Publicado em 20/09/2010 as 12:00am

Agente do ICE ajudava coiotes na fronteira

Durante anos, Martha Garnica, viveu uma vida dupla. Ela era uma agente dos Estados Unidos que atuava proteção e segurança nos limites com o México. Mas ela também era conhecida por "La Estrella" entre os traficantes.

 

Durante anos, Martha Garnica, viveu uma vida dupla. Ela era uma agente dos Estados Unidos que atuava proteção e segurança nos limites com o México. Mas ela também era conhecida por “La Estrella” entre os traficantes. Isso porque ela tinha um segundo trabalho – ela atuava ao lado dos traficantes de drogas que cruzavam a fronteira.

Ela ajuda os traficantes com mapas para que eles soubessem os caminhos mais seguros para transportar drogas e também imigrantes indocumentados.

Mas a vida que ela vivia começou a despertar curiosidade em outras pessoas. Garnica vivia em uma grande casa com piscina, tinha dois Hummers e constantemente passava férias fora do país, inclusive na Europa. Tudo isso mantido com o dinheiro ganho pela ajuda dada aos criminosos.

Mas no mês passado esta vida dupla e de regalias terminou. Sua armação foi descoberta e ela foi presa e condenada a 20 anos por seis acusações de tráfico de drogas, tráfico de pessoas e corrupção. O Ministério Público dos Estados Unidos a tachou como “uma peça importante e valiosa para o sindicato do crime de La Linea em Ciudad Juarez, no México”.

Para justificar as acusações, Garnica disse, no tribunal, que “todo mundo comete erros e eu assumo a responsabilidade pelos meus”.

Para realizar as investigações que chegou à prisão de Garnica foi preciso reunir investigadores, agentes secretos e membros do Poder Judicário. Eles levantaram documentos, conversas gravadas e entrevistas. Mas o que mais preocupou os investigadores é que ficou claro que a corrupção está aumentando entre oficiais que deve proteger a fronteira do país.

Para alguns agentes federais, a aplicação de leis mais rígidas na fronteira não é mais um problema. Garnica é a ponta de um icerbeg de corrupção. O que eles apontam como primordial é uma investigação no envolvimento de muitos oficiais com cartéis do narcotráfico mexicano. “Para continuar traficando pessoas e drogas, os grupos estão corrompendo oficiais e agentes federais”, salientou Thomas Frost, um assistente do Inspetor-Geral do Departamento de Segurança Interna dos EUA. “Os cartéis estão dispondo de uma enorme quantidade de dinheiro para comprar as pessoas”, conclui.

Segundo informações do Homeland Security, o número de inquéritos instaurados sob oficiais envolvidos em corrupção na Alfândega subiu de 245 em 2006 para cerca de mil este ano e no Immigration and Customs Enforcement, o número subiu de 66 para cerca de 300, no mesmo período. A maior parte dos casos envolve trafico de drogas e armas.

Fonte: (Da redação)