Publicado em 22/09/2010 as 12:00am

Dream Act é negado no senado federal por apenas 4 votos

A proposta foi negada nessa terça ? feira (21) no senado federal, por apenas 4 votos.

 

A organização Movimento dos Estudantes Imigrantes (SIM), promoveu uma manifestação na segunda – feira (20), em frente ao gabinete do senador federal por Massachusetts, Scott Brown, pedindo apoio na aprovação do Dream Act, que foi negada nessa terça-feira(21), pelo senado federal.

O senado federal recusou a proposta  Defense Authorization Bill (S.3454), e o seu respectivo adendo, o Dream Act, que daria uma esperança para milhões de estudantes indocumentados no país. A proposta precisava de 60 votos para passar, mas falhou ao ter somente 56 votos a favor , e 43 contra.

Após a negativa, os senadores Harry Reid (D-NV) e Dick Durbin (D-IL), tomaram a bancada do senado para fazer um longo e ressentido discurso contra aqueles que votaram contra. Eles acusaram os colegas de não terem coragem de trazer o Dream Act à tona, e reafirmaram que a medida não significaria uma anistia total entre os imigrantes, só um primeiro passo. A partir de janeiro, e após as férias no congresso, os legisladores afirmam que tentarão mais uma vez passar a proposta.

A proposta federal que está em pauta, também inclui um proposta para legalizar imigrantes que se alistem ao exército. O protesto pedindo suporte do senador Brown, contou com mais de 100 pessoas do SIM e de outras organizações pró-imigrantes, e foi marcado por muitas bandeiras do EUA e coros em favor da aprovação do projeto. “Tudo o que queremos é a oportunidade de servir” disse o brasileiro Carlos Sávio Oliveira, de 22 anos,  que reside em Falmouth – MA, e deseja se alistar para o exército norte-americano. Carlos chegou ao país acompanhado de seus pais, quando tinha apenas 8 anos, e até hoje, permanece sem documentos. “ Eu me sinto preso” confessa.

Já Deivid Ribeiro, de 21 anos, também um estudante indocumentado e um aspirante a astronauta, disse que os planos do grupo de fazer o protesto foi pra sensibilizar a opinião pública acerca do problema.  

A assessorial de Scott Brown não se manifestou ainda sobre o protesto.  O líder da maioria no senado, já afirmou que botará a questão em voto para essa semana. Alguns republicanos se opõem à questão, afirmando que ela ‘brinca com a política’. Alguns líderes militares já afirmaram serem a favor, pela potencial de recrutamento. .

O projeto, discutido há muitos anos, se configura um caminho para gerar um status legal para estudantes que desembarcaram nos EUA antes dos 15 anos e vivem no país há pelo menos 5 anos, se graduando na High School e com perspectivas no ensino superior. Aqueles  jovens que serviram às forças armadas também são qualificados para a medida. Alguns temem que o Dream Act diminuirá o foco em outras questões de imigração, outros a vêem como um "sinal" em direção a uma reforma mais ampla. Mas a principal questão que permanece é se o senador Reid pode reunir os 60 votos necessários para a aprovação da iniciativa.

O senador Brown já afirmou diversas vezes que não apóia o projeto, frisando porém que poderia rever a legislação se ela viesse à votação. Já o democrata John Kerry, já afirmou dar o seu suporte para a causa.

“ Para mim, a Marinha pode ser o começo de uma trajetória vitoriosa na minha vida” disse Deivid à uma agência de notícias. Embora o presidente Obama tenha reiterado seu apoio para o Dream Act, ele disse que quer ter certeza que o projeto vai se configurar o início para uma reforma realmente abrangente. “ Eu não quero ninguém pensando que o Dream Act pode resolver o problema todo. Temos muitos outros problemas para resolver. Ainda precisamos de uma reforma completa, e embora eu apoiei o Dream Act, acho que não podemos esquecer que temos que focar num projeto mais amplo” disse  o presidente, ao jornal hispânico La Opinion. O programa já foi à votação em 2007, quando foi reprovado no congresso por apenas 8 pontos, 52 a 44.

Fonte: (Da redação)