Publicado em 26/05/2010 as 12:00am

Fraudes em remessas podem ter lesado milhares de brasileiros

A Polícia Federal, o Ministério Público Federal do Brasil e o FBI estimam que apenas nos últimos nove anos centenas de milhões de dólares tenham sido remetidos ilegalmente para o Brasil por doleiros e o esquema de fraudes pode ter lesado milhares de traba

 

A Polícia Federal, o Ministério Público Federal do Brasil e o FBI estimam que apenas nos últimos nove anos centenas de milhões de dólares tenham sido remetidos ilegalmente para o Brasil por doleiros e o esquema de fraudes pode ter lesado milhares de trabalhadores que não viram seu dinheiro chegar ao destino final. As remessas podem ter sido feitas em operações mascaradas por cotações falsas do valor da moeda americana com relação ao preço do câmbio com relação ao real.

Nos últimos cinco anos mais de 40 empresas fraudulentas foram fechadas por realizarem operações ilícitas e entre elas estão algumas lojas brasileiras. A última a se envolver neste tipo de escândalo foi a loja Bem Brasil, do empresário Márcio Mansur, em Danbury, Connecticut. Ele foi condenado em janeiro pela justiça a 2,4 anos de cadeia por estar envolvido com as mesmas acusações que levaram as proprietárias da RM Insurance, Renata Amaral e Mônica Teixeira, também de Connecticut, a serem presas há um ano, sob a acusação de lavagem de dinheiro e remessas irregulares. Os três foram acusados de desviar mais de US$ 18 milhões em remessas que deveriam ter sido enviadas ao Brasil entre março de 2006 e março de 2008.

 E o trabalhador que faz a remessa vive uma situação inusitada: é vítima da fraude e não tem onde recorrer porque  participa de uma operação complexa realizada pelos doleiros que cometem crimes contra o sistema financeiro (evasão de divisas, lavagem de dinheiro e atuação irregular de instituição financeira).

Para se prevenir, quem envia o dinheiro deve considerar detalhes importantes: ver se no seu comprovante de envio há o nome da loja, o nome e o número de telefone da empresa operadora da remessa e o número da licença na Divisão dos Bancos dos Estados Unidos.

As empresas licenciadas fornecem garantias extras para quem envia o dinheiro. Elas são obrigadas a operar com a proteção de seguro que pode ser vital para o reembolso do dinheiro em caso de extravio.

A investigação da Polícia Federal sobre crimes financeiros e lavagem de dinheiro deflagra várias operações complexas que prendem rotineiramente doleiros acusados de lavagem de dinheiro. E esse é o grande risco que corre o trabalhador que envia dinheiro. Caso o doleiro que esteja operando uma transação ilícita de envio para o Brasil seja preso, todas as remessas realizadas em suas contas-correntes são paralisadas e o prejuízo alcança em cada operação milhões de dólares.

Apenas na operação batizada pela Polícia Federal de Roupa Suja a estimativa é de que as quadrilhas tenham movimentando quase US$ 20 milhões. Parte deste dinheiro saiu dos Estados Unidos em forma de remessas de imigrantes para suas famílias. Os lesados não puderam ser reembolsados.

Segundo agentes da polícia, muitos lojistas, como Márcio Mansur, acabam sendo recrutados pelos doleiros. Como estão em lojas estabelecidas, as pessoas enviam seu dinheiro, mas não há garantia alguma. Há comerciantes que negociam as taxas de câmbio no balcão e, como operam também com empresas credenciadas pelo governo americano, eles checam a cotação do dólar online e acabam negociando ‘por baixo da mesa’ com as taxas dos doleiros.

Além de ilegal, a operação de transferência é repleta de riscos. Por isso, as autoridades advertem para que as pessoas desconfiem de câmbios muito baixos e chequem sempre se há no recibo o nome e o número de telefone da empresa operadora da remessa.               

Fonte: ( Por Beto Moraes)