não podemos  deixar uma situação tão humilhante ficar  impune” completa.

 

Reunião marcada com diretoria

 

Após receber várias reclamações, a escola resolveu marcar uma reunião com as mães. Será na quarta – feira, dia 14, às 7 e 30pm na própria escola e além de ter a presença da diretoria da instituição, poderá contar com o autor do texto, que terá a chance  se retratar ou se explicar. Apesar da pouca idade, o jovem Tyler impressiona pela formalidade e seriedade em suas palavras, que demonstram que o aluno estava plenamente consciente das suas opiniões e argumentos. “ Vamos conversar como pessoas civilizadas, demonstrando que não somos isso que foi descrito no artigo e que temos a nossa importância na sociedade. Queremos esse aluno fora da escola e uma retratação do jornal com relação a esse incidente” explica Tânia.

 

A escola vai oferecer intérprete em português para os pais durante o encontro. “ Os pais que não se sentirem confortáveis com o inglês poderão contar com intérprete e terão toda liberdade para exporem sua insatisfação com o fato. Temos que comparecer e protestar!” conclama.

Fonte: (ABTN - Agência Brazilian Times de Notícias)