Publicado em 15/09/2010 as 12:00am

Brasileiro luta por asilo nos EUA para não retornar ao Brasil

Depois de quase 20 anos foragido da justiça brasileira, o mineiro João Maximiano de Oliveira, 40 anos, foi preso por agentes do FBI. Ele é acusado pelo homicídio de um advogado e estava morando, ilegalmente, nos Estados Unidos

 

Depois de quase 20 anos foragido da justiça brasileira, o mineiro João Maximiano de Oliveira, 40 anos, foi preso por agentes do FBI. Ele é acusado pelo homicídio de um advogado e estava morando, ilegalmente, nos Estados Unidos, durante todo este período. Devido ao seu status imigratório, ele foi entregue nas mãos do Immigration and Custons Enforcement-ICE, para dar início ao seu processo de deportação.

Maximiano, bastante conhecido na comunidade brasileira da Flórida pelo apelido de Xurupita, foi preso em abril de 2009, mas há uma semana a sua história tomou um novo rumo. O mineiro luta para não ser deportado. Ele, sem advogado, tenta conseguir asilo neste país sob alegação de que sua vida corre risco de morte se voltar ao Brasil.

Ele, que ainda está preso no centro de dentenção do ICE, em Miami, na Flórida, disse, por telefone à alguns jornais locais que luta pela sua extradição. “Eu não quero ser deportado e temo pela minha vida”, fala. Xurupita está fazendo a sua própria defesa e luta pela extradição há mais de um ano. “Mas até agora todos os pedidos foram negados, inclusive o de fiança”, relata.

Xurupita acrescenta que não está fugindo de sua culpa, mas quer que todos entendam que o assassinato foi em legítima defesa e que o advogado assassinado fazia parte de um grupo de extermínio que atuou nas décadas de 60 e 70 e era conhecido por Escuderia Le Cocq. “Só estou lutando para proteger a minha filha”, salienta.

Em seu depoimento, ele disse que o crime aconteceu porque defendeu a sua vida e que depois do crime, foi ameaçado várias vezes. Foi então que decidiu fugir e se mudar, ilegalmente, para os Estados Unidos. Mesmo depois de tanto tempo após o assassinato, Xurupita afirma que tem medo de morrer motivado por vingança. “Apesar do grupo de extermínio ter sido desativado, os seus ex-membros estão espalhados por todo o país”, fala.

O ICE tentou, por três vezes, deportar o brasileiro, mas ele sempre se recusava e quando isso acontece em um voo comercial, o comandante da aeronave pode escolher não levá-lo para garantir a segurança dos demais passageiros e tripulantes. Isso aconteceu nos dias 4, 14 e 25 de agosto deste ano.

No último caso (dia 25), ele conta que foi levado a um voo da American Airlines e precisou ir ao banheiro. Os oficiais o obrigaram a usar o do avião e colocaram uma toalha sobre as algemas para que ninguém soubesse que se tratava de um caso de deportação. Quando ele foi obrigado a permanecer no interior da aeronave, levou as mãos mostrando que estava algemado e contou toda a sua história para as pessoas. “Eu quero apenas ser extraditado e que o governo brasileiro garanta minha segurança ao governo norte-americano”, disse ele.

Os policiais tentaram acalmar e forçá-lo a ficar no interior do avião. Foi então que o brasileiro se machucou e teve que ser conduzido a um hospital, com crise de hérnia. Após ser medicado, ele foi levado, novamente, para a casa de detenção e colocado em um local isolado onde fez greve de fome.

O brasileiro foi retirado do isolamento depois da intervenção dos médicos que cuidavam dele. Leslie Molina, uma oficial de deportação, disse que o órgão ainda trabalha no processo de deportação de Xurupita e que “desconhece qualquer pedido de extradição”.

Quanto a conseguir asilo político, o advogado Shayne Epstein, que cuidou do caso do brasileiro por algum tempo, afirmou que mesmo que ele consiga, o processo de extradição pode ser inevitável. “Até mesmo um cidadão norte-americano pode ser extraditado caso cometa crime em outro país”, explicou.

Fonte: (Da redação)