Publicado em 7/07/2010 as 12:00am

Produtos brasileiros são destaques em plantio na UMASS

Agricultores vêem oportunidades em produtos hortigranjeiros plantados por imigrantes

 

Maxixe, um primo brasileiro do pepino americano, é relativamente desconhecido nos EUA, mas pode um dia ser tão comum como o coentro, se os agricultores e usuários passarem a consumir mais os chamados produtos hortigranjeiros étnicos.

Especialistas em Agricultura da Universidade de Massachusetts de Amherst estão ensinando agricultores a cultivar legumes não-nativos, mas que fazem parte do consumo do mercado crescente de imigrantes Africanos, Asiáticos e da América Latina.

“Estes imigrantes e seus filhos já representam mais de um terço dos consumidores desses produtos à venda em supermercados”, disse Frank Mangan, professor de ciências de plantas e solos da UMass. “E como os clientes se tornam mais familiarizados com comidas típicas, os especialistas esperam que as vendas cresçam ainda mais”.

O número de mercados gênero horti-fruti de Massachusetts, que vendem vegetais étnicos, saltou para 202 no ano de 2009, disse Scott Soares, comissário do Departamento de Recursos Agrícolas do Estado. 

Bob Ehart, diretor de políticas públicas da Associação Nacional de Secretarias de Estado da Agricultura, disse que a organização não acompanha a popularidade de culturas étnicas, mas a tendência lançada em Massachusetts parece estar acontecendo em outros estados.

”As vendas de produtos hortigranjeiros étnicos têm se beneficiado das campanhas de marketing chamada de "Buy Local" e da legislação federal, que distribui bolsas-fazenda aos estados, para ampliarem a produção de culturas especiais”, disse ele. Há também uma maior ênfase em produtos hortigranjeiros nos mercados de Nova York e Nova Jersey, a partir de programas destinados à venda de produtos para grupos étnicos.

Glen Hill, diretor-executivo da Associação dos Alimentos do Estado de Minnesota, observou que o coentro era considerado um item de especiaria há 25 anos, mas "agora é usado a nível continental”. Bok choy, uma couve chinesa, também foi considerada exótica. "Agora, é mais uma folha verde", disse Hill.

Sua associação ajuda, entre outros imigrantes, agricultores do Quênia, do México e outros países a se adaptarem à agricultura americana e apresenta-os aos mercados locais, onde são capazes de vender quantidades cada vez maiores de mostarda, feijão e outras culturas étnicas.

"Existe uma demanda enorme para esses produtos em restaurantes, lojas de pequeno porte, grandes lojas e mercados de horti-fruti” (farmers market), disse ele.

Com o maxixe e o chipilin - uma leguminosa do México e América Central - entre outros, a UMass também planta jiló, um produto parecido com a berinjela, cultivado no Brasil e na África Ocidental, e a mora hierba, da família do tomate.

Eles vendem legumes cultivados em sua fazenda de pesquisa para a Whole Foods Market [WFMI] e mercados de Nova York, Washington, DC, Nova Jersey, Rhode Island e outros lugares. Estudantes da UMass, incluindo alguns da América Latina, lidam com o marketing.

Mangan disse que a UMass está montando um pacote de comercialização para os agricultores, que inclui onde e como vender seus produtos e a os ajuda a ajustar seus preços de acordo com o mercado.

”Mesmo que os agricultores cultivem apenas algumas culturas étnicas, beneficiam-se com uma variedade maior de produtos, que reduz a probabilidade de sérios problemas financeiros, se uma ou duas colheitas falharem”, Mangan disse.

Bill Barrington, gerente de vendas da Pioneer Valley Growers Association, um grupo de 30 agricultores no vale do Rio Connecticut, no oeste de Massachusetts, disse que (produtos) das culturas étnicas representam uma pequena parte do que plantam, em comparação com itens como milho doce, pimentão e pepino, já tradicionais. Mas ele afirmou que isso poderia mudar com o aumento da imigração.

"Eu não sei se a demanda vai ser tão grande como a das abobrinhas, mas de acordo com a evolução do mercado, esses produtos étnicos terão sua importância", disse Barrington.

O Whole Foods Market compra produtos da fazenda agrícola coordenada por Mangan diretamente para a sua cadeia de supermercados. Mas somente legumes e vegetais destinados às culturas étnicas. O WFM também trabalha com agricultores, para estimular a produção de produtos hortigranjeiros que tenham feito sucesso com os consumidores. Sou também influenciado por artigos em revistas especializadas e com resultados apresentados pelos restaurantes”, disse Bill McGowan, Coordenador de produtos hortigranjeiros do Whole Foods, de Cambridge, Massachusetts.

"Nós sempre avisamos aos agricultores o que está vendendo mais", disse McGowan. "Eles estão sempre interessados em coisas novas e originais, que possam atingir o mercado”.

Mas nem todos os supermercados estão vendo essa demanda com bons olhos. O proprietário do Russo´s, uma mercearia familiar tradicional em Watertown, Massachusetts, disse que precisa ser cauteloso sobre a venda de produtos étnicos em seu bairro, que abriga imigrantes de diversas partes do mundo.

"Não estou confiante, não creio que meus clientes se interessem", disse Tony Russo. "É preciso ter cuidado com os produtos que vocês plantam, porque nem sempre o mercado estará apto a apoiá-los."

Fonte: (tradução: Phydias Barbosa)