Publicado em 23/12/2009 as 12:00am

Brasileiro se prostitui nos EUA para salvar a mãe no Brasil

A história do acreano de Brasiléia, S. Roberto, 31 anos, se assemelha a dos milhões de imigrantes que vivem nos Estados Unidos. Todos chegaram a este país com a ânsia de mudar de vida e ajudar os familiares que ficaram em suas terras de origem


 Por Luciano Sodré


A história do acreano de Brasiléia, S. Roberto, 31 anos, se assemelha a dos milhões de imigrantes que vivem nos Estados Unidos. Todos chegaram a este país com a ânsia de mudar de vida e ajudar os familiares que ficaram em suas terras de origem.  O diferencial é que ele foi preciso seguir a vontade do destino para “salvar sua mãe que estava acometida de um tumor”.

Roberto conta que vive em Cambridge, Massachusetts, há mais de seis anos e que a doença da mãe foi diagnosticada há apenas um ano. “Desde então minha vida mudou radicalmente”, comenta.

Segundo ele, sua mãe que morava no interior do Acre, teve que ser transferida para a capital do estado – Rio Branco – no sentindo de ser assistida de perto por especialistas e melhores equipamentos. Roberto conta que o tumor atingiu o sistema linfático e mesmo sabendo que se tratava de uma doença terminal, “resolvemos tratar para amenizar a dor de minha mãe e prolongar um pouco mais a sua vida”.

Ele fala que assim que recebi a notícia, dada por minha irmã, sua decisão foi de ir embora para o Brasil e ficar ao lado de sua m            ãe. Mas quando ficou sabendo o alto custo de um bom tratamento, ele resolveu ficar e levantar o dinheiro suficiente para custear as despesas. “Procurei todo tipo de trabalho e cheguei a trabalhar mais de 140 horas em uma semana”, fala acrescentando que “seu corpo estava exausto, mas a gana por ajudar a salvar a sua mãe lhe dava forças para continuar”.

A prostituição teve início quando um amigo lhe confidenciou que fazia streeper em uma de shows para mulheres e gays. Disse que não conseguia muito dinheiro tirando a roupa, mas que fazia programas para aumentar a renda. “Ele me disse que conseguia em média de $500 por dia e me ofereceu um espaço no local para que eu pudesse trabalhar”, conta.

Roberto fala que no início achou a história muito estranha, mas a cada telefonema, a cada conversa com seus familiares no Brasil, a oportunidade de fazer dinheiro dançando ficava mais viva em sua mente. “Até que um dia, resolvi encarar, pois precisava muito ajudar minha mãe e trabalhar como garçom e preparador, além de acabar com meu físico, não rendia o suficiente para o tratamento”, acrescenta.

Após tomar esta decisão, ele foi até o apartamento do amigo, que morava em Everett e lhe informou sobre o que havia resolvido fazer. “Me senti muito estranho ao tirar a roupa pela primeira vez para aquelas pessoas desconhecidas, mas depois fui me acostumando e logo me vi fazendo programas com senhoras com mais de 50 anos de idade”, fala.

Em duas semanas, Roberto lembra que conseguiu dinheiro equivalente a um mês de trabalho como garçom. “O tempo foi passando e logo, a clientela foi aumentando e mesmo sentido nojo de alguns clientes, eu me via obrigado a fazer aquilo, pela minha mãe”, fala ressaltando que um mês após estar na casa já estava transando com homossexuais ricos que lhe pagavam até $800 por uma transa. “Cada tostão que ganhei enviava para ajudar no tratamento de minha mãe e muitas pessoas devem estar se perguntando por que eu resolvi entrar nesta vida”, fala explicando que ele se viu entre a cruz e o punhal. “Eu precisava de muito dinheiro em pouco tempo, pois queria estar logo ao lado de minha mãe”, comenta.

Roberto fala que sua irmã já o avisou do tempo de vida de sua mãe e que está de passagem marcada para retornar ao Brasil no início de janeiro de 2010. “Infelizmente minha mãezinha não terá muito mais tempo de vida e quero ficar ao lado dela neste resto de vida. Meu sonho de comprar um carro e uma casa foi adiado, pois no mais importante foi manter minha mãe viva até quando Deus permitisse”, fala.

O acreano diz que não se arrepende do que fez e que se fosse preciso fazer tudo de novo para salvar uma pessoa amada, ele faria. “Só peço para as pessoas não me recriminar por isso”, conclui.

Fonte: (ABTN - Agência Brazilian Times de Notícias)