Publicado em 1/09/2010 as 12:00am

Escola é acusada de fraude de vistos de estudantes

Para o advogado especializado em Imigração, Jared Tanz, os alunos devem se conscientizar de suas obrigações, cumprindo o número mínimo de horas/classes estipuladas e evitando até mesmo a gravidez

 

A proprietária e uma funcionária de uma escola de inglês para estudantes internacionais em Miami – FL, foram sentenciadas na Côrte da cidade nessa semana, após assumirem a culpa na acusação de estarem concedendo vistos de estudante de forma irregular. A escola é conhecida por ter vários alunos brasileiros. 

A responsável pela escola, Lydia Menocal, de 58 anos, foi sentenciada a quinze meses de prisão e dois anos de liberdade condicional e supervisionada, além de arcar com uma multa de $5.000. Ela também terá que ceder $ 600.000 em dinheiro e bens para o governo dos Estados Unidos. A funcionária Ofelia Macia, de 75 anos, foi sentenciada há um ano de ‘probation’ e terá que pagar uma multa de $1.000.

As sentenças impostas na sexta – feira passada, fecham um capítulo em uma ampla investigação do Immigration and Customs Enforcement's (ICE), onde foram realizadas quase 116 prisões, de acordo com dados da instituição. Autoridades de Imigração disseram que a escola concedeu vistos de estudantes a alunos que não tinham horas e número de classes necessárias para a manutenção dos vistos.

Após o atentado de 11 de Setembro de 2001, o governo norte-americano apertou o cerco na monitorizarão de estudantes internacionais, para ter certeza que os mesmos apareceriam às classes e fariam as horas necessárias para a manutenção do status migratório. “Esse caso serve de aviso para outras instituições de educação que estão agindo contra a lei nessas obrigações” disse Anthony V. Mangione, agente especial do ICE em Miami.

Segundo dados da investigação, 95% dos alunos matriculados na escola tinham freqüência bem abaixo do mínimo exigido

A operação se iniciou em novembro de 2007, quando agentes receberem a denúncia de que a escola não exigia que seus alunos prestassem a carga horária mínima de 18 horas por semana, como manda a legislação do país. O órgão pretende ser mais rigoroso principalmente em áreas com grande concentração de imigrantes como Massachusetts, onde se tem várias escolas do mesmo perfil e milhares de imigrantes que o visto de estudante.

Para o advogado especializado em Imigração, Jared Tanz, os alunos devem se conscientizar de suas obrigações, e mesmo que a escola não cobre corretamente o compromisso do aluno, eles devem procurar não ter problemas com a lei. “ Ele é um imigrante que está sendo assistido, portanto, deve se precaver para não cometer nenhum delito que o leve a ser preso ou que crie uma dívida com a justiça. É também importante manter uma boa situação acadêmica, não ficar além do prazo estipulado no formulário do status (I-20), comparecer às classes, e deixar claro que ele está aqui por um tempo apenas, que não planeja ficar permanentemente. Até uma gravidez pode comprometer a renovação ou extensão de um visto de estudante, pois demonstra que a pessoa criou laços com o país, que a fará tomar a decisão de ficar” afirma o advogado que atua em Massachusettts. “ O governo quer ter a certeza que a pessoa voltará para seu país de origem após o período de estudo” reintera.

 

Jared alerta porém, que o estudante internacional tem muitos dos mesmos direitos que os cidadãos americanos enquanto o status estiver válido. “Eles tem o direito de viajar dentro do país e retornar para onde estão residindo sem problemas. É importante apenas que eles informem o ICE sobre alguma mudança na sua matrícula escolar ou até mesmo uma mudança de endereço. Eles estão protegidos pela maioria dos direitos constitucionais que protegem os cidadãos americanos, e podem ter o direito de, por exemplo, retirar a carteira de motorista do estado, além de pleitear férias” revela o advogado, que aconselha que ‘estudantes pesquisem acerca da credibilidade da instituição onde estão aplicando antes de se decidirem por qual matricular’.   

 

Fonte: (Da redação)