Publicado em 20/08/2010 as 12:00am

Centro do Imigrante recupera salários para grupo de brasileiras

Nesta semana, o Centro do Imigrante Brasileiro ajudou mais um grupo de empregados a recuperar salários não-pagos

 

Nesta semana, o Centro do Imigrante Brasileiro ajudou mais um grupo de empregados a recuperar salários não-pagos. O grupo, composto por sete brasileiras que realizavam limpeza em um hotel de New Hampshire para a companhia EcoClean, dirigiu-se ao centro nesta segunda-feira, dia 16, para receber a primeira parcela de seus cheques. O dinheiro recuperado totaliza mais de $4,600 e é fruto do trabalho conjunto dos trabalhadores com o Centro.

As brasileiras - Ana Paula Vieira, Cíntia Lages , Maria e Flávia Casagrande, Nalva Gomes, Alexandra Faria e Vívian Oliveira - entraram com sua queixa em maio, lideradas pelas colegas Alexandra Faria e Vívian Oliveira. O proprietário da EcoClean havia deixado o grupo sem pagamento depois de perder o contrato com o hotel.

“Ficamos sabendo sobre o Centro através de outra pessoa que teve um caso resolvido aqui há cerca de três anos e meio”, lembrou Alexandra, durante sua visita ao Centro na segunda.

Na ocasião, as brasileiras também participaram de uma clínica com membros do Centro do Imigrante para aprenderem mais sobre seus direitos.

Um dos maiores problemas que o Centro enfrenta na hora de auxiliar outros trabalhadores explorados é o medo. Os empregados em status imigratório irregular, por exemplo, temem ser deportados se levarem uma ação contra seu empregador e isso acaba inibindo muitos de buscarem melhores condições trabalhistas.

“No começo o grupo era bem grande, mas não conseguimos juntar a todos por causa do medo”, lembra Vívian de Oliveira.

O que muitos desconhecem, contudo, é que a promotoria pública em Massachusetts não tem interesse no status imigratório do trabalhador e sim na violação de direitos trabalhistas. Por isso, a prioridade do Centro não é apenas recuperar o salário, mas também informar o operário para que, ao perder o medo, possa assegurar melhores condições trabalhistas para si e outros companheiros no futuro, explica Evaldo Borges, presidente do quadro diretor da organização.

“Ao educar o trabalhador, ao tentar solucionar sua causa, este trabalhador acaba ajudando outras pessoas lá na frente a perderem o medo e reinvidicarem seus direitos”, ressalta. “Nós nos sentimos bem ao ajudar o trabalhador a recuperar seu dinheiro, mas a missão do Centro vai mais além. Nós somos um local onde o trabalhador vem se informar sobre as leis trabalhistas do estado para evitar que outros venham explorá-lo no futuro.”

E a lição foi aprendida pelo grupo de brasileiras que deixaram o CIB certas de utilizar a informação recebida para defenderem seus direitos no futuro e ajudarem outros a fazerem o mesmo.

 “Nós sabemos que temos que ter a consciência de divulgar, de apóiar o trabalhador, de ajudar nossa classe. Existem pessoas que estão sendo injustiçadas por falta de conhecimento ou por medo de serem entregues à imigração. Nós vemos isso todos os dias”, diz Alexandra Faria.

O Centro do Imigrante está aberto de segunda à quinta, das 10h às 16 horas para atendimento ao público, que inclui, entre outros, agendamento consular, classes de inglês e assistência geral. O Centro também recebe novos casos de queixas trabalhistas às quartas-feiras, à partir das 10 da manhã.

Interessados também podem ajudar o trabalho do Centro do Imigrante tornando-se membros. A taxa de membresia é de $40 dólares ao ano. Maiores informações podem ser obtidas através do telefone (617) 783-8001 ou e-mail bic@braziliancenter.org.

Fonte: (Da redação)