Publicado em 10/03/2010 as 12:00am

Família de americano morto por policial no Brasil clama por justiça

Joseph Martin dava aulas de inglês no Rio de Janeiro. Ele foi baleado por um policial durante uma discussão em um bar da cidade


 

A família do americano Joseph Martin, de Worcester – MA e morto há 3 anos no Brasil por um policial durante uma discussão em um bar, clama por justiça faltando apenas algumas semanas para mais um julgamento do caso. 

O americano Joseph Martin, 30 anos, foi baleado por um policial civil no Brasil em março de 2007, enquanto comemorava seu aniversário em um bar situado no Rio de Janeiro. Após uma briga com um policial, ele foi alvejado pelo oficial, que à época afirmou que se tratou de auto-defesa. A família do americano, porém,  disse que o americano não estava nem mesmo armado, estando há pelo menos 5 metros do policial durante a discussão.

A tragédia tem gerado uma batalha diplomática desde então, e uma audiência está marcada para acontecer nas próximas semanas,  mas a família da vítima diz que não espera que a justiça seja feita. “ Estamos tentando ‘jogar luz’ sobre as injustiças envolvendo autoridade policial que acontecem no Brasil todos os dias, mas é um lugar em que a impunidade é maior que a justiça” desabafa a tia de Joseph, Marilyn Martin à TV WBZ. A notoriedade da corrupção policial no Brasil tem sido tema de investigação de organizações de defesa dos direitos humanos. Joseph Martin vivia no Brasil dando aulas de inglês.

A briga fatal com o policial continua a revoltar Gina Warren, uma das suas melhores amigas. “ As últimas palavras de Joseph foram ‘Vai me matar ? Estão todos assistindo!’. Claro que foi um desabafo desesperado, uma maneira de encarar o autoritarismo do policial, porque provavelmente ele pensou que as leis no Brasil seriam as mesmas que aqui” afirmou ao canal.

O americano também estava escrevendo um livro e o último capítulo foi finalizado por um amigo no Brasil que , segundo testemunhas, desapareceu. Agora a tia de Joseph guarda todas as esperanças para o julgamento e a condenação do policial. “ Não dará em nada. Embora não queira julgar antes da hora, eu não espero que ele será condenado", disse ela. Fernando Delgado, um dos ativistas da Harvard Law School em favor dos direitos humanos, afirma também o pessimismo quanto ao julgamento. Para ele, de ‘julgamento’ a audiência só terá o nome. “ Há um conflito de interesses. Quando a polícia investiga a si mesma, é difícil haver justiça.  É uma organização de mal treinados, mal supervisionados e ‘extremamente zelosos’ policiais , que estão cada vez mais incapacitados para atuar nas ruas do Brasil” afirma Marilyn.

Fonte: (Da redação)