Publicado em 5/05/2010 as 12:00am

Gradilone pode assumir cargo de Oto Agripino

Entre os assuntos abordados, o embaixador falou das eleições para o CRBE, polêmicas no consulado de Boston

 

Por Luciano Sodré


No mês de setembro acontecerá o remanejamento de cônsules dos consulados brasileiros espalhados pelo mundo. Também acontecerá a troca do subsecretário-geral das Comunidades Brasileiras no Exterior-SGEB. Atualmente quem ocupa o cargo é o embaixador Oto Agripino Maia, o qual será encaminhado para assumir a embaixada em Atenas, na Grécia.

Apesar de não ser uma nota oficial, o nome do embaixador Eduardo Gradilone foi o indicado para assumir a posição de Oto. Durante uma entrevista ele falou dos propósitos caso venha assumir de fato o cargo. Ele não negou a indicação, mas deixou claro que só falará como indicado depois que o Ministério de Estado anunciar oficialmente o desligamento de Oto Agripino.

Mesmo não querendo falar como indicado ao cargo, Gradilone afirmou que a mudança de cargo acontecerá, pois Oto será encaminhado para a Grécia. “Qualquer passo ou apresentação de proposta será feita se e quando a designação for oficializada”, explica.

Atualmente Gradilone é diretor do Departamento Consular e de Brasileiros no Exterior, cargo que está subordinado à SGEB.  Acompanhe parte da entrevista:

Brazilian Times – Qual o principal problema dos brasileiros no exterior?

Eduardo Gradilone – Sem sombra de dúvidas o maior problema são os brasileiros indocumentados e a irregularidade migratória aliada à vulnerabilidade a que esta situação os expõe.

Brazilian Times – O que pode ser feito para amenizar o sofrimento dos brasileiros no exterior, principalmente dos indocumentados?

Eduardo Gradilone – Prestação de informações sobre a regularização e negociações de Governo a Governo, visando facilitá-la

Brazilian Times – Qual a área (país) que precisa de uma maior atenção por parte do governo brasileiro?

Eduardo Gradilone – Os países que demandam maior atenção da área consular do Ministério das Relações Exteriores – MRE são a Bolívia, Paraguai e região das Guianas, inclusive o Suriname.

Brazilian Times – O número de consulados brasileiros é suficiente para atender a população brasileira no exterior?

Eduardo Gradilone – Os objetivos são alcançados gradativamente e estamos caminhando para tornar a rede consular suficiente para atender a essa demanda. O número de repartições tem aumentado e foi apresentado como proposta a criação de novos consulados, em especial na Europa, onde atualmente há deficiências.

Brazilian Times – Uma situação sensível formou-se em torno do Consulado Brasileiro em Boston, com denúncias e ataques direto ao cônsul Mário Saade. Caso assuma a subsecretaria, o senhor terá poder para intervir ou tentar resolver o problema?

Eduardo Gradilone – O excesso de demanda por serviços consulares levou o consulado-geral em Boston a enfrentar alguns problemas. Medidas estão sendo tomadas para saná-los. Ressalto que a mudança do cônsul Mário Saade de Boston para outro posto não tem nada a ver com as críticas e problemas citados. Estamos planejando realizar consulados itinerantes em Boston para tentar satisfazer um pouco a demanda.

Brazilian Times – Como está o andamento das eleições para membros do Conselho de Representantes dos Brasileiros no Exterior – CRBE?

Eduardo Gradilone – Estamos em processo de contratação da empresa que ficará encarregada dos aspectos técnicos do pleito, que ocorrerá via eletrônica. Tão logo isso seja concluído, daremos seguimento nos demais passos.

Brazilian Times – Em Massachusetts a briga pelos cargos partiu para ataques pessoais entre alguns candidatos. Qual a sua avaliação sobre isso?

Eduardo Gradilone – Considero os debates e discussões importantes, desde que não degenere para agressões. Partir para ofensas pessoais e ataques físicos faz com que o candidato perca oportunidade de apresentar suas propostas e mostrar para a comunidade que tem qualificações para o cargo.

Brazilian Times – Qual a força deste representante depois de eleito?

Eduardo Gradilone – Antes da força, o representante terá que estar à frente, não apenas da sua localidade, mas da região geográfica que o elegeu. Deverá colaborar com o MRE na preparação das Conferências Brasileiras no Mundo, receber e encaminhar propostas em benefício da comunidade. Também acompanhará o atendimento a essas demandas pelo Governo e o aconselhará na formação de políticas públicas voltadas para os brasileiros no exterior.

Fonte: (Da redação)