Publicado em 15/12/2010 as 12:00am

Brasileiros 'invadem o mundo' e a Globo vai junto

Programa Planeta Brasil é exibido é exibido para mais de um milhão de espectadores nos Estados Unidos

Por Luciano Sodré


Estima-se que a população brasileira, no exterior, esteja em torno de 3 milhões e isso gerou o investimento de algumas empresas para atingir este mercado. A Rede Globo de Televisão está entre elas e uma de suas principais apostas é o Planeta Brazil, exibido mais de 40 países. Nos Estados Unidos, o programa se fixou como uma bandeira da comunidade no que tange divulgar a cultura verde e amarelo e propagar a força deste povo em todo o planeta.

A apresentadora Mila Burns, responsável pela apresentação do programa em alguns países, conversou com a redação do jornal Brazilian Times e falou da emoção de estar a frente do atual programa, que circula pelos estados norte-americanos em busca de histórias interessantes relacionadas aos brasileiros. “Não temos pauta e a cada edição nos surpreendemos com o que encontramos pelo caminho”, explica.

Esta capixaba de Vitória se formou em jornalismo na UFRJ e antes de atua na TV Globo, passou por outras emissoras de TV. Ela está a frente do Planeta Brasil desde 2009.

Brazilian Times - Quando iniciou a carreira como jornalista e onde?

Mila Buns - Prestei vestibular no Rio de Janeiro e fui aprovada na UFRJ. Me mudei para lá aos 17 anos e, antes de ir para à TV Globo, trabalhei em revistas, outras redes de TV e na Globo.com. Na TV Globo entrei em 2001, quando fui aprovada no processo de seleção de estagiários. Depois de seis meses como estagiária, fui ser repórter em Macaé, no interior. Fiquei lá por ano e voltei para o Rio, que considero uma praça maravilhosa, cheia de coisas acontecendo, onde se aprende muito. 

Brazilian Times - Quando se mudou para os Estados Unidos e qual foi a reação de sua família?

Mila Buns - Eu já morava fora desde os 17 anos, quando me mudei para o Rio. Em 2000, passei em período vivendo em Paris, então acho que eles estavam acostumados a não me ter por perto todos os dias. Tenho o privilégio de poder ir ao Brasil várias vezes ao ano. Mesmo assim, sentimos saudades, então nos falamos todos os dias pelo skype e por telefone.

Brazilian Times - Você já veio para este país para trabalhar no Planeta Brasil?

Mila Buns  -  Sim. Vim para New York, no início de 2009, para trabalhar no Planeta Brasil. Em 2010, embarcamos nesta aventura. Fechamos o apartamento e pegamos a estrada.

Brazilian Times - Ao longo destes anos de programa qual foi a reportagem que mais te emocionou, qual a que mais te fez rir, qual a que mais repercutiu e qual a que você mais gostou de fazer?

Mila Buns  -  É difícil apontar apenas uma. Foram muitos lugares, muitas pessoas, muitas belas histórias. Costumo brincar que todo imigrante diz que sua história daria um livro - e de fato dá! Mas, fazendo um exercício de renúncia, vamos tentar eleger algumas. Em Tijuana, passamos um dia inteiro ao lado de Pelourinho, um brasileiro que escolheu aquela terra para viver, apesar de ser casado com uma americana. Depois de um dia inteiro de um lado para o outro gravando, fomos à fronteira, onde tanta gente iniciou sonhos e perdeu vidas. Foi um momento muito emocionante e não consegui conter o choro. Só que, desta vez, o cinegrafista Francisco Pires virou as lentes para mim, e me mostrou neste momento. Isso acabou entrando no programa contra minha vontade, porque eu não queria ser vista chorando. Mas foi um erro meu. A cena emocionou a comunidade inteira e, eu mesma, não posso vê-la de novo, que caio no choro. Eu costumo me divertir muito durante as gravações. Com o João, em San Diego, que tem uma fábrica de peças de avião e detesta câmeras, rimos o dia inteiro. O mesmo acontece quase sempre. Quando fui ao Globo da Morte, em Las Vegas, quando pegamos chuva em Sedona, ao lado da entrevistada, enfim, o que vocês veem na TV, é o que acontece mesmo.

Brazilian Times - Com este novo roteiro de programa, em que você viaja pelo país, deve ter conhecidos culturas diferentes não apenas do Brasil. O que mais te chamou a atenção?

Mila Buns  -  Em 300 dias e mais de 50 mil milhas rodadas conhecemos cerca de 23 estados e passamos por pouco mais de 30. Vi um pouco de tudo, mas tive a impressão de que a América é muito parecida. Segue aquele padrão de highway-mall-casas. Por isso foram os lugares mais diferentes os que mais me chamaram a atenção. Sedona, no Arizona; Santa Fé, no Novo México; Austin, no Texas; Nova Orleans, na Loisiana; Savannah, na Geórgia; Outer Banks, na Carolina do Norte. Enfim, lugares únicos, com identidade, paisagens diferentes.

Brazilian Times - Como são elaboradas as pautas e o que tem prioridade no programa?

Mila Buns  -  Este ano na estrada, a equipe de produção tentou privilegiar as histórias que encontramos pelo caminho, marcando o mínimo possível de entrevistas. Aquelas marcadas, normalmente foram com pessoas que nos procuraram, enviaram emails ou mensagens para o blogplanetabrasil.com, contando suas histórias. É um programa para o imigrante e feito por imigrantes. Por isso nosso foco é nas histórias de brasileiros que vivem aqui: ricos, pobres, indocumentados, cidadãos americanos. Nada disso importa. O mais importante é retratar essa comunidade enorme e rica. Cheia de histórias para dividir.

Fonte: (Da redação)

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