Publicado em 3/03/2010 as 12:00am

Texano é executado pelo assassinato de brasileiros

Michael Sigala estava em liberdade condicional por roubo e podia até sair de um centro de tratamento por abuso de drogas durante o dia, para procurar emprego. Num desses dias, ele matou violentamente um casal de brasileiros.

 

Michael Sigala estava em liberdade condicional por roubo e podia até sair de um centro de tratamento por abuso de drogas durante o dia, para procurar emprego. Num desses dias, ele matou violentamente um casal de brasileiros. Ontem, encontrava-se no corredor da morte com hora marcada para ser executado.

A execução foi ontem, Terça-feira, pela morte de Kleber Santos, um engenheiro brasileiro, na época com 28 anos, cuja esposa também foi morta no mesmo ataque, há quase uma década atrás, em seu apartamento na cidade de Plano, Texas.

Sigala é o terceiro a receber a injeção letal no Texas este ano, a primeira das quatro execuções programadas para este mês no estado americano mais ativo em aplicar a pena.

O Supremo Tribunal de Justiça dos EUA recusou a rever o caso na semana passada e não havia novos recursos ou apelo nos tribunais até o fechamento desta edição.

Michael Sigala, um morador de Plano, foi condenado por ter desfechado os tiros fatais em Kleber, cujo trabalho o levou para o Texas em janeiro de 2000, um mês depois do seu casamento com Lílian.  Ela havia permanecido no Brasil para continuar seus estudos de veterinária na Universidade de São Paulo. Foi ao Texas para visitar o marido, durante uma semana de férias da escola, naquele infeliz mês de agosto de 2000.

As provas mostraram que a mulher, de 25 anos de idade, foi estuprada e assassinada a tiros, várias horas depois que seu marido tinha sido morto. Seus anéis de casamento estavam entre vários itens roubados durante o assalto. Sigala também foi acusado por sua morte, mas não julgado pelo segundo crime.

Seus corpos foram encontrados por um vizinho, depois que Kleber não apareceu no emprego, onde trabalhava como engenheiro de software, para um fabricante de telefones celulares, em Richardson, cidade próxima a Plano. As mãos de sua esposa foram amarradas com fio de telefone, também usado para o estrangulamento.

"Deve ter sido um horror, especialmente quando a gente imagina o marido estar morto na frente dela. Levou uma surra do bandido, teve as roupas rasgadas e retiradas de seu corpo, foi amarrada e estuprada”, afirmou , Debbie Harrison, promotora pública assistente do condado de Collin, que processou o caso.

Sigala foi preso cerca de dois meses depois, quando uma câmera fotográfica, roubada do apartamento, foi encontrada em uma loja de penhores em Arlington, a cerca de 30 quilômetros a sudoeste de Plano. Esse achado também levou os investigadores aos anéis de casamento do casal, que haviam sido penhorados em Dallas.

Em uma declaração, gravada pela polícia depois de feita a prisão, ele inicialmente negou qualquer envolvimento, mas depois disse que matou o casal para se defender, porque Kleber atingiu seu cúmplice com um taco de beisebol. As autoridades não encontraram nenhuma evidência de um segundo atacante. "Eu me assustei", disse Sigala aos detetives. "Eu não queria machucar ninguém”.

Michael argumentou que ele e o amigo, que conhecia apenas pelo apelido de Billy, foram ao apartamento para vender heroína, mas as autoridades não encontraram nenhum vestígio ou provas de que Kleber e sua esposa tivessem usado drogas.  O resultado do exame toxicológico também não encontrou drogas ilegais em qualquer das vítimas. O DNA do assassino foi encontrado em amostras de sêmen encontradas no chão, ao lado de uma cama.

"Ele ficou no apartamento bastante tempo", disse a promotora Debbie Harrison. "Sentou-se

numa das poltronas e assistiu TV. Depois, limpou o apartamento completamente”.  As autoridades não descobriram porque o apartamento do casal foi o escolhido para o crime.

No julgamento, os advogados de defesa alegaram, sem êxito, pela prisão perpétua, afirmando que o uso rotineiro de drogas e a falta de uma vida familiar durante a adolescência, teriam contribuído para a sua atividade criminosa.

Quando foi preso, Sigala estava com 10 anos de prisão condicional por um roubo realizado em 1999. Ele já tinha passado 30 dias na cadeia e depois foi levado pela segunda vez a um centro de tratamento para dependentes de tóxicos, em Wilmer, ao sul de Dallas, como parte de sua liberdade condicional.  No dia dos assassinatos, ele tinha conseguido um passe de 24 horas para procurar emprego, um dos requisitos para a sua liberação permanente.

Ele já tinha anteriormente violado a condicional por uso de drogas ilegais. Como preso juvenil, estava em liberdade condicional por roubo. Aos 13 anos, foi preso por causa de um assalto com roubo. Um ano depois, foi expulso da Plano Public Schools, por andar armado dentro da escola. (da AP, tradução de Phydias Barbosa)

Sendo este um assunto controverso, o da pena de morte, o BT gostaria de saber a opinião dos seus leitores. E você? É a favor da pena de morte? Mande sua opinião para: op@braziliantimes.com

 

Fonte: (tradução: Phydias Barbosa)