Publicado em 30/10/2009 as 12:00am

Brasileiro relata decepção ao retornar ao Brasil

Depois de cinco anos morando nos Estados Unidos e ter conseguido pagar uma conta superior a $15 mil dólares ao agenciador que o trouxe e comprar uma casa e uma moto, além dos presentes que enviou para a família, o auxiliar de pintura Odacir Cunha Neves

 

Depois de cinco anos morando nos Estados Unidos e ter conseguido pagar uma conta superior a $15 mil dólares ao agenciador que o trouxe e comprar uma casa e uma moto, além dos presentes que enviou para a família, o auxiliar de pintura Odacir Cunha Neves, 36, resolveu retornar ao Brasil e aproveitar o que tinha adquirido ao longo destes anos. O que ele não contava é que a idéia iria ser um tormento em sua vida.

Em entrevista por telefone ele contou que ao chegar ao Brasil, na cidade de Lábreas, interior do Amazonas, a vida seria outra. “A única mudança em minha vida foi que agora sou um pobre que tem casa e moto”, fala salientando que conseguiu um emprego como zelador numa escola local, ganhando pouco mais de R$500,00. “Isso eu ganhava em menos de uma semana trabalhando nos Estados Unidos”, ressalta.

O tempo foi passando e Odacir foi acumulando dívidas, as contas acumulando-se e logo ele se viu em um emaranhado de problemas. “O que eu ganhava não era o suficiente para pagar a luz, telefone entre outras despesas, além de ter que comprar comida”, lamenta.

Odacir é mais um dos que engrossam a lista daqueles que se arrependeram ao retornar ao Brasil. Diante de tantos problemas, um ano e meio depois ele decidiu retornar aos Estados Unidos, “novamente ilegal”.

Na primeira vez que Odacir veio aos Estados Unidos, ele morou na cidade de Lynn, em Massachusetts e nesta segunda “aventura” ele está residindo em Kearny, em New Jersey. “tenho parentes que moram aqui”, explicou.

Desta vez as despesas que Odacir teve para retornar ilegalmente aos Estados Unidos, não ultrapassaram $5 mil. “Eu já conhecia boa parte do esquema e isso me facilitou”, salienta.

Odacir explica que apesar da economia brasileira estar em ascensão, o salário pago pelos empregadores ainda é humilhante. “Trabalhamos o mês inteiro para ganhar mixaria”, se revolta acrescentando que “sua única dor é ter que ficar longe da família”.

Ele já está há dois meses nos Estados Unidos e trabalha ajudando um primo, que tem uma companhia de landscape. “Desta vez, meus planos são de abrir algum pequeno negócio e quero planejar mais o meu retorno ao Brasil”, continua.

 

Planejamento

Com este problema Odacir explica que aprendeu uma lição. Trabalhar nos Estados Unidos não se resume em apenas comprar uma casa, carro, moto ou enviar presentes. “É necessário planejar o retorno, para que não sejamos obrigados a retornar”, fala acrescentando que está buscando junto ao Sebrae e outros órgãos brasileiros, apoio para investir corretamente o seu dinheiro. “Todos que pensam em voltar deve pensar nisso”, conclui.

Fonte: (Da redação)