Publicado em 28/04/2010 as 12:00am

Republicanos querem tirar benefícios públicos dos imigrantes em MA

Nesta semana, alguns legisladores e dois candidatos republicanos às eleições no fim do ano, discutiram uma lei que privaria os indocumentados de acessar serviços públicos de assistência à classe de baixa renda do estado

 

A aprovação de uma lei que torna a imigração ilegal um crime no Arizona na última semana, parece ter encorajado outras iniciativas de políticas discriminatórias contra os imigrantes, dessa vez em Massachusetts. Essa semana, alguns legisladores democratas e dois candidatos republicanos ao governo do estado, discutiram uma lei que privaria os indocumentados de acessar serviços públicos de assistência à classe de baixa renda do estado.

Incluindo programas como o Food Stamp, que dá ajuda financeira para se comprar alimentos, e o WIC, de assistência às gestantes, o bloqueio de acesso aos imigrantes divide opiniões no congresso do estado. “ Nós não podemos nos dar ao luxo de fornecer dinheiro à aqueles que estão infringindo a lei do país” afirmou o deputado republicano Jeffrey D. Perry, que apresentou uma emenda no orçamento que forçaria os orgãos estaduais responsáveis a verificar o status migratório dos aplicantes com as autoridades federais de imigração antes de aprová-los. 

“Se nosso programa de assistência de moradia pública tivesse essa política, a tia do nosso presidente não estaria apta a ter acesso a esse benefício, custeado pelos contribuintes” completou Perry, se referindo a Zeituni Onyango, uma imigrante indocumentada do Kenia, que residia num apartamento financiado pelo estado, em South Boston.

A medida, apresentada por Perry, enquanto inicia a campanha para ocupar a vaga deixada pelo deputado federal William Delahunt,  vem em meio a um furor nacional desencadeada por uma polêmica lei no Arizona que torna a imigração indocumentada um crime no estado, gerando um novo desafio para o Governo Obama.

O tesoureiro do estado, e candidato independente a governador, Tim Cahill,  diz apoiar a medida, justificando que os contribuintes não podem financiar programas que ajudem aqueles que estão irregularmente no país. “ Não devemos dar dinheiro daqueles que  contribuem com impostos para quem está aqui ilegalmente. É passar a imagem errada do uso do nosso orçamento, gastando um dinheiro que nós nem mesmo temos” disse Cahill.

O pré-candidato republicano ao governo do estado, Charles D Baker, disse em um comunidade na segunda – feira (26) , que ‘ não faz sentido fornecer suporte público para aquelas pessoas que estão residindo ilegalmente em Massachusetts, enquanto muitos cidadãos ainda esperam em listas de espera para serem beneficiados’.

Até mesmo o governador Deval Patrick, que apóia o Dream Act, e igualdade nos direitos estudantis para quem se graduou em High Schools na Bay State área , disse que o estado deve limitar o acessos dos imigrantes a alguns programas de assistência pública. “ Eu acredito que estamos fazendo um ótimo trabalho, mas sempre há espaço para desenvolvermos nossas políticas nessa área” disse Patrick ao jornal Boston Herald.

Além de ganhar entusiastas entre a ala republicana, a polêmica medida tem ganhado aliados entre os democratas do estado. “ Esse é um tópico fundamental para ser colocado aos eleitores” disse o deputado democrata James Miceli, um dos vários democratas que são a favor da medida.“Eu penso que o projeto poderia ganhar muito suporte entre aqueles que irão às urnas” completou.  A oposição à iniciativa já se manifestou acerca do tema. O deputado democrata Antonio Cabral disse se opor ao projeto, afirmando que o estado já utiliza um sistema de verificação para alguns serviços, salientando que o sistema é obsoleto. O Departamento de Assistência Transitória realiza uma verificação federal para a maioria dos aplicantes à programas públicos de assistência social. Apesar disso, não há uma política que impossibilite os indocumentados de acessar serviços do estado como Moradia Pública, Seguro Desemprego e compensação financeira para aqueles que sofreram acidentes de trabalho.

Fonte: (Da redação)