Publicado em 9/08/2010 as 12:00am

Brasileira fica presa em esgoto durante travessia

A história de Roberta Cristina de Oliveira, uma paulista de 34 anos de idade, é baseada na luta e na garra de vencer na vida. De origem humilde

 

A história de Roberta Cristina de Oliveira, uma paulista de 34 anos de idade, é baseada na luta e na garra de vencer na vida. De origem humilde, ela vem de uma família de seis irmãos e começou trabalhar quando ainda tinha 12 anos de idade. Em um bate-papo descontraído, conta que seu pai vendia pipoca no portão da escola e sua mãe lavava roupa para fora. “O que ganhavam era pouco e não dava para manter as despesas”, fala.

Vivendo uma vida totalmente diferente, Roberta se emociona quando recorda das noites que ia dormir com fome. “Apesar de pouca idade eu via nos olhos dos meus pais a tristeza e angústia por não ter condições de dar para os filhos uma vida digna”, fala ressaltando que mesmo sem dinheiro, todos os irmãos foram bem educados e, hoje, cada um tem uma profissão.

Mas o destino desta paulista determinada foi diferente do resto da família. Ela decidiu ajudar seus pais e quando saia da escola, ia para os sinais de trânsito vender doces, frutas e alguns pequenos objetos como canetas e chaveiros. “Não ganhava muito mais o pouco que levava para casa dava para comprar um pouco de comida”, fala acrescentando que dois dos seus irmãos também começaram trabalhar ainda na infância.

Com o passar do tempo ela cresceu e se tornou uma bela jovem, mas sempre com o propósito de encontrar a oportunidade que lhe faria sua vida mudar. Os planos de Roberta eram conseguir um bom emprego e dar uma vida melhor para seus pais. Foi quando conheceu um cara conhecido por Tito, o qual se apresentou como agenciador de pessoas que ajudaria ela a emigrar para os Estados Unidos e trabalhar ganhando muito.

Ela não pensou duas vezes e conforme acertou com o agenciador, ela só pagaria a conta de $12 mil quando chegasse ao destino. Este valor foi pago parcelado e demorou pouco menos de um ano para que Roberta conseguisse quitar a dívida. Há dois anos e meio residindo neste país, ela já conseguiu comprar uma casa para seus pais e mensalmente envia dinheiro para evitar que eles precisem trabalhar. “Para chegar até onde cheguei eu sofri muito, sou uma imigrante indocumentada e não tenho vergonha de nada que eu fiz”, conta.

Roberta fala que quando chegou na cidade de Tucson, estava em um grupo de oito pessoas, numa casa e de repetente um dos coiotes chegou assustado gritando para que todos saíssem, pois o local havia sido denunciado para a imigração. Sem saber o que fazer, ela o seguiu. Todos entraram em uma tubulação de esgoto que ficava nas proximidades.  Além de muito escuro, fedia muito, devido aos animais mortos que eles encontraram pelo caminho.

A paulista se lembra que durante a caminhada de 15 minutos, vomitou muito devido ao forte odor e falta de ar. “Uma água suja, densa, e pelo caminho encontramos muitos pedados de madeira e animais mortos”, ressalta salientando que maior parte do caminho foi feito de quatro devido o tamanho da tubulação.

O coiote ordenou que o grupo parasse e ficasse em silêncio. Ele se retirou e demorou 10 minutos para voltar. Roberta conta que o mau cheiro era insuportável e quase não dava para suportar. “Eu pensei que o coiote tinha nos abandonado”, fala.

Para o grupo, os 10 minutos que ficaram esperando o coiote voltar pareciam uma eternidade. Ela recorda que ouvia barulho de carros e imaginava estar sob uma rua bem movimentada. Assustada ela chamou um dos amigos do grupo e andou um pouco mais até avistar uma boca de bueiro semi-aberta. O rapaz fez uma escada com as mãos e ela subiu para ver o que estava acontecendo. Por um pequeno espaço, Roberta viu o coiote conversando com uma pessoa que parecia ser norte-americano. Logo em seguida encostou um caminhão baú. Eles estavam em uma rua sem fim (beco sem saída).

O coiote retornou e quando viu Roberta espiando gritou para que ela chamasse os outros e saíssem rápido do local e entrassem na traseira do caminhão. “Todos estavam sujos e molhados pela água do esgoto”, fala.

A viagem na traseira do veículo durou meia hora e Roberta e os demais membros do grupo só puderam tomar banho quando chegaram a um apartamento de três quartos. Roberta conta que depois disso não passou mais por nenhum perigo e que dois dias depois estava em Massachusetts.

Desde que chegou a este país, ela trabalha como dançarina na mesma casa de streaper.  “Nunca fiz programa sexual, e foi com o dinheiro que ganhei dançando que consegui pagar os $12 mil e ainda dar uma vida digna para meus pais”, se emociona ao lembrar-se da família. “Quero ajudar ainda mais todos os meus irmãos e meus pais”, ressalta.

Fonte: (Da redação)