Publicado em 20/12/2010 as 12:00am

Acadêmicos brasileiros enfrentam processo de deportação

Denis Lemos, de Framingham ? MA, e Vinícius Quirino, de Medford- MA, brigam na justiça para permanecer no país, onde vivem desde o começo da adolescência

Por Marcelo Zicker

Uma organização em favor dos estudantes indocumentados, a Student Immigrant Movement – SIM,  está atuando para evitar que dois jovens estudantes brasileiros de Massachusetts sejam deportados e tenham que abandonar sonhos e toda uma vida no país. Denis Lemos, de Framingham – MA, e Vinícius Quirino, de Medford- MA, brigam na justiça para permanecer no país, onde tem se destacado em suas respectivas carreiras acadêmicas e onde vivem desde o começo da adolescência.

Denis Lemos, de 25 anos, saiu de São Paulo - SP, para os EUA em 2000, quando tinha apenas 14 anos.  Ele completou um curso de Associate Degree em Engenharia Elétrica e de Computadores no MassBay Community College, com um GPA de 3.92, quase atingindo a excelência acadêmica. Estudando durante o dia e trabalhando à noite, ele cursou graduação de Engenharia na UMASS Lowell por um semestre, mas desistiu quando soube da notícia de que o processo não seria aprovado. Quando o seu pai teve um processo de Green Card recusado , seus pais retornaram ao Brasil em fevereiro de 2010, mas ele resolveu ficar. “ Com problemas na documentação do processo, meu pai entrou em procedimentos de deportação e resolveu ir embora juntamente com a minha mãe. Eu não tinha motivo pra ir com eles, porque esse é o meu país. Ir embora nunca foi uma opção para minha vida” afirma Denis. “Eu não tenho a mínima idéia como seria. Apesar de meus familiares falarem que o Brasil está passando por um bom momento, eu tenho medo de me arrepender  de não ter lutado para ficar no país em que fui criado” completa ele.  Ele terá uma Corte no dia 15 de junho que decidirá o seu futuro.

Já Vinicius Quirino, chegou aos EUA em 2003, quando tinha apenas 17 anos de idade. Natural de São Paulo - SP,  o jovem de 25 anos se graduou na East Boston High School com o título de Estudante Honorário, honra só concedida aos melhores alunos.  A bem-sucedida carreira estudantil prosseguiu com o curso de engenharia pela Bunker Hill Community College. Com o sonho de servir às forças aéreas dos EUA, ele quer se especializar na engenharia aeronáutica, consertando e desenvolvendo tecnologias para aviões.  Em novembro do ano passado, Vinícius estava voltando de uma viagem à Chicago, quando durante a viagem, ele foi abordado por um oficial da Patrulha da Fronteira, que pediu identificação das pessoas presentes no trem onde o brasileiro viajava. “ Eu não esperava, a parada foi de manhã, eu tinha acabado de acordar, e vi oficiais perguntando sobre a nacionalidade das pessoas” relata. “Quando eles pegaram o meu passaporte e começaram a perguntar sobre o meu visto, eu senti que teria problemas” completa ele, que ficou preso por 3 dias, até pagar a fiança, que foi estipulada em $5.000. “ Atualmente estou sofrendo um processo de remoção, que me dá autonomia para ir embora do país voluntariamente. Mas quero ficar e vou lutar até o fim pra ficar nos EUA, porque esse é o meu país de verdade”.

O grupo SIM –Student Immigrant Movement, está atuando na resolução do imbróglio dos jovens brasileiros, contatando autoridades políticas e ativistas para causar a conscientização acerca do problema. “ Como parte de sua campanha United We Dream (UWD)'s Education not Deportation, estamos trabalhando para evitar a deportação de Vinny e Denis, permitindo que a juventude imigrante continue a viver os seus sonhos aqui nos EUA, conquistando educação superior e correndo atrás de seus sonhos. Nós planejamos parar as deportações utilizando o respaldo legal e jurídico disponível, além de influência de políticos que são a favor da nossa causa, como o senador federal John Kerry” afirma a diretora da entidade, Renata Teodoro.  “Ainda lutamos para que o Dream Act seja aprovado com ou sem apoio do congresso, na esperança que o presidente Obama assine uma ordem executiva, promulgando a medida. Só assim, o país será capaz de parar a separação entre jovens e familiares, seus sonhos e o amor pelo país que não nasceram, mas que foram criados e educados” completa a ativista.  Para quem deseja saber mais sobre o SIM, e pela causa dos jovens em processo de deportação, entrar no site http://www.simforus.com.

Fonte: (da redação)