Publicado em 28/12/2010 as 12:00am

Brasileiros temem parceria da polícia estadual com ICE em MA

Para grande parte dos brasileiros, a hora é de cautela e agir com mais cuidado, principalmente no trânsito

 

O anúncio de que o governo de Massachusetts irá incluir a polícia estadual no programa‘Secure Communities’ , que autoriza policiais locais a atuarem em parceria com o Immigration and Customs Enforcement (ICE), uma onda de preocupação tomou conta do estado, espalhando o medo por toda a comunidade imigrante e brasileira que reside na Commonwealth.

Segundo o programa, aqueles que forem presos por qualquer tipo de ofensa terão suas digitais coletadas e enviadas automaticamente para o banco de dados do Immigration and Customs Enforcement (ICE). O diretor do Office for Refugees and Immigrants do Governo de Massachusetts, Richard Chacon, juntamente com o Undersecretary of Public Safety, John Grossman, organizaram uma coletiva para a imprensa étnica na quarta- feira(22), afim de esclarecer alguns pontos da implantação da iniciativa. “Sei que a discussão acerca do programa tem gerado muita preocupação, mas é preciso que as pessoas saibam que a coleta de digitais por parte da polícia em casos de prisão sempre foi um procedimento comum para identificar criminosos, sejam eles legais ou não. A diferença que agora o contato com o ICE vai se dar de maneira mais rápida, mas somente em casos que envolvam crimes violentos” afirma, salientando que um amplo treinamento será realizado para garantir que policiais saibam diferenciar caso a caso. “ Não queremos contribuir para a deportação de pessoas que estão aqui agindo honestamente e trabalhando duro para o nosso estado. Queremos aqueles que ameaçam a segurança da nossa comunidade” completa.

Segundo dados federais, 230 imigrantes foram deportados de outubro de 2008 até julho desse ano, sob aplicação do programa piloto em Boston, que foi iniciado em 2006. Dentre eles, 125 deportados foram classificados como não-criminosos. O anúncio já reverbera com tristeza e decepção entre grupos pró-imigrantes. O Grupo Mulher Brasileira lançou um comunicado à imprensa, condenando a iniciativa. “O GMB está chocado. A decisão do governador Deval Patrick de expandir o programa Comunidades Seguras é uma traição , o mesmo que apunhalar alguém pelas costas” afirmou a presidente da entidade, Heloísa Galvão, em artigo enviado à nossa redação.

Para grande parte dos brasileiros, a hora é de cautela e agir com mais cuidado, principalmente no trânsito. “O cerco para a gente está apertando. Logo que anunciaram essa lei, já botei meu carro à venda, e agora eu só ando de ônibus e trem” afirma o cabeleireiro e radialista Marcondes Barbosa, que reside em Somerville. “ Eu decidi evitar correr riscos, é a melhor postura e atitude que nós, indocumentados, podemos ter agora. Nunca sabemos o dia de amanhã, portanto é preciso mudar de comportamento” completa ele. O mesmo sentimento de medo é dividido pelo pintor Saulo Ferreira, que reside em Fall River. Ainda atordoado com a medida, a hora agora é de trabalhar muito e se mudar para o Brasil. “ Não temos muita escolha. Eles já mostraram que a situação para o imigrante só tende a piorar, então vou continuar trabalhando duro, para voltar pro Brasil mas cedo. Estou com medo de até limpar minha ‘driveway’, de rapar a neve ao redor da minha casa. Tudo pode ser motivo para eles me pararem e perguntarem se tenho documentos “ afirma ele, abatido com a notícia.

Para outros, o projeto não é motivo de preocupação. “ Não podemos parar nossas vidas e o trabalho por conta disso. Vamos vivendo, só que agora não podemos ‘dar bobeira’. Mas estou tranqüilo, não tenho medo de ser deportado não, até porque eu teria que ser preso para pegarem a minha digital, eu acho que nem vai mudar muita coisa” afirma o cozinheiro Tales Gonçalves, que vive em Chelsea – MA.

Fonte: (Da redação)